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A dengue é a arbovirose urbana mais prevalente nas Américas, principalmente no Brasil. É uma doença febril que tem se mostrado de grande importância para saúde pública nos últimos anos. Guarulhos é um dos 39 municípios que compõem a Grande São Paulo, é a segunda cidade com maior população do Estado de São Paulo 1.291.771 hab, com confirmação de transmissão autóctone de casos de dengue. A maior epidemia de dengue no Brasil ocorreu no ano de 2024, com mais de 6 milhões de casos prováveis. Em Guarulhos no mesmo período mais de 98.179 casos foram notificados destes 80 mil confirmados gerando uma incidência 6.221 mil casos confirmados para cada 100 mil habitantes. A vigilância em saúde frente a tal cenário, tem por objetivo observar e analisar permanentemente a situação de saúde, articulando ações destinadas a controlar os fatores de risco, auxiliando a gestão para o conhecimento da realidade, identificando problemas, estabelecendo as prioridades de atuação em busca de resultados efetivos e fundamentais para a elaboração das ações em saúde.
– Disponibilizar os dados do sistema de forma oportuna para os tomadores de decisão; – Apoiar no planejamento e na organização das ações; – Alertar e articular com as diferentes esferas da gestão, para o enfrentamento das emergências em saúde pública; – Aumentar a sensibilidade de detecção de casos suspeitos de arboviroses; – Agilizar a execução de ações ambientais nos casos suspeitos; – Aumentar a completude das informações das fichas de notificação; – Aumentar a velocidade de obtenção dos dados para ação, através de sistemas oficiais; – Qualificar as informações para que o sistema possa prover subsídios para ações de prevenção e o controle da epidemia; – Monitorar e corrigir inconsistências, permitindo uma maior integridade dos dados;
Para subvencionar as ações, em 2023 foi implantada a descentralização da digitação das fichas de notificação de dengue e chikungunya para os serviços de urgência e emergência, e em 2024 para todas as unidades básicas de saúde e também as 4 unidades de atendimento avançado da dengue, totalizando 99 serviços com acesso ao sistema para inserção das notificações de dengue no sistema ministerial. A base para obter informações seguras sobre saúde, é a utilização dos sistemas ministeriais, é uma ferramenta que coleta, armazena, processa e transmite informações sobre o cenário epidemiológico de doenças e agravos. Para sanar as dificuldades enfrentadas por muitos municípios que ainda tem centralizado as inserções das notificações de dengue, gerando dificuldades no repasse das informações e nas ações ambientais, a descentralização para os serviços que realizam os atendimentos assistenciais em Guarulhos foi organizada em quatro etapas : articulação com o Departamento responsável e serviços privados, cadastro dos operadores para utilização do sistema, capacitação e orientação da plataforma Sinan e monitoramento da utilização do sistema pelos serviços. A capacitação com a produção de material informativo detalhando todas as etapas para cadastro das notificações no sistema, foi a ação de maior relevância para que todos os objetivos elencados fossem alcançados.
Com a descentralização da inserção das notificações em sistema ministerial, os dados obtidos foram fornecidos de forma rápida para análise do crescente número de casos, perfil da morbidade da população o que auxiliou na tomada de decisões e no planejamento das ações para controle da doença e assistência a população. Foram inseridas no banco de dados até o dia 19 do mês de setembro de 2024, 98.179 notificações de dengue dos residentes de Guarulhos, nas semanas epidemiológicas (SE) 15 e 16 com 8.000 e 8.261 inserções, totalizando o maior volume de notificações por SE. Nos serviços públicos de Urgência e Emergência UPAS e PA’s o total de notificações digitadas no Sinan correspondem a 26% (N.25.828), e nos hospitais 14% (N.13.775), o número das unidades avançadas para atendimento de sintomáticos com suspeita de dengue 8% (N.8.174). Já nos hospitais particulares esse percentual corresponde a 10% (N.9.979) dos cadastros. Nas unidades básicas municipais 23% (N.22.337), outros municípios totalizam 19% (N.18.086) de notificações cadastradas. O resultado na análise da base do Sinan mostra que 81% das notificações (N.80.093) foram inseridas pelos serviços que passaram pelo processo da descentralização.
A descentralização dos sistemas de informação para municípios com grande volume de redes para atendimento á população, possibilita aos envolvidos uma avaliação dinâmica do risco quanto à ocorrência de surtos ou epidemias, outro papel importante nesse cenário é calcular o surgimento de novos casos da doença, isso permite uma previsão quanto a curva de crescimento, o que, combinado com outros resultados, ajuda o sistema de saúde a se preparar para a demanda de atendimentos, suprimentos e leitos hospitalares num determinado período de tempo. Portanto torna se essencial o compartilhamento das responsabilidades para obtenção das informações em tempo oportuno, seja para o efeito de acompanhamento da evolução da doença no território, como também para a tomada de decisão.
Descentralização, Sinan, Dengue, Guarulhos
PATRÍCIA ROSA DA SILVA