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A capacitação adquirida pela municipalidade para os enfermeiros da rede de saúde, com foco em autocuidado e autovalorização, visou promover o bem-estar dos profissionais, considerando sua saúde emocional e física essencial para o desempenho adequado das suas funções. Contudo, ao longo do curso, observou-se que muitos enfermeiros demonstraram desconforto, resistência e até incompreensão em relação à temática abordada. A sobrecarga de trabalho, aliada à visão de que o autocuidado seria algo secundário frente às demandas diárias de atendimento, levou os profissionais a considerarem a capacitação desnecessária. A dificuldade em internalizar a importância de cuidar de si mesmos reflete um contexto em que o papel do enfermeiro é predominantemente voltado para o cuidado do outro, sem espaço para refletir sobre suas próprias necessidades. Esse cenário revela um reflexo da cultura da profissão, onde a dedicação ao cuidado dos outros frequentemente resulta em negligência de seu próprio bem-estar, e a falta de capacitação voltada para esse autocuidado pode comprometer tanto a saúde dos profissionais quanto a qualidade do atendimento prestado.
Reduzir a resistência à temática do autocuidado através de abordagens práticas e adaptadas à realidade dos enfermeiros: Criar capacitações que integrem a temática do autocuidado de forma que seja vista como relevante e aplicável, considerando a carga de trabalho dos profissionais, para que percebam essa prática como parte de um cuidado integral que inclui também o cuidado de si mesmos. Reestruturar a cultura do cuidado na saúde, incentivando um equilíbrio entre o cuidado com o outro e consigo mesmo: Estimular a criação de uma cultura que valorize o autocuidado dentro das instituições de saúde, promovendo políticas e práticas que incentivem os enfermeiros a buscar apoio para suas necessidades, criando espaços para reflexão sobre o impacto do trabalho na saúde física e mental.
A metodologia proposta para escutar a opinião dos enfermeiros foi centrada em uma abordagem participativa, onde os profissionais tiveram a oportunidade de expressar suas percepções e necessidades, de forma aberta e construtiva. Para alcançar os objetivos definidos, a metodologia se organizou a fim de compreender as percepções iniciais dos enfermeiros sobre o autocuidado e identificar barreiras existentes, essa oitiva foi feita de forma anônima e voluntária, garantindo a confiança dos participantes. Durante o curso observamos as falas e interações dos mesmos e depois perguntamos a uma grande parcela dos participantes sobre as suas percepções sobre o curso.
Abordamos 31 enfermeiros, de maneira individual, sem exposição e de maneira anônima e voluntária, 26 enfermeiros manifestaram desconforto em relação ao curso, falas como “Tenho tanta coisa pra fazer na unidade e estou aqui para falarem sobre minha autoimagem é um absurdo”, “Deveriam ter adquirido um curso de inserção de DIU ao invés desse curso”, “Eu achei tão desnecessário, precisamos de tanta coisa para otimizar o trabalho, exceto dicas de como me arrumar e me sentir melhor com a minha autoimagem”. Apenas cinco enfermeiros manifestaram satisfação, com as seguintes falas: “Eu gostei muito, eu precisava dessas dicas”, “Eu nunca fui numa capacitação onde a pessoa mais importante era eu! sempre tudo é voltado ao paciente e ao trabalho”, “Eu precisava me olhar com mais cuidado!”, entre outras. A pesquisa de opinião aplicada pela empresa ministradora, a manifestação de satisfação foi unânime, mas nas abordagens do NEPS, o resultado foi contraditório.
A análise dos depoimentos revelou significativa resistência de muitos enfermeiros em relação à capacitação sobre autocuidado e autovalorização. A sobrecarga de trabalho e a falta de compreensão sobre a relevância do tema geraram desconforto, com a percepção de que o curso era desnecessário. As demandas operacionais, como o atendimento ao paciente e tarefas clínicas, prevaleceram sobre a proposta do curso. No entanto, um pequeno grupo de profissionais expressou satisfação, reconhecendo a importância de cuidar de si mesmos, evidenciando que o autocuidado é relevante, mas precisa ser adaptado à realidade dos enfermeiros. A divergência entre os resultados da pesquisa de opinião da empresa ministradora e as abordagens realizadas pelo NEPS sugere que as condições de trabalho e desafios desses profissionais não foram devidamente considerados. É necessário aprofundar a construção de uma cultura de autocuidado nas instituições de saúde, com estratégias contínuas que valorizem a saúde física e emocional dos enfermeiros, sem sobrecarregá-los. O fato de os enfermeiros não se reconhecerem como sujeitos a serem cuidados é uma questão preocupante.
Autocuidado, autopercepção, PNEPS
MARIA OLÍVIA PIMENTEL SAMERSLA, AMÁLIA ROCHA BARROS VIEIRA, SIMONE BRITO DOS SANTOS MARCONDES, JOSEMÉIA GOMES TEIXEIRA PRADO