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O câncer é uma das principais causas de morbimortalidade global (quase 20 milhões de novos casos e 9,6 milhões de mortes anualmente, segundo a OMS1). Tal desafio reforça a necessidade de soluções tecnológicas inovadoras que melhorem a jornada do paciente oncológico e atenda aos princípios do SUS, destacando-se o princípio da integralidade da assistência, definida na lei nº8080/1990, que se relaciona diretamente com a atividade de navegação oncológica, tema principal deste projeto. Desde 2015, o HM Vila Santa Catarina atua como referencia oncológica, recebendo entre 210 e 300 novos pacientes por mês. Diante disso, o HMVSC implementou, em 2018, o setor de Navegação Oncológica, liderado por enfermeiros, que buscam aprimorar a jornada do paciente, eliminando barreiras, elevando a qualidade e satisfação do paciente e otimizando desfechos clínicos 2,3,4. A tarefa de navegação visa ainda cumprir o prazo de 60 dias para início do tratamento, estabelecido na Lei nº12372/2012. Dados do INCA de 2023 indicam que a taxa de início de tratamento em menos de 60 dias no SUS ocorre em menos de 50% dos casos 5,6. Diante disto, o projeto destaca a relevância do monitoramento do tempo de início do tratamento e da taxa de pacientes que iniciam seus tratamentos em menos de 60 dias através de uma estratégia que se adeque ao SUS e suas particularidades. Destacamos que a ausência de uma ferramenta digital no Brasil, foi um dos motivos que nos levou a desenvolvê-la do zero.
A plataforma/software desenvolvido neste projeto objetiva: • Monitorar o tempo desde o diagnóstico até o início do tratamento oncológico, garantindo que os pacientes com câncer comecem o tratamento em até 60 dias após a admissão. • Apoiar o tratamento oncológico no SUS, assegurando alta confiabilidade ao minimizar acidentes graves e falhas em um contexto de alto risco. • Coletar e armazenar dados de alta qualidade para agilizar decisões por profissionais e gestores. A partir desses dados, otimiza-se o trabalho dos enfermeiros navegadores, automatizando tarefas e permitindo mais tempo para cuidado direto ao paciente. Esses objetivos buscam melhorar a eficiência e a segurança do tratamento oncológico, além de fortalecer a capacidade de resposta rápida do sistema de saúde.
O projeto reuniu painel diversificado de especialistas (enfermeiros oncológicos, gestores, oncologistas e profissionais de TI e de proteção de dados). Através de workshops e entrevistas, a equipe mapeou as etapas críticas da jornada, identificando áreas para monitoramento e intervenção. Um modelo de dados foi desenvolvido, capturando informações essenciais como dados demográficos, histórico médico, diagnósticos, e desfechos. Este modelo visa fornecer aos profissionais envolvidos ferramentas para decisões rápidas e precisas, atendendo aos requisitos da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). O desenvolvimento seguiu duas fases principais: a primeira, realizada em 2023, focou na implementação do modelo de dados em um aplicativo com tecnologias Python/Django para o back-end e HTML, CSS, JavaScript para o front-end. A plataforma oferece registro automático de pacientes, geração de alertas, e relatórios instantâneos para suporte à decisão. Após testes e ajustes, incluindo melhorias na interface baseadas no feedback dos usuários, a segunda fase, prevista para 2024, expandirá o aplicativo para incluir módulos de desfechos clínicos e automações, visando uma gestão ainda mais eficiente do tratamento oncológico. O treinamento dos enfermeiros, realizado em maio de 2023, assegurou o uso eficaz do aplicativo, com foco na padronização da coleta dos dados no software de navegação que dá substrato aos indicadores de desempenho assistencial, disponíveis em tempo real após implementação
A implementação de um sistema automatizado para cadastrar e monitorar o tempo entre a admissão e o início do tratamento transformou a gestão dos pacientes oncológicos, permitiu a análise precisa dos prazos, identificando e eliminando obstáculos que atrasam as propostas diagnósticas e terapêuticas. Potencializou-se o trabalho dos enfermeiros navegadores, constando que tarefas repetitivas (consultas manuais e gestão de exames) podem ser automatizadas, liberando até 50% do tempo total de trabalho e concluindo a primeira fase de desenvolvimento com sucesso, permitindo uma dedicação maior ao cuidado direto dos pacientes, melhorando a qualidade do tratamento oncológico, sob a perspectiva do paciente e dos desfechos clínicos. Tal eficiência fortalece a equidade no atendimento e permite identificar pacientes com barreiras específicas para um suporte focado, aprimorando ainda a qualidade dos dados e a agilidade na tomada de decisão. O novo sistema proporcionou um repositório unificado de dados, com regras claras de captura e uma rastreabilidade completa, garantindo a integridade das informações e permitindo respostas rápidas a qualquer potencial erro ou omissão.
O desenvolvimento do software permitiu geração e consumo de dados de alta qualidade, análises profundas dos processos e seus gargalos, aplicação de soluções automatizadas de alta confiabilidade nos processos de trabalho dos enfermeiros navegadores com ganho de eficiência para o início de tratamento dos pacientes. Em 2023 concluímos com sucesso a primeira fase, em que o treinamento dos colaboradores, a coleta de dados, a análise dos processos e a identificação de oportunidades de melhoria. Em 2024 iniciaremos a segunda fase, a ser concluída até o final do ano com automações de tarefas, mensuração dos ganhos, desfechos e possíveis impactos positivos da plataforma na jornada do paciente. Este projeto demonstra como a tecnologia potencializa a face humana do cuidado e otimiza a ação dos profissionais de saúde para que utilizem suas melhores habilidades em tarefas alinhadas com os propósitos da saúde pública. Por se tratar de um desenvolvimento executado no SUS e com visão sistêmica dos desafios, a plataforma poderia ser implementada em outros hospitais com custos extremamente reduzidos. Estes fatos nos motivam a seguirmos em busca da excelência no cuidado ao usuário do SUS.
DESENVOLVIMENTO, SOFTWARE
PRISCILA TRIBST MIRANDA ARDANAZ, Luis Felipe Batista Hiar, Thalide Camile Milanez, Andressa de Souza Lima Reis, Glaucia de Souza Lopes