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Ribeirão Preto enfrenta recorrentes surtos de dengue, o que levou à implementação, em abril de 2009, de uma política pública para diagnóstico da doença no Laboratório Municipal. Essa iniciativa garantiu o atendimento de todos os casos suspeitos no SUS, adotando o exame NS1, que permite a detecção precoce da infecção até o terceiro dia de sintomas, em contraste com o teste sorológico de IgM, que só pode ser realizado após o sexto dia. Além disso, foi estabelecida uma parceria entre o laboratório, a vigilância e o controle de vetores para otimizar o combate ao mosquito transmissor nas áreas com maior concentração de casos confirmados. O Laboratório Municipal tem um papel essencial no diagnóstico e monitoramento da doença, permitindo uma resposta rápida das autoridades de saúde. Durante os períodos epidêmicos, o impacto na saúde pública é severo. O aumento expressivo no número de casos sobrecarrega a vigilância epidemiológica e os serviços de controle de vetores, além de pressionar as unidades de saúde. A demanda por atendimentos cresce drasticamente, exigindo mais recursos humanos e financeiros. A dengue leva a um grande número de hospitalizações e a uma alta necessidade de leitos e assistência ambulatorial para hidratação e acompanhamento. Este estudo analisa os anos mais críticos da dengue no município, com base nos exames realizados no Laboratório Municipal, destacando a importância do diagnóstico precoce e das estratégias de controle para mitigar os impactos da doença.
Demonstrar a importância de uma infraestrutura laboratorial robusta no diagnóstico de dengue e quais foram os piores anos da doença para o município de Ribeirão Preto sob a perspectiva da análise dos dados históricos de exames laboratoriais diagnósticos realizados no Laboratório Municipal de 2009 a 2024 e as respectivas porcentagens de positividade ano a ano.
Para avaliar o impacto da dengue no município, foi realizado um estudo retrospectivo, utilizando o banco de dados do Laboratório Municipal para uma análise dos dados históricos de exames laboratoriais para diagnóstico de dengue realizados pelo Laboratório. Foram considerados todos os anos a partir de 2009, quando o Laboratório municipal assumiu o diagnóstico dos exames de dengue do município. Do ano de 2009 ao ano de 2013 foi realizado o teste de pesquisa de antígeno NS1 por enzimoimoensaio de várias marcas e empresas, de acordo com o vencedor da licitação para o registro de preços do ano correspondente. O teste de NS1 responde muito bem aos sorotipos 1, 2 e 3 da dengue. No ano de 2013, percebemos uma baixa sensibilidade ao teste NS1, muitos casos suspeitos, com características clinico epidemiológicas clássicas de dengue e exames de NS1 NÃO REAGENTES. E de acordo com um estudo realizado pela divisão de vigilância epidemiológica da Secretaria da Saúde de Ribeirão Preto que agrupou os mesmos sorotipos com prevalência maior ou igual a 90%, o sorotipo predominante no ano de 2013 no município era o DENV-4. Em virtude desta baixa sensibilidade, o laboratório municipal passou a realizar o teste de pesquisa de anticorpos dengue IGM a partir de maio de 2013 e realizou o teste sorológico de IGM nos anos de 2014 e 2015, voltando a realizar o teste NS1 no final de 2015. Nos anos de 2010 e 2015 nos meses de pico a coleta foi mantida para plaquetas baixas, idosos, crianças e gestantes.
Entre 2009 e 2024, o Laboratório Municipal realizou 170.639 testes sorológicos para dengue, com 49.538 (29%) resultados positivos. Os anos com maior volume de exames foram 2011 (34.236), 2019 (14.473), 2020 (16.123), 2023 (16.479) e 2024 (39.354 até julho). As maiores taxas de positividade ocorreram em 2011 (47%), 2015 (38,5%) e 2020 (47%), sendo que, em 2015, utilizou-se o teste IgM. A dengue é uma doença sazonal, com maior incidência entre janeiro e junho. Os períodos mais críticos foram 2011 e 2024, quando foram realizados, respectivamente, 31.294 exames (51% positivos) e 37.655 exames (26% positivos) no primeiro semestre. Em 2011, os casos se concentraram entre março e maio, enquanto em 2024 o aumento começou em fevereiro, seguido de uma queda mais lenta. Segundo o boletim epidemiológico municipal, até julho de 2024 foram notificados 79.388 casos suspeitos, com 51.283 confirmações, 19 óbitos confirmados e 14 em investigação. Aproximadamente 50% dos casos notificados foram testados no Laboratório Municipal, evidenciando sua importância na resposta à endemia. Os surtos desafiam a capacidade operacional do laboratório, exigindo horas extras dos funcionários para garantir a rápida liberação dos resultados. A realização do teste NS1 nos primeiros dias de sintomas, com resultados liberados no mesmo dia e envio imediato de relatórios à Vigilância Epidemiológica e ao Controle de Vetores, otimiza os recursos e direciona o combate à doença para as áreas mais afetadas.
A análise histórica dos piores anos da dengue em Ribeirão Preto, com base nos dados de exames realizados pelo Laboratório Municipal, destaca a importância de uma infraestrutura laboratorial robusta e de estratégias eficazes de saúde pública para o enfrentamento de surtos epidêmicos. Os anos de 2011 e 2024 foram identificados como os mais críticos, com um número elevado de exames realizados e uma alta porcentagem de testes reagentes, sendo de acordo com os dados dos boletins epidemiológicos o ano de 2024 o mais desafiador. A implementação do teste NS1 permitiu a detecção precoce da dengue, essencial para um tratamento oportuno e eficaz. A liberação rápida dos resultados, no mesmo dia da coleta, foi crucial para ações imediatas de controle da doença. A troca de informações com a vigilância epidemiológica e o controle de vetores otimizaram os recursos financeiros e humanos, direcionando esforços para as áreas de maior concentração de casos. A capacidade de realizar um grande número de exames em períodos de surto foi essencial para o diagnóstico rápido e o controle da dengue. A experiência adquirida nos piores anos da dengue em Ribeirão Preto proporciona valiosas lições para a gestão de futuras crises de saúde pública.
dengue, ns1, epidemia
ELAINE CRISTINA MANINI MINTO, EDUARDO BRAS PERIM, HUGO MAISTRELO TORRES LIMA, LUIZ BENJAMIN TRIVELLATO FILHO, GISLAINE CARLA BOVO GONÇALVES, GABRIELA INARA ARCARO VICENTINI, MARIA LIDIA MARIN, LARISSA ELIS SILVA CRIVELARI, GABRIEL MARTINS DA COSTA MANSO