Siga a gente
Av. Angélica, 2466 - 17º Andar
Consolação - São Paulo / SP
CEP 01228-200
55 11 3083-7225
cosemssp@cosemssp.org.br
A crescente demanda por serviços de saúde para pessoas em situação de rua tem levado as equipes do Consultório na Rua a se adaptar a um cenário desafiador, onde a tecnologia e o contato humano devem coexistir. O município de São Paulo implantou recentemente o prontuário eletrônico na rede de atenção básica, área de atuação do Consultório na Rua, que realiza atendimentos principalmente em espaços públicos da capital paulista, alcançando aqueles que mais necessitam de assistência. As equipes enfrentam um ambiente urbano vulnerável, atuando em locais como viadutos, praças e terminais de ônibus, onde a insegurança e o risco de assaltos dificultam a coleta de dados. Além de tentar garantir um atendimento humanizado, para colocar em prática o uso do prontuário eletrônico, as equipes enfrentam desafios logísticos e de segurança, como a má qualidade do sinal de internet, a lentidão dos sistemas usados pelo município e a falta de equipamentos adequados, como tablets e computadores para todos os membros das equipes. A falta de espaço nas UBS para alocar novos dispositivos também é um fator limitante. Esse contexto reforça a necessidade de superar obstáculos tecnológicos e garantir um atendimento de qualidade, mesmo em condições adversárias. A discussão aqui apresentada visa refletir sobre essas dificuldades e a importância de adaptar as tecnologias às realidades do campo, sem comprometer a eficácia e o humanismo nos atendimentos.
Fomentar discussões e reflexões quanto ao paradigma tecnológico no cotidiano do trabalho das Equipes de Consultório na rua, na nova era digital, em consonância com avanços para atender as demandas municipais nos lançamentos dos dados.
A abordagem deste estudo foi qualitativa, baseada em análise de conteúdo de relatórios dos profissionais de Consultório na Rua buscando identificar padrões, apontando os desafios para o uso dos prontuários eletrônicos e consequentes dificuldades no alcance dos resultados esperados por gerentes de UBS, interlocutores de STSs (Supervisões Técnicas de Saúde), bem como de CRS (Coordenadorias Regionais de Saúde) e SMS (Secretaria Municipal de Saúde). Dessa forma, compreendendo os impactos de uma implantação pensada para equipes convencionais da atenção básica e fomentando discussões para uma implantação de novas tecnologias levando em consideração a realidade do contexto de trabalho das equipes de Consultório na Rua.
A análise dos desafios enfrentados pelas equipes do Consultório na Rua na implantação do prontuário eletrônico revelou que, apesar de algumas vantagens, como a melhoria na organização dos dados e continuidade do atendimento, há obstáculos comprometem a eficiência do processo. Um dos principais desafios identificados foi a insegurança nas ruas, onde as equipes atuam em locais de alto risco, como viadutos, praças e terminais de ônibus. O uso de equipamentos tecnológicos, como tablets e computadores, expõe os profissionais a furtos e assaltos, o que afeta diretamente a realização dos registros em tempo real e prejudica a continuidade da assistência. Além disso, a infraestrutura tecnológica revelou-se necessária para as demandas do serviço, no entanto o sinal de internet é precário e há lentidão dos sistemas de informação utilizados pelo município, dificultando o acesso rápido às informações e o registro eficaz e seguro dos atendimentos. Outro desafio importante foi a falta de equipamentos suficientes, já que nem todos os membros das equipes possuem acesso aos dispositivos necessários para o preenchimento dos prontuários e falta de espaço nas salas da UBS para instalação de novos equipamentos se fossem fornecidos.
Fica colocada aqui a complexidade do processo de implantação do prontuário eletrônico nas equipes do Consultório na Rua. Embora as novas tecnologias tenham trazido benefícios, como a melhoria na organização dos dados e na continuidade do atendimento no âmbito da atenção básica, os desafios enfrentados nas áreas vulneráveis de atuação das Equipes de Consultório na Rua, não podem ser ignorados. A insegurança nas ruas, a infraestrutura tecnológica deficiente e a falta de equipamentos (tablets, computadores…) para todos os outros profissionais que realizam atendimentos para além dos agentes de saúde, como: os médicos, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais, auxiliares de enfermagem e agentes sociais; comprometem a eficiência do sistema e a qualidade do atendimento oferecido. É fundamental, portanto, que, sejam consideradas as especificidades desse contexto urbano e a realidade do cotidiano das Equipes de Consultório na Rua para que o uso de tecnologias possa, de fato, ser uma ferramenta eficaz, cabendo uma discussão mais ampla para pensarmos em possibilidades e manejos para garantir a real inclusão das equipes de Consultório na Rua nessa era digital.
Prontuário Eletrônico, consultório na rua
MARTA REGINA MARQUES AKIYAMA, ARLINDO FREDERICO JÚNIOR, ANA PAULA CRUZ ALMEIDA, MARIA CRISTINA BARBOZA KAWAKAMI, RODRIGO SETTE, LAIS SANTOS DA SILVA, TALITA MENDES DE FARIA SILVA, MARIVALDO DA SILVA SANTOS, MARYLUCE CALSAVARA