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O envelhecimento populacional no Brasil representa um desafio para o Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente na organização do cuidado na Atenção Primária à Saúde (APS). A Estratégia Saúde da Família (ESF), principal modelo da atenção básica, fundamenta-se na integralidade, longitudinalidade e coordenação do cuidado, sendo a visita domiciliar ferramenta essencial para o acompanhamento da pessoa idosa em situação de vulnerabilidade. Nesse interim foi realizada a experiência de triar e acompanhar idosos com vulnerabilidades na microárea 4 da UBS Vince Nemeth, em Barueri (SP), entre junho de 2025 e janeiro de 2026, após dois anos de atuação do autor na unidade e experiência prévia no Serviço de Atenção Domiciliar (SAD) do mesmo município. Participaram idosos ≥70 anos, com doenças crônicas, limitações funcionais leves ou moderadas e dificuldade de acesso à UBS, não elegíveis ao SAD. Justificando a possibilidade de a ausência de visitas sistematizadas evidenciar uma lacuna assistencial, tornando necessária a implantação de atendimento domiciliar aos idosos vulneráveis pelas equipes das UBS para qualificar o cuidado, fortalecer vínculos e ampliar o acesso, a equidade e a resolutividade da APS no território.
Objetivo geral: Relatar a experiência de implantação de visitas domiciliares direcionadas a idosos não acamados na microárea 4 da Unidade Básica de Saúde Vince Nemeth, no município de Barueri (SP), como estratégia de fortalecimento da Estratégia Saúde da Família e ampliação do cuidado integral à população idosa no território. Objetivos específicos: 1-Descrever o processo de identificação, estratificação e organização territorial dos idosos com limitações funcionais leves ou moderadas e dificuldades de acesso à unidade de saúde. 2-Analisar as contribuições das visitas domiciliares para o acompanhamento longitudinal, fortalecimento do vínculo profissional-usuário e identificação precoce de demandas clínicas e sociais no âmbito da Atenção Primária à Saúde.
Trata-se de relato de experiência qualitativo e descritivo, realizado na microárea 4 da UBS Vince Nemeth, em Barueri (SP), ao longo de 8 meses de atuação do autor como médico da Estratégia Saúde da Família, com base também em experiência prévia de um ano no Serviço de Atenção Domiciliar. Participaram idosos ≥70 anos, com doenças crônicas, limitações funcionais leves ou moderadas e dificuldade de acesso à unidade, não elegíveis ao SAD, já cadastrados na UBS, com acompanhamento ativo da equipe, especialmente do Agente Comunitário de Saúde. As atividades incluíram identificação dos elegíveis por registros da equipe e Agentes Comunitários, contato telefônico, levantamento de barreiras de acesso, organização das informações em planilhas com estratificação de risco, mapeamento territorial, elaboração de cronogramas semanais de visitas domiciliares e construção de protocolo interno para sistematização da prática. Os resultados foram avaliados qualitativamente, considerando o acompanhamento longitudinal, fortalecimento do vínculo profissional-usuário, adesão ao tratamento, identificação precoce de agravos clínicos e demandas sociais, além da análise da viabilidade de incorporação das visitas à rotina da Estratégia Saúde da Família, demonstrando relevância para o cuidado integral do idoso no território.
A implantação de visitas domiciliares para idosos não acamados na microárea 4 da UBS Vince Nemeth promoveu avanços no acompanhamento longitudinal e na organização do cuidado no território. A identificação e estratificação dos usuários permitiram reconhecer idosos com limitações funcionais leves ou moderadas que antes tinham acompanhamento irregular devido a dificuldades de acesso à unidade. Foram resgatados cerca de 120 idosos com hipertensão e/ou diabetes, dos quais aproximadamente 30 pertenciam à microárea 4. Após contato telefônico, visitas domiciliares e análise de sistemas municipais, 12 apresentaram fragilidades no acompanhamento, demandando maior atenção. As visitas possibilitaram melhor compreensão das condições sociofamiliares, intervenções contextualizadas, fortalecimento do vínculo, adesão ao tratamento e encaminhamentos oportunos na rede de saúde. O planejamento territorial e a logística das visitas otimizaram o trabalho da equipe, embora a cobertura parcial e o tempo limitado tenham exigido ajustes na frequência das visitas. A criação de um protocolo inicial sistematizou a prática, ampliando sua continuidade e replicabilidade, reforçando o papel da Estratégia Saúde da Família na coordenação do cuidado à população idosa.
A implantação de visitas domiciliares para idosos não acamados na microárea 4 da UBS Vince Nemeth mostrou-se viável e relevante para ampliar o cuidado integral na Atenção Primária à Saúde. O acompanhamento sistemático permitiu identificar lacunas assistenciais, fortalecer vínculos entre profissionais e usuários e realizar intervenções mais adequadas às necessidades individuais e sociais. Apesar de limitações como cobertura parcial e tempo reduzido da equipe, a organização das visitas, baseada em estratificação de risco e planejamento territorial, demonstrou-se factível e alinhada aos princípios da Estratégia Saúde da Família. A criação de um protocolo interno sistematizou a prática e permitirá replicação em outros territórios. A experiência evidencia o papel da Atenção Primária na coordenação do cuidado à população idosa e reforça a importância de estratégias domiciliares que integrem prevenção, promoção de saúde e acompanhamento longitudinal, ampliando o acesso, a qualidade e a efetividade do SUS no cuidado ao idoso.
Estratégia Saúde da Família, Saúde do Idoso
LUCAS GUILHERME LINO