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Segundo o Ministério da Saúde, 340 mil bebês nascem prematuras por ano no Brasil, sendo considerado um problema de saúde pública no país. Bebês prematuros, nascidos antes de 37 semanas, enfrentam maiores riscos de atrasos no desenvolvimento neuropsicomotor, afetando coordenação motora, habilidades cognitivas e controle muscular. A prematuridade pode prejudicar o desenvolvimento cerebral, causando alterações estruturais que resultam em déficits funcionais, que persistem até a vida adulta.(1,2) A detecção precoce dessas alterações é crucial, pois o cérebro é mais plástico e adaptável nos primeiros anos. Entende-se a estimulação precoce (EP) como uma abordagem de caráter sistemático e sequencial, que utiliza técnicas e recursos terapêuticos capazes de estimular todos os domínios que interferem na maturação da criança, de forma a favorecer o desenvolvimento motor, cognitivo, sensorial, linguístico e social, evitando ou amenizando eventuais prejuízos. Essa intervenção pode corrigir desvios sensório-motores e contribuir para o crescimento emocional, além de ajudar na identificação precoce de transtornos como o Transtorno do Espectro Autista (TEA).(2) O ambulatório de prematuros de Mauá reconheceu a crescente necessidade de apoio especializado, especialmente devido ao aumento do risco de TEA.
Desenvolver um Projeto Terapêutico Singular, baseado em avaliações multidisciplinares, para identificar atraso no desenvolvimento e implementar intervenções precoces. Garantir a escolha e adaptação correta dos dispositivos, assegurando seu uso seguro e eficiente quando necessário. Melhorar a funcionalidade e promover a inclusão social das pessoas com deficiência, adotando medidas de prevenção, compensação e manutenção da função. Estabelecer fluxos de cuidados contínuos e coordenados na rede de atenção às pessoas com deficiência. Oferecer apoio clínico-assistencial na Atenção Básica, compartilhando responsabilidades com outros pontos da Rede de Atenção à Saúde. Ofertar às famílias intervenção psicológica voltada aos cuidadores principais, para promover a aderência à estimulação precoce da criança.
A implementação do projeto teve início com uma reunião de coordenação entre a Atenção Especializada, Gerência do CER e a equipe do ambulatório de seguimento de prematuros, composta por pediatras, neonatologistas, enfermeiros e gestores. O principal objetivo dessa reunião foi estabelecer um fluxo de encaminhamento eficiente dos bebês para o CER via Regulação. Em seguida, foram realizadas capacitações específicas para enfermeiros e pediatras da atenção primária, com foco nas particularidades da prematuridade e nos protocolos de encaminhamento para o ambulatório de estimulação precoce.
A criação de agendas com equipe multidisciplinar, Fisioterapeuta, Fonoaudióloga, Terapeuta Ocupacional, Psicólogo para o ambulatório de estimulação precoce garantiu o atendimento adequado a 42 bebês prematuros no período de agosto a novembro, com as crianças divididas por faixa etária corrigida: de 0 a 3 meses, 4 a 7 meses, 8 a 12 meses e acima de 12 meses, assegurando a personalização dos cuidados. No primeiro dia já iniciou as orientações e acolhimentos dos cuidadores. Apesar de a implementação do projeto ser recente, já é possível observar resultados significativos. Bebês com sinais precoces de atraso no desenvolvimento e indícios de TEA foram rapidamente identificados e encaminhados para avaliações individuais com a equipe multidisciplinar. Essa abordagem tem permitido um acompanhamento especializado, possibilitando intervenções personalizadas que visam minimizar os impactos negativos no desenvolvimento neuropsicomotor dessas crianças.
A intervenção precoce é fundamental no desenvolvimento infantil, especialmente para bebês prematuros. O ambulatório de prematuros de Mauá tem sido eficaz na identificação e acompanhamento de atrasos no desenvolvimento e transtornos como o TEA. A capacitação das equipes de saúde e o acompanhamento contínuo são essenciais para otimizar as oportunidades de desenvolvimento, aproveitando a alta plasticidade cerebral nos primeiros anos de vida. Embora o projeto esteja em seus estágios iniciais, os resultados observados até agora são promissores, destacando a importância de uma abordagem precoce e integrada. A continuidade das ações e o fortalecimento das redes de apoio para bebês prematuros e suas famílias são cruciais para que mais crianças se beneficiem da estimulação precoce e alcancem seu potencial máximo. A ampliação do acesso a esses serviços e a continuidade de programas como este são vitais para melhorar os resultados a longo prazo e a qualidade de vida das crianças prematuras, promovendo um desenvolvimento mais saudável e integrador. Esse formato foca nos resultados observados até o momento, mantendo a consistência com os objetivos do projeto.
estimulação precoce; criança; reabilitação
LETÍCIA PEREZ PARDO DIAS