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A experiência relatada refere-se à realização de uma oficina de Educação Permanente em Saúde (EPS) voltada para o fortalecimento da saúde mental dos profissionais da Rede de Atenção à Saúde (RAS) de Praia Grande, em parceria com o Complexo Hospitalar Irmã Dulce (CHID). A atividade foi desenvolvida como parte de um esforço intersetorial para promover o bem-estar e a qualidade de vida no trabalho dos profissionais de saúde. A oficina buscou identificar agentes estressores no ambiente laboral e construir estratégias coletivas de enfrentamento, visando a transformação de práticas institucionais e o fortalecimento da saúde mental dos trabalhadores. A importância dessa experiência para o Sistema Único de Saúde (SUS) reside na promoção de ambientes laborais mais saudáveis e integrados, contribuindo para a redução do absenteísmo, a melhoria da qualidade de vida no trabalho e a humanização do atendimento à população. Além disso, a oficina se alinha aos princípios da EPS, que visa a transformação das práticas de saúde por meio da capacitação e da reflexão crítica dos profissionais.
Objetivo Geral: – Promover a reflexão crítica, o autocuidado entre os profissionais de saúde e fortalecer a colaboração coletiva na identificação e no enfrentamento de situações estressoras no ambiente de trabalho Objetivos Específicos: – Auxiliar os participantes na identificação de fatores de risco para a saúde mental e a qualidade de vida. – Promover o desenvolvimento do pensamento crítico e de ferramentas práticas para o enfrentamento desses fatores. – Oferecer exemplos de estratégias de autocuidado que possam ser replicadas no dia a dia dos profissionais.
A oficina foi desenvolvida em parceria entre a Secretaria de Saúde Pública de Praia Grande (SESAP) e o CHID. A metodologia utilizada incluiu recursos audiovisuais, dinâmicas de grupo, técnicas de relaxamento e uma atividade disparadora voltada à auto avaliação das emoções. No início do encontro, os participantes eram recebidos com uma pergunta reflexiva e um mural de emoções, onde identificavam a emoção que mais representava sua vivência no trabalho. Em seguida, eram divididos em subgrupos heterogêneos para discutir e registrar situações de trabalho prejudiciais à saúde mental e estratégias de enfrentamento. A oficina foi mediada por duas psicólogas e uma terapeuta ocupacional, que conduziram as atividades de forma participativa, promovendo a escuta ativa e a colaboração entre os profissionais. Ao final do encontro, os grupos compartilhavam suas conclusões, fortalecendo a reflexão coletiva e o protagonismo nas ações voltadas ao cuidado com a saúde mental.
A experiência ocorreu no anfiteatro do Hospital Irmã Dulce, em Praia Grande, e contou com a participação de 52 profissionais, incluindo psicólogos, enfermeiros, assistentes sociais, agentes comunitários de saúde, médicos e diretores de unidades. Os principais agentes estressores identificados pelos participantes foram: carga de trabalho excessiva, pressão por metas e resultados, relações interpessoais difíceis, competitividade, distribuição inadequada de responsabilidades, remuneração incompatível com as funções, ausência de um plano de carreira e comunicação violenta. Quanto às estratégias de enfrentamento, destacaram-se a prática de atividades físicas, o autocuidado, o lazer e o hábito religioso. Essas práticas foram associadas a uma melhor qualidade de vida e à redução do risco de transtornos mentais, conforme evidenciado em estudos como o de Ahmad et al. (2015) e Ferriss (2002). No entanto, também foram relatadas atividades pouco saudáveis, como o uso de drogas e jogos de azar, que podem gerar novos adoecimentos. A oficina permitiu que os profissionais identificassem os principais desafios enfrentados no ambiente de trabalho e construíssem estratégias coletivas para lidar com essas situações, fortalecendo a reflexão crítica e a colaboração entre os participantes.
A experiência relatada evidencia a relevância de ações educativas que integram autocuidado, reflexão crítica e colaboração coletiva para o fortalecimento da saúde mental no ambiente de trabalho. A oficina promoveu não apenas a identificação de desafios individuais e coletivos, mas também a criação de redes de apoio que ampliam o potencial de enfrentamento dos trabalhadores. A metodologia participativa e intersetorial adotada demonstra como práticas de EPS podem ser replicadas e adaptadas para transformar contextos laborais diversos, reafirmando o papel fundamental da corresponsabilidade e do protagonismo na promoção de ambientes de trabalho mais saudáveis e integrados. A experiência também reforça a importância de ações contínuas para a promoção da saúde mental dos profissionais da saúde, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida no trabalho e para a humanização do atendimento no SUS.
Educação Permanente em Saúde, Saúde Mental
CINTHIA ARAÚJO BISSA, GUILHERME AUGUSTO BRAGA SILVA