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O presente trabalho descreve a prática em campo, de uma estratégia de cuidado, oferta de saúde e redução de danos, bem como construção de vínculos entre o paciente usuário de substancia psicoativa, o CAPS e seu território. Também é apresentada a metodologia e os modos de intervenção realizados, sendo eles: Fortalecimento da atenção básica através de reuniões intersetoriais para alinhamento do fluxo de rede, recebimento dos encaminhamentos e acolhimento portas abertas, busca ativa (visitas) e/ou contato telefônico, oferta de grupo de apoio, agendamento de avaliação médica, encaminhamento para desintoxicação em internação em hospitais e comunidade terapêutica a depender do caso.
Ofertar espaço de escuta, atendimento e acolhimento ao público usuário de substância psicoativa. Ofertar acolhimento e orientação às famílias. Estimular a adesão ao tratamento bem como o rompimento com os fatores subjetivos envolvidos na relação sujeito x substância psicoativa. Ressignificar as questões subjetivas. Reduzir a curva de reincidência nas internações para desintoxicação. Prevenir recaídas. Desconstruir a internação como única forma de tratamento. Instituir política de redução de danos tanto para o usuário como para a família.
São recebidos os encaminhamentos da atenção básica, CRAS, CREAS, Santa Casa, Conselho Tutelar. Acolhimento realizado pela equipe multidisciplinar (Psicologia, Assistência Social, Enfermagem e Recepção). Entrevista motivacional e inserção no grupo de apoio realizado semanalmente. Acolhimento dos familiares e realização de orientações em relação à dependência química. Agendamento de avaliação psiquiátrica a depender do caso. Encaminhamento para desintoxicação em duas modalidades sendo elas: hospitais psiquiátricos ou comunidades terapêuticas a depender do perfil do paciente e sua condição psíquica, levando em conta a classificação de risco. Matriciamento e reuniões intersetoriais para fortalecimento da RAPS e articulação de rede para acompanhamento integral dos casos.
Durante o período de janeiro de 2022 a junho de 2023, foram realizados intervenções preventivas, sendo: 206 atendimentos individuais pelo serviço de psicologia com a demanda (álcool e outras drogas); 197 avaliações psiquiátricas; 197 atendimentos em enfermagem em pós consultas; 232 atividades em grupo; Foram observadas reduções nas recaídas através do acompanhamento dos pacientes no grupo de apoio. Foram realizados acolhimentos dos familiares dos pacientes pela equipe multidisciplinar (Psicologia, Assistência Social, Enfermagem e recepção) Foram realizadas 93 internações de usuários de substancia psicoativas. Apenas 9% apresentam como comorbidade alguma psicose, pacientes com reincidência de duas e quatro internações, no período de janeiro de 2022 a junho de 2023, equivalem a 2%; A reincidência de três internações equivalem a 3%; 84% dos pacientes foram internados uma única vez, sem apresentar psicose como comorbidade. Em 100% dos casos houve aceitação e reconhecimento de credibilidade por parte dos familiares em relação a essa estratégia de cuidado. 100% de falas de conscientização sobre a redução de danos em grupos de apoio.
Levando em consideração a importância do cuidado integral em saúde e a necessidade de um olhar humanizado para esse publico que tanto demanda cuidados, concluiu-se que, ao desenvolver o atendimento ao paciente e aos familiares, houve maior adesão e surgimento de uma demanda reprimida, que graças ao trabalho e rede, tem no CAPS I uma referencia para acompanhamento. Também foi possível desconstruir paradigmas relacionados a internação psiquiátrica e a consulta médica como única forma de tratamento para a dependência química, sendo elas parte de um cuidado integral sendo um meio e não uma finalidade. Foi possível fortalecer a subjetividade, construir a autonomia e estreitar os vínculos com o paciente desde o contato telefônico, nas visitas e no acompanhamento semanal, o que é percebido na saúde mental como uma ferramenta fundamental. Nossa recomendação é o contínuo fortalecimento da RAPS como política pública estabelecida sendo a estratégia para a humanização desse complexo atendimento com os familiares e os usuários. Através de formação continuada, aumento do quadro de servidores e um espaço físico mais amplo para ampliação da oferta de serviços.
Álcool e drogas, redução de danos, humanização.
Alessandro Calixto Teixeira