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A Política Nacional de Saúde Mental, nascida a partir do movimento da Reforma Psiquiátrica no final da década de 1970, é amparada nos princípios do cuidado em liberdade e da reabilitação psicossocial. Sua materialização se dá por meio da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), conjunto de dispositivos que devem atuar de forma articulada, garantindo o cuidado às pessoas com transtornos mentais nos diferentes níveis de atenção. Fazem parte da Rede de Atenção Psicossocial os CAPS, as UBSs, as equipes e-Multi, o Consultório na Rua, as Residências Terapêuticas, as Unidades de Acolhimento, os leitos de retaguarda, os Centros de Convivência, entre outros equipamentos. A RAPS de Jundiaí é formada por equipamentos de todos estes níveis de atenção, os quais proporcionam estratégias inventivas de cuidado, valorizando o estar na comunidade, a circulação social e a promoção de vida. Todavia, apesar da potência dos serviços, há uma lacuna na comunicação dos mesmos com a rede, com pouca visibilização das produções executadas, o que, muitas vezes, reflete em sensações de desvalorização e não reconhecimento profissional.
– Promover a reflexão crítica acerca do cotidiano do trabalho desenvolvido nos serviços da RAPS, valorizando a criação de estratégias inventivas de cuidado aos usuários dos serviços; – Difundir práticas de cuidado em liberdade baseadas nos princípios da Reforma Psiquiátrica Brasileira, de modo a fortalecê-las e inspirar outros profissionais na criação de dispositivos; – Publicar material municipal de compartilhamento de experiências relevantes no campo da Saúde Mental.
Anualmente, os serviços da RAPS de Jundiaí realizam seu Planejamento Estratégico, de forma ascendente, a partir dos serviços, que discutem seus processos de trabalho de forma alinhada com as prioridades identificadas a partir das diretrizes da Coordenação de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas. Neste momento, são identificadas as prioridades para o ano subsequente, possibilitando o desenvolvimento das atividades de planejamento em saúde a partir de diretrizes da gestão e, também, de condições identificadas pelos serviços. Este planejamento é dividido em quatro eixos orientativos, sendo que um deles se refere à “Formação do Trabalho para a RAPS”, identificado como estruturante para o preparo técnico dos trabalhadores, que a partir disso poderão ofertar serviços de qualidade para a população. No ano de 2024, identificou-se que os serviços realizavam ações de cuidado interessantes para serem compartilhadas e ampliadas, e que eram submetidas a diferentes eventos, como congressos e simpósios, porém, não eram conhecidas e compartilhadas dentro da própria RAPS municipal. A partir da identificação desta questão, foi proposta a criação de um grupo de trabalho, inicialmente chamado de “Comissão de Experiências Exitosas”, o qual se reuniu a partir de agosto de 2024 para identificar estratégias de divulgação das produções dos serviços.
A “Comissão de Experiências Exitosas” reuniu-se mensalmente, a partir de agosto de 2024, sendo que seus representantes tinham o papel de apresentar este trabalho às equipes locais, de forma a sensibilizá-las para a escrita de experiências. A primeira diretriz tomada foi o levantamento de todos os materiais já produzidos pelos serviços, de forma a permitir a sistematização e criação de um acervo virtual das produções da RAPS. Foram catalogadas 45 produções, realizadas pelos CAPS, Consultório na Rua, Serviços Residenciais Terapêuticos e Unidades de Acolhimento. As produções foram catalogadas em oito temas principais, de modo a permitir a organização dos processos, a saber: “Álcool e Drogas”, “Geração de Trabalho e Renda”, “Residencialidade”, “Saúde Mental Adulto”, “Saúde Mental Infanto Juvenil”, “Articulação de redes”, “Gestão” e “Territorialidade”. Posteriormente, foi realizada a leitura e análise dos materiais, de modo a buscar uma padronização nos modelos de escrita. O grupo definiu, então, pela eleição das experiências recentes mais representativas para o desenvolvimento de uma revista eletrônica que pudesse estar disponível aos trabalhadores de saúde. A construção do modelo da revista foi realizada de forma coletiva, e o título, decidido por votação aberta aos trabalhadores da RAPS.
Como produto final da “Comissão de Experiências” tivemos o lançamento da revista digital DESencapsulando, em dezembro de 2024. A revista foi distribuída por e-mail a todos os colaboradores da Secretaria da Saúde e por meios digitais a trabalhadores de outras redes; também está disponível online em https://jundiai.sp.gov.br/saude/revista-digital-desencapsulando/. Avaliou-se que a experiência da escrita foi muito interessante no sentido de revisitar processos das unidades que, muitas vezes, eram invisibilizados e não reconhecidos em sua potência pelos profissionais. Além disso, possibilitou que os serviços se aproximassem na construção de um produto comum, que valorizasse não a singularidade de cada equipamento, mas sim a intersecção entre eles. A produção coletiva pôde valorizar as idiossincrasias de cada equipamento, mas também mostrar o potencial das conexões e construções coletivas. Os serviços passaram a reconhecer mais suas ações, inclusive efetivando inovações no cuidado ao usuário. A DESencapsulando pode, num momento histórico em que muitas vezes as ações de cuidado são questionadas e frequentemente colocadas em xeque, colocar os serviços de saúde mental em espaço de potência, valorizando as ofertas de cuidado em liberdade.
Cuidado em liberdade; relato de experiência
ALEXANDRE MORENO SANDRI, ADRIANA CARVALHO PINTO, MARIA CLARA MIRRA MEIRELLES, MICHELE GOMES DA PAIXÃO SANTANA, ANA LUIZA GREEN SOUZA, ANDRESSA CAROLINA DE SOUZA, ADA ELIANE OJEDA GUIMARÃES, ANA PAULA GRANZOTTO, ANA CLÁUDIA RAMOS FIDENCIO, FERNANDA DE JESUS LIGEIRO BRAGA, SANDI ROSA CARUSO DE ALMEIDA