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A participação social constitui um dos pilares do Sistema Único de Saúde (SUS), prevista na Constituição Federal de 1988 e regulamentada pela Lei n. 8.142/1990, que institui conselhos e conferências de saúde como instâncias de formulação, deliberação e controle das políticas públicas. Nesses espaços, usuários, trabalhadores, gestores e prestadores compartilham o poder de decisão, materializando o controle social como dimensão inseparável do direito à saúde e da democratização da gestão. Para estudantes e estagiários da área da saúde, a inserção concreta nesses cenários amplia a compreensão do SUS para além do discurso normativo, permitindo vivenciar a política em ato e articular saber técnico, compromisso ético e pertencimento cidadão. Experiências em conferências contribuem para formar sujeitos crítico‑reflexivos, capazes de intervir na realidade e disputar projetos de sociedade e de saúde. Nesse contexto, a participação de estagiários na Conferência Municipal de Saúde de Barueri aproxima formação e exercício da cidadania, dialoga com a Educação Permanente em Saúde e fortalece a constituição de trabalhadores‑cidadãos comprometidos com a defesa do SUS como política pública universal.
Descrever e analisar a experiência de participação de estagiários da área da saúde na Conferência Municipal de Saúde de Barueri, compreendendo a conferência como espaço formativo e de controle social no SUS. Especificamente, buscou‑se: favorecer a compreensão sobre o funcionamento da conferência, seus eixos temáticos e dinâmicas de debate, negociação e votação de propostas; estimular a reflexão ética e política sobre o papel dos estudantes como futuros profissionais e sujeitos de direitos; e identificar percepções, aprendizados e desafios vivenciados, a partir de questionário aplicado após o evento METODOLOGIA Trata‑se de relato de experiência, de caráter descritivo‑analítico, sobre a participação de estagiários da área da saúde na Conferência Municipal de Saúde de Barueri, entendida como cenário educador. Inicialmente, organizou‑se a participação dos estudantes, garantindo acesso às plenárias, grupos de trabalho por eixos temáticos, rodas de conversa e momentos de votação de propostas
Trata‑se de relato de experiência, de caráter descritivo‑analítico, sobre a participação de estagiários da área da saúde na Conferência Municipal de Saúde de Barueri, entendida como cenário educador. Inicialmente, organizou‑se a participação dos estudantes, garantindo acesso às plenárias, grupos de trabalho por eixos temáticos, rodas de conversa e momentos de votação de propostas. A observação direta, o engajamento em debates e a interação com diferentes atores do SUS compuseram o núcleo da vivência formativa. Em seguida, aplicou‑se questionário on-line, com questões fechadas em escala de concordância e questões abertas sobre percepções, impactos e reflexões ético‑políticas decorrentes da participação. As respostas foram sistematizadas e analisadas de forma descritiva, articulando os achados à literatura sobre participação e controle social, conferências de saúde e Educação Permanente em Saúde, com foco na formação de futuros trabalhadores do SUS em espaços coletivos de gestão e deliberação.
Resultados demonstram a participação de público heterogêneo de estudantes de técnico em enfermagem, graduação em enfermagem e medicina, com predominância da faixa etária de 18 e 34 anos. A experiência foi marcada pelo caráter inaugural, sendo para muitos a primeira inserção em arenas de participação social. Os estagiários atribuíram notas máximas à relevância temática e à organização do evento, validando a pertinência pedagógica da conferência em relação ao currículo acadêmico. Quanto à percepção política, houve compreensão elevada sobre a centralidade do controle social para a melhoria do sistema, com muitos expressando o desejo de continuar engajados em conselhos futuros. As narrativas revelaram que o ato de votar e debater foi vivido como um momento de reconhecimento da voz estudantil, aproximando-se da perspectiva freireana de participação crítica. Do ponto de vista da EPS, a conferência articulou conteúdos técnicos com a problematização da realidade local. Os estudantes relataram que a experiência reforçou valores como equidade, justiça social e empatia, consolidando a visão de que o SUS é um sistema que salva vidas, mas que demanda gestão eficiente para materializar o que está no papel. Entretanto, foram apontados limites, como a dificuldade de escuta em certas rodas e a necessidade de maior presença da comunidade, o que demonstra que a vivência gerou uma visão crítica e complexa, e não apenas uma adesão passiva ao evento.
A participação de estagiários na Conferência Municipal de Saúde de Barueri configurou‑se como experiência pedagógica potente, que articula controle social, Educação Permanente em Saúde e formação ética e cidadã para o SUS. Ao vivenciarem debates, formulação e votação de propostas, bem como o diálogo com diferentes atores, os estudantes ampliaram sua compreensão do sistema, fortaleceram o compromisso ético‑político e se reconheceram como sujeitos ativos na construção das políticas de saúde. A conferência emergiu como espaço de aprendizagem que ultrapassa conteúdos técnicos, favorece a construção de identidade profissional vinculada ao SUS e concretiza a democracia sanitária no cotidiano formativo. Os achados reforçam o potencial das conferências como dispositivos formativos para novas gerações de trabalhadores, ao mesmo tempo em que evidenciam desafios relativos à ampliação da participação de usuários, à qualificação da escuta e à divulgação dos espaços de controle social.
SUS, educação profissional em saúde pública
GISELLE RODRIGUES DE SANT’ANNA NEVES, RENATA TICIANE ROSSINI, ARIANE ALVES BECHARA, LEYDISLAINE DA LUZ GIMENES, TELMA BIASOLI DE SOUZA, MARIANNE BORGES TAVELLI, VIVIANE ALVES DO ESPÍRITO SANTO