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O conhecimento sobre obesidade evoluiu consideravelmente nos últimos anos e muitos conceitos e percepções da ciência fi¬caram para trás, mas infelizmente ainda são comuns na sociedade. Atualmente, o excesso de peso acomete mais de 60% da população no Brasil, o que significa que um em cada quatro brasileiros tem a doença. A obesidade está associada também a uma série de doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) como diabetes mellitus, dislipidemia e hipertensão arterial, conhecidos fatores de risco para doenças cardiovasculares. Dessa maneira, é essencial interromper o aumento da obesidade para combater a crescente carga dessas doenças não transmissíveis e melhorar a saúde e o bem-estar. Para atingir esse objetivo, umas das estratégias é investir naqueles que têm contato direto com a população e acesso aos domicílios: os agentes comunitários de saúde (ACS). Em 2023, a Secretaria Municipal da Saúde de Ribeirão Preto (SMS), através da Coordenadoria de Educação Permanente em Saúde (EPS) Coordenadoria de Atenção à Saúde das Pessoas com DCNT, do Programa de Aprimoramento Multiprofissional em Hipertensão arterial e Diabetes mellitus (PAMHADM) e a Coordenação da Estratégia de Saúde da Família (ESF) definiu como estratégia para abordar o tema Obesidade a realização de oficinas com a exposição do tema, dinâmicas de grupo e exercícios práticos para estimular os participantes a se sentirem aptos a colocar em prática aquilo que aprenderam nas horas de atividade.
Desenvolver e realizar capacitações abordando o tema da obesidade e alimentação saudável, para sensibilizar os ACS na abordagem do assunto com a população adscrita.
A oficina teve como público alvo os ACS, por terem um vínculo direto com a população e poderem atuar preventivamente de acordo com a realidade que encontram. Dessa forma, foram realizadas 4 oficinas, 2 em março e 2 em outubro, intituladas: “Oficina ACS em ação: uma conversa para além do peso”. Na primeira parte da oficina foram abordados aspectos teóricos da obesidade (definições, alimentação saudável, impactos na saúde mental e atividade física) e ao final uma atividade de relaxamento com a técnica da respiração diafragmática. Na segunda parte da oficina, os ACS foram divididos em 2 grupos para participarem em 2 estações: a primeira estação abordou a “Nova Classificação dos Alimentos” quanto ao nível de processamento, com exemplos práticos e apresentação do folder “10 passos da alimentação saudável”, preconizados pelo Ministério da Saúde. Já na segunda estação os ACS tiveram contato com a Ferramenta de Mapa de Conversação, especificamente o Mapa 2 – Alimentação Saudável e Atividade Física. Nesse contexto, discutiram como esse mapa, rico em ilustrações, poderia ser utilizado para incentivar a alimentação saudável e a prática de atividade física, bem como para transmitir conceitos básicos relacionados ao tema. Ao final foi possível elaborar propostas de ações nas unidades de saúde relacionadas à obesidade. Em seguida foi realizado um Quiz com perguntas sobre os temas discutidos e os participantes realizaram uma avaliação da oficina.
Participaram das oficinas 147 ACS. Estiveram envolvidos na organização e condução das palestras e das estações a equipe do Programa de Aprimoramento Multiprofissional em Hipertensão Arterial e Diabetes mellitus (nutricionistas, enfermeira, profissional de educação física e psicóloga), além da equipe multiprofissional da SMS. Em uma compilação de todas as propostas de ações levantadas pelos ACS, as principais foram: orientação da comunidade na preparação de lanches saudáveis e receitas que utilizem alimentos de forma consciente; criação de grupos com discussões relacionadas à alimentação saudável; orientação às mães sobre a preparação de papinhas saudáveis e prevenção da obesidade infantil; grupo de atividade física; informações sobre locais que oferecem refeições acessíveis; orientação de leitura de rótulos de alimentos e utilização do aplicativo Desrotulando e elaboração de materiais ilustrativos sobre a quantidade de sal, açúcar e conservantes em alimentos. Na avaliação da oficina, 100% dos ACS afirmaram que a mesma contribuiu ao menos um pouco com seus conhecimentos e que conseguirão aplicar esses conhecimentos adquiridos em suas rotinas de trabalho. Com relação ao momento da oficina em que o ACS aprendeu mais, 72% afirmou ser no momento do Quiz e 60% respondeu que foi na estação da “Nova Classificação dos Alimentos”. Nenhum ACS levantou alguma demanda que não foi discutida na oficina e todos elogiaram a abordagem da temática.
Uma capacitação em forma de oficina mostrou-se muito produtiva e os ACS mostraram-se engajados no tema e dispostos a difundir os conhecimentos adquiridos nessa capacitação para a população e para equipe. O estímulo à definição e apresentação de propostas aproxima a oficina do trabalho diário realizado pelos profissionais, mas é necessário um segundo momento para a avaliação da mudança no processo de trabalho e na abordagem da obesidade feita pelos ACS a partir dessa experiência.
Educação em saúde, Obesidade, agentes comunitários
Daniela De Bortoli Sanches, Fernanda Garcia De Oliveira Baruffi, Rute Tosta Machado Rezende, Mariana Bodoni Massocato Machado, Maria Tereza Cunha Alves Rios