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Os processos regulatórios no SUS tem se tornado cada vez mais estruturantes para a gestão do cuidado, considerando a alta demanda de consultas e exames de apoio diagnóstico, atrelado a oferta limitada de recursos e a necessidade de atender as desigualdades do sistema. A Regulação Ambulatorial Municipal tem o papel de ordenar o cuidado garantindo que o paciente tenha acesso ao recurso solicitado em tempo adequado à suas necessidades, administrando demanda e oferta por meio de protocolos de acesso e processos de cuidado estabelecidos entre a rede de saúde. O grande desafio é a otimização de recursos garantindo a equidade dos pacientes, rompendo barreiras como o absenteísmo, a não continuidade do cuidado ofertado, ou da demanda desordenada por especialista e/ou exames que resultam em demanda reprimida de solicitações junto à regulação. Inserir a Regulação Ambulatorial no maior ambulatório de especialidades médicas do município (Poupatempo da Saúde) tem como premissa aproximar a realidade de quem demanda e recebe as demandas, da área que coordena o processo de referência e contrarreferência, visando a eficiência no atendimento especializado ambulatorial.
– Garantir a eficiência na pós consulta com médico especialista, para que o paciente já saia com os seus exames ou consultas de referência agendados, podendo garantir a programação dos retornos com o especialista solicitante; – Otimização de vagas no momento do agendamento, considerando que o paciente é consultado quanto à disponibilidade da oferta em questão, diminuindo o absenteísmo – Aproveitamento de vagas de cancelamento, considerando que o paciente é consultado para utilização de vagas cronologicamente próximas, reduzindo a perda primária; – Aproximar a realidade regulatória dos serviços assistenciais, subsidiando o aprimoramento dos processos de trabalho.
Foi inserida uma base avançada da Regulação Ambulatorial dentro do Poupatempo da Saúde (ambulatório médico de especialidades municipal) com objetivo de garantir agendamentos de referência e exames de apoio diagnóstico no momento que o paciente sai do seu atendimento médico. Embora inserido no mesmo A base avançada responde técnica e administrativamente à Regulação Ambulatorial Central que fica na sede da Secretaria de Saúde. Conta com equipe administrativa e técnica (médicos reguladores) no período de funcionamento do ambulatório, das 7 às 21 horas de segunda à sexta-feira. Para que o processo garantisse a oferta necessária de vagas, o desafio foi a atribuição da cota de vagas que a base teria com relação a oferta geral administrada pela matriz da Regulação Ambulatorial, foram feitos estudos que estimaram a necessidade de oferta e conforme necessário são ajustadas. Considerando que o ambulatório possui prontuário eletrônico e processos informatizados, as solicitações durante o atendimento já são encaminhadas via sistema à equipe da Regulação que valida a pertinência, classificando o risco para programação do agendamento. Logo após consulta o paciente e atendido na área de pós consulta e tem seu agendamento realizado para exame e/ou consulta de referência, o que lhe permite escolher o melhor dia, e/ou período para realizar o atendimento, bem como a oportunidade de ter acesso a vagas remanescentes que lhe garantem um atendimento próximo.
Foram realizados 139.787 agendamentos entre fevereiro a dezembro 2024. Foi observada uma diminuição do absenteísmo ao longo dos meses na medida em que os trabalhos foram se consolidando, com aumento no mês de julho, período em que sabidamente há um aumento deste indicador decorrente de período de férias, assim como em dezembro.
Embora a estratégia seja recente, com apenas um ano de implantação do Poupatempo da Saúde e da base avançada da Regulação Ambulatorial, é um processo contínuo de construção e aprimoramento visando a gestão integral do cuidado. Neste período observou-se uma boa resposta da população com relação à garantia da continuidade da assistência quando sai do serviço ambulatorial já com seus próximos atendimento programados, assim como a melhora sensível na gestão de recursos de continuidade do cuidado (consultas de retorno e condutas terapêuticas). Esta proposta também vem de encontro à nova politica de Atenção Especializada que visa o cuidado integral por meio de OCIs (oferta de cuidados integrados), que facilita o desenvolvimento de processos assistenciais e regulatórios garantindo a gestão do cuidado em tempo adequado. Atualmente o município estuda a possibilidade de multiplicar a experiência no Ambulatório de Especialidades Cirúrgicas.
absenteísmo, acesso, regulação, especialidades.
GRAZIELE MASSIERO GONÇALVES, LEILA MARIA RIBEIRO, MICHELE MOREIRA GARCIA, FELIPE HENRIQUE ALVES DE ARAUJO