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As alterações climáticas, as intervenções humanas no ambiente, o aumento das chuvas e do calor ao decorrer dos anos tem criado condições favoráveis para que os mosquitos se proliferem mais rapidamente e consequentemente elevando os casos de arboviroses em todo território nacional. A dengue, uma arbovirose urbana de maior relevância nas Américas, pode evoluir de casos leves a graves, incluindo óbitos. Em 2024, foi o ano em que o país teve mais casos de dengue comparado aos anos anteriores, com 6.613.730 casos prováveis, com 6.216 óbitos pelo agravo. Em Atibaia a situação epidemiológica da doença não foi diferente com 13.363 casos prováveis e 12 óbitos. Com o aumento dos casos em todas as unidades de atendimento, tanto públicas como privadas, houve atraso no envio das notificações e na digitação das fichas. Diante desse cenário foi necessário implementar ações para o manejo e detecção precoce dos casos suspeitos, assim como evitar a propagação da doença.
Relatar a experiência do município durante epidemia de dengue no ano de 2024
Diante do aumento de casos, da necessidade de avaliação, hidratação rápida, medidas como capacitação das equipes, confecção de vídeo orientando manejo, coleta de exames e notificação, aquisição de insumos, exames como sorologia e teste rápido, realização de coleta em pacientes internados para identificação de sorotipo. Foi implantada a sala de situação com realização de reunião semanal com representantes das vigilâncias, atenção básica, especializada, e mensais com equipes dos hospitais. As ações de comunicação sobre a doença nas páginas oficiais da prefeitura foram amplamente divulgadas e feitas matérias para a televisão local. Um polo de atendimento à dengue foi instalado na Unidade de Pronto Atendimento (UPA), local para hidratação, preferencialmente venosa, com tempo de permanência curto para a estabilização ou encaminhamento para unidade de maior resolutividade. A chegada da vacina destinada à população de 10 a 11 anos de idade, posteriormente ampliada até 14 anos, foi divulgada para a população alvo por meio das redes e Secretaria de Educação. As ações de vigilância e controle vetorial aconteceram durante todo o ano com realização de visitas casa a casa, nebulização e mutirões com a participação de outras secretarias. Foi necessário realizar força tarefa com outros setores para auxiliar na inserção das fichas no sistema. O município decretou situação de emergência em saúde pública e adotou medidas para preservar a saúde da população e conter a propagação de arboviroses.
Com a ampla divulgação nas páginas oficiais da prefeitura, a própria população auxiliou na detecção de locais com potenciais criadouros dos mosquitos, e que a doença apesar de sua maioria serem casos leves, alguns podem evoluir com gravidade e óbito, e isso também auxiliou para que os pais levassem seus filhos para receberem a vacina contra dengue, no entanto, como o intervalo entre as doses é grande muitos pais deixaram de imunizar com a segunda dose, seja por esquecimento ou por acharem que uma dose é suficiente e como na época havia menos casos que não haveria necessidade. A capacitação das equipes em todos os níveis de atendimento favoreceu a uniformidade de condutas e agilidade no atendimento. Com o envio das amostras de pacientes internados ou que infelizmente evoluíram a óbito para o Instituto Adolfo Lutz (IAL) foi possível detectar os sorotipos circulantes 1 e 2 no município. Além disso, com a criação do polo de atendimento à dengue, foram contratados novos médicos e equipes de enfermagem para suprir a demanda visto que o atendimento foi realizado de forma centralizada, desta maneira não sobrecarregando as portas de urgência e emergência e das unidades de saúde que mantiveram sua rotina. No período de vigência do polo (3 meses) foram atendidos 6.952 casos.
Inicialmente foram observados pontos com necessidade de ajustes: dificuldade de adesão dos profissionais médicos ao plano, fluxos e aos protocolos, falhas no entrosamento entre as equipes da UPA e contratadas exclusivamente para o Polo, falta de alinhamento entre as equipes da atenção primária e UPA para contra-referência qualificada. Embora as ações tenham apresentado obstáculos no início, foram fundamentais para o êxito pois foi possível adequar uma área exclusiva para atendimento com fluxo definido, melhorando o tempo de atendimento e hidratação e remodelar as rotinas e participação da equipe de enfermagem. Quanto às ações de vigilância, foram importantes para a organização dos serviços fornecendo dados epidemiológicos, capacitação e condução do plano de controle de arboviroses no município.
Dengue, Vigilância em Saúde, Ações coordenadas
LARISSA SANAE FUNATSU, PATRICIA ALEXANDRE SILVA SILVEIRA, HELOISA CRISTIANE BORDIN, VILMA DA SILVA BARBOSA LIMA