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A Atenção Primária à Saúde (APS) é a porta de entrada prioritária do Sistema Único de Saúde (SUS), estruturada sobre os princípios da universalidade, integralidade e equidade, além do reconhecimento do território como espaço vivo de produção de cuidado (BRASIL, 2017). Nesse cenário, as Práticas Corporais e Atividades Físicas (PCAF) se consolidam como importantes ferramentas de promoção da saúde, prevenção de agravos e fortalecimento da autonomia dos usuários (MALTA et al., 2014). As academias ao ar livre, instaladas em praças e espaços comunitários, configuram-se como recurso acessível para a população. No entanto, observa-se que muitas vezes tais equipamentos permanecem subutilizados devido à ausência de orientações quanto ao uso seguro e adaptado dos aparelhos (HALLAL et al., 2010). A presença de profissionais de educação física na saúde, especialmente no âmbito da APS, possibilita que esses espaços sejam ressignificados como locais de cuidado, educação em saúde e incentivo à prática regular de atividade física. Sob a perspectiva da residência multiprofissional, destaca-se a relevância de articular teoria e prática em ações que ampliem o cuidado para além dos muros da unidade, fortalecendo a territorialidade, a autonomia e o protagonismo dos usuários. A experiência descrita, realizada com o grupo de PCAF da USF JD Rodrigo, justifica-se como uma estratégia educativa que integra saúde, território e comunidade.
Relatar a experiência da ação territorial do grupo PCAF da USF JD Rodrigo, voltada à orientação sobre o uso seguro e autônomo dos equipamentos da academia ao ar livre do bairro.
Trata-se de um relato de experiência desenvolvido pelos residentes de Educação Física, no âmbito da Atenção Primária à Saúde, em território adscrito à USF Jardim Rodrigo, Sorocaba/SP, no segundo semestre de 2025. A ação foi planejada como extensão do grupo de PCAF, que acontece às Segundas e Quartas, 08h e 09h. Os usuários foram convidados durante os encontros regulares do grupo, a intervenção foi feita em 2 semanas (uma turma em cada semana), onde os usuários presentes foram conduzidos até a academia ao ar livre localizada em praça próxima. No local, realizamos uma explanação sobre os benefícios da atividade física regular para a saúde, seguida de orientações práticas sobre o funcionamento de cada aparelho, postura adequada, tempo de permanência, cuidados com a intensidade e adaptações necessárias conforme faixa etária, condição física e presença de comorbidades. A metodologia contemplou vivência prática supervisionada, diálogo participativo para esclarecimento de dúvidas e incentivo à experimentação dos equipamentos. Buscou-se respeitar a percepção subjetiva de esforço e os limites individuais, assegurando segurança, inclusão e autonomia.
A atividade contou com adesão expressiva dos usuários, que demonstraram entusiasmo em conhecer e experimentar os aparelhos da academia ao ar livre. Diversos participantes relataram que, apesar de morarem próximos ao espaço, não o utilizavam por insegurança quanto à execução correta dos exercícios. Após as orientações e vivências supervisionadas, os usuários verbalizaram maior confiança, segurança e motivação para o uso independente do espaço. Observou-se também fortalecimento dos vínculos entre os usuários, integração comunitária e valorização da praça como equipamento de saúde do território. Para a equipe, a ação evidenciou a importância de ressignificar espaços públicos como locais de cuidado e promoção da saúde, alinhados às diretrizes da APS. Na perspectiva da residência em Educação Física, a experiência possibilitou a prática pedagógica, a escuta ativa e a vivência concreta da territorialidade como eixo estruturante do cuidado.
A experiência “Da Unidade à Praça” demonstrou que a integração entre serviço de saúde, comunidade e equipamentos do território pode ampliar a autonomia dos usuários, fortalecer práticas de autocuidado e consolidar o papel das PCAF na APS. A apropriação da academia ao ar livre como espaço de promoção da saúde reflete os princípios do SUS ao garantir acessibilidade, equidade e valorização dos recursos locais. Para a formação em residência, a ação representou a oportunidade de vivenciar o processo educativo no território, articulando conhecimentos técnicos à realidade dos usuários e fortalecendo a compreensão do cuidado em saúde como prática coletiva. Evidencia-se, assim, a relevância de iniciativas que extrapolem o espaço físico da unidade, consolidando a territorialidade e o protagonismo dos sujeitos no processo de cuidado.
aatividade física, promoção da saúde, aps
GILDSON SIQUEIRA DA SILVA, YASMIN CRISTINA DE SOUZA