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O pré-natal visa assegurar o desenvolvimento saudável da gestação, contribuindo para a redução de riscos à saúde materna e neonatal. A Atenção Primária à Saúde (APS) é a porta de entrada e ordenadora do cuidado, com acompanhamento contínuo da gestante, incluindo aspectos biológicos, psicológicos e sociais. O acompanhamento deve iniciar preferencialmente até a 12ª semana de gestação, com consultas mensais até a 28ª, quinzenais até a 36ª e semanais até o parto, seguindo diretrizes nacionais. Essas ações incluem também a promoção de consultas de puerpério e puericultura após o nascimento, reforçando a integralidade do cuidado. O pré-natal odontológico, seguro em todos os trimestres, integra o cuidado, contribuindo para a redução de agravos bucais e sistêmicos e favorecendo melhores desfechos gestacionais. A integração da saúde bucal no pré-natal fortalece a atuação multiprofissional na APS e amplia os benefícios do acompanhamento integral da gestante.
Promover a abertura do pré-natal no período preconizado pelo Ministério da Saúde e garantir a avaliação da saúde bucal da gestante, prioritariamente no primeiro trimestre de gestação, contribuindo para um acompanhamento integral, seguro e de qualidade na Atenção Primária à Saúde.
Anteriormente, o acompanhamento pré-natal iniciava-se por demanda espontânea da gestante, que comparecia à unidade já com exame confirmatório de gravidez. Após apresentação do resultado, realizava-se o agendamento para abertura do pré-natal conforme disponibilidade da agenda do enfermeiro. O modelo era predominantemente reativo, sem oferta sistemática de teste rápido na unidade, podendo resultar em início tardio do acompanhamento. A partir de outubro de 2025, implantou-se novo fluxo assistencial. A gestante passou a procurar a unidade para realização do teste rápido de gravidez e, diante de resultado positivo, é imediatamente encaminhada para acolhimento e abertura do prénatal com o enfermeiro. Gestantes com exame confirmatório seguem o mesmo fluxo. Após a abertura, são agendados exames laboratoriais do primeiro trimestre, consulta médica e avaliação odontológica, priorizando atendimento no mesmo dia quando possível. Em casos de ausência à consulta odontológica, o atendimento é reofertado por demanda espontânea em consultas subsequentes. Todas as informações são registradas em prontuário e na Caderneta da Gestante, garantindo continuidade e integralidade do cuidado.
Observou-se melhora na adesão das gestantes às consultas de pré-natal, com redução das faltas tanto nas consultas médicas quanto nas odontológicas. A integração entre os profissionais da equipe de saúde favoreceu o acompanhamento contínuo e oportuno da gestante desde o início da gravidez. A articulação da recepção com os profissionais clínicos e odontológicos reforçou a participação da gestante no cuidado integral. A organização dos fluxos de atendimento e o agendamento simultâneo de consultas odontológicas garantiram maior acesso e adesão dos usuários aos serviços da APS, refletindo em maior vínculo com a equipe e maior continuidade do cuidado.
Após a implementação das estratégias propostas, houve aumento positivo da demanda e melhoria dos indicadores relacionados à abertura do pré-natal em tempo oportuno. Observou-se também redução das afecções odontológicas durante a gestação e, consequentemente, queda na necessidade de antibioticoterapia nesse período. Esses achados evidenciam a importância da Atenção Primária à Saúde e da atuação do enfermeiro na coordenação do cuidado à gestante, fortalecendo a abordagem multiprofissional e assegurando um acompanhamento integral e seguro, alinhado às diretrizes do Ministério da Saúde.
GESTAÇÃO, CUIDADO INTEGRAL, SAÚDE BUCAL
EVELIN CRISTINA SILVA NUNES, MARISLENE DOS SANTOS PORCIUNCULA BRAGA