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O tabagismo é um importante problema de saúde pública no Brasil. De acordo com o Vigitel 2023, o percentual total de fumantes com 18 anos ou mais no Brasil é de 9,3%, sendo 10,2% entre homens e 7,2% entre mulheres. Tal dado é alarmante pois o tabagismo é importante fator de risco direto e indireto para diversas doenças; estima-se que cause cerca de 156 mil mortes por ano no país gerando prejuízos para a saúde individual, populacional e financeira para os serviços de saúde (1). Isto posto, fica clara a necessidade de educação em saúde para a prevenção do vício no tabaco e a promoção de iniciativas para abandono do hábito. O Brasil é um dos signatários da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco da Organização Mundial da Saúde (OMS), que visa reduzir o consumo de tabaco e proteger a saúde da população. O Governo Federal, em 2020, atualizou o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Tabagismo para regularizar e promover programas para redução do número de dependentes e redução dos danos causados pela substância (2). Diante dessa realidade do Brasil e seus municípios, a Secretaria de Saúde de Pindamonhangaba viu a necessidade de desenvolver grupos para as pessoas fumantes que desejam abandonar o vício. Um desses grupos foi instalado na região Leste do Município na USF do Bairro Santa Cecília.Neste trabalho será abordada a experiência desse Grupo denominado Deixando de fumar sem Mistérios nos anos de 2023 e 2024.
O objetivo deste trabalho de relato de experiência é compartilhar a vivência do projeto de intervenção através dos grupos de apoio em cessação do tabagismo na comunidade da Zona Leste do município de Pindamonhangaba. Através da descrição detalhada das atividades desenvolvidas e dos desafios enfrentados, busca-se contribuir para o conhecimento sobre práticas eficazes de promoção do abandono ao cigarro e prevenção de recaídas. Além disso, pretende-se promover uma reflexão crítica sobre os resultados obtidos, identificando lições aprendidas que possam ser aplicadas em futuras intervenções. Este relato visa, ainda, inspirar outros profissionais da área a adotarem abordagens semelhantes e obter bons resultados.
Os grupos foram realizados pela equipe de Saúde da Família do Bairro Santa Cecília (médica, enfermeira e agente comunitário) após devidamente treinados. O bairro tem em seu cadastro aproximadamente 1880 moradores em 605 famílias. A população é composta por classe econômica C/D/E e vulnerabilidade social moderada. As inscrições foram realizadas na Recepção do Posto através de demanda espontânea e busca ativa com o trabalho dos agentes comunitários. Os interessados preencheram uma ficha de inscrição com dados pessoais, histórico de doenças e responderam o teste de Fagerström (3) que caracteriza o grau de dependência à nicotina. As reuniões foram realizadas no Centro Comunitário do bairro e estruturadas em quatro encontros semanais, dois encontros quinzenais e um encontro mensal até que complete um ano. Os materiais abordados nas reuniões foram baseados na cartilha fornecida pelo Ministério da Saúde em parceria com o Instituto Nacional do Câncer. Os temas das reuniões abrangeram o porquê se fuma e como isso afeta a saúde, estratégias para a parada, como vencer os obstáculos para permanecer sem fumar e benefícios obtidos após a cessação. A duração dos encontros foi em média, 50 minutos e ocorreu roda de conversa e troca de experiências guiadas pelo coordenador e finalizadas com tarefas a serem realizadas no domicílio e discutidas na próxima reunião. Como medidas farmacológicas foram disponibilizados Adesivos de Nicotina, Goma de Nicotina e Bupropiona.
Durante dois anos (2023 e 2024) foram realizados quatro grupos totalizando 39 participantes. Neste perfil populacional, a maior adesão foi feminina – 71% e a faixa de escolaridade foi o Ensino Médio completo. Houve prevalência de comorbidades associadas como hipertensão arterial, doenças pulmonares e transtornos ansiosos. A taxa média de sucesso com o abandono do tabagismo foi de 59% (Grupo 1 – 75%/ Grupo 2 – 57%/ Grupo 3 – 54%/ Grupo 4 – 53%) com a média de tempo de seis semanas. 90% dos inscritos fizeram uso de Adesivo de Nicotina, sendo este o método com melhor adesão e resultados. Foi observado um grande estímulo por parte dos familiares nesta mudança de estilo de vida com a presença de casais realizando o processo juntos e de familiares convidando uns aos outros para também deixar o vício. Os pacientes relataram grande melhora física quanto à respiração, circulação e disposição, bem como melhora emocional e melhor satisfação pessoal. Também enfatizam a melhora nas relações interpessoais, na variação de atividades de lazer e, inclusive, melhora econômica.
A experiência do grupo Deixando de fumar sem mistérios foi bem sucedida e é mantida atualmente com boas respostas. As inscrições para o 4º grupo já iniciaram. O maior desafio enfrentado foi manter a adesão dos usuários nas reuniões mensais pelo período total de um ano, a grande maioria permanece pelos primeiros 6 meses e então perdem a regularidade. Para a equipe do ESF Santa Cecília foi satisfatória a realização do programa por seus resultados positivos e pela mudança na qualidade de vida dos usuários a curto e longo prazo. Há planejamento para que sejam introduzidas as praticas de auriculoterapia e acompanhamento psicológico durante as reuniões dos próximos grupos.
Bupropriona, fumar, grupos, saúde, desafio
BEATRIZ ANDRADE DE MELLO COSTA, CLAUDIO ROBERTS MARTINS DE JESUS, LÉIA MELLO NUNES DA CRU