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A dengue configura-se como um importante desafio de saúde pública no Brasil, demandando não apenas assistência aos casos, mas também estratégias eficazes de prevenção. Nesse contexto, no ano de 2024, foi iniciada a vacinação contra a dengue no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), por meio da vacina Qdenga, destinada inicialmente a municípios selecionados e ao público de crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, conforme critérios definidos pelo Ministério da Saúde. O município de Mogi Mirim foi contemplado com a distribuição da vacina em junho de 2024 e, assim que recebeu as doses, deu início à campanha de vacinação. Entretanto, observou-se desde o início uma baixa adesão por parte do público-alvo. Tal situação refletiu um cenário já identificado em outros territórios, marcado pela circulação de desinformação e notícias falsas relacionadas às vacinas, o que impactou negativamente a procura pelo imunizante. Diante desse contexto, evidenciou-se a necessidade de fortalecer ações educativas e de aproximação com a comunidade, especialmente junto ao público infantojuvenil, a fim de promover informação qualificada, esclarecer dúvidas e incentivar a adesão à vacinação como medida fundamental para a prevenção da dengue.
Diante da baixa adesão inicial à vacinação contra a dengue, este relato de experiência tem como objetivo descrever a atuação dos agentes de saúde no ambiente escolar junto a alunos de 10 a 14 anos. As ações desenvolvidas buscaram levar informações de confiança ao público-alvo da vacina, por meio de orientações claras e acessíveis sobre a dengue, a importância da vacinação e o enfrentamento da desinformação. Além disso, objetivou-se ampliar a cobertura vacinal no município, utilizando a escola como espaço estratégico de promoção da saúde e de fortalecimento do vínculo entre os serviços de saúde, os estudantes e suas famílias.
A Vigilância Epidemiológica foi responsável por orientar as unidades de saúde quanto à inclusão do imunizante contra a dengue no calendário vacinal do município. Em articulação com o Núcleo de Educação Permanente e Humanização, foi realizada capacitação dos Agentes Comunitários de Saúde e dos Agentes de Combate às Endemias, abordando informações técnicas sobre a vacina Qdenga, estratégias de comunicação e esclarecimento de dúvidas da população. Paralelamente, estabeleceu-se articulação com a Secretaria Municipal de Educação e com a Diretoria de Ensino, responsáveis pelas unidades escolares das redes municipal, estadual e privada, com o objetivo de viabilizar a realização das ações no ambiente escolar. No período de setembro a novembro de 2024, os agentes de saúde realizaram visitas às unidades escolares, percorrendo as salas de aula com alunos pertencentes à faixa etária contemplada pela vacinação. Durante as atividades, foram realizadas orientações sobre a dengue e a importância da vacinação como medida de prevenção, além da entrega de materiais informativos para que os estudantes compartilhassem com seus responsáveis.
Como resultado das ações educativas desenvolvidas no ambiente escolar, observou-se um aumento superior a 15% na cobertura vacinal contra a dengue no município. Embora esse percentual ainda se encontre abaixo da meta estabelecida pelo Ministério da Saúde, o incremento evidenciou o impacto positivo das estratégias adotadas, especialmente no enfrentamento da desinformação e na ampliação do acesso à informação qualificada junto ao público-alvo. Cabe destacar que, entre os quatro municípios da microrregião contemplados com a vacina no mesmo período, Mogi Mirim apresentou o maior índice de cobertura vacinal, demonstrando a efetividade das ações intersetoriais realizadas.
As ações dos agentes de saúde nas escolas de Mogi Mirim mostraram a importância da aproximação entre saúde e comunidade escolar na promoção da vacinação contra a dengue. O aumento da cobertura vacinal e o maior índice em relação a outros municípios da microrregião indicam que estratégias educativas bem planejadas e informações confiáveis podem reduzir a desinformação e estimular a adesão à vacina. A experiência evidencia que a escola é espaço estratégico para ações de saúde pública, permitindo diálogo direto com alunos e familiares, e reforça a importância da articulação entre Vigilância Epidemiológica, atenção primária à saúde e setor educacional. Assim, a atuação em ambiente escolar contribui para a prevenção da dengue e fortalece a cultura de cuidado com a saúde desde a infância, servindo de referência para futuras campanhas de imunização e promoção da saúde no município.
Dengue, vacinação, saúde na escola.
VIVIAN DELALIBERA DE SOUZA CUSTODIO, DANIELA CRISTINA BERG, SONIA APARECIDA DOS SANTOS