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A presente experiência justifica-se como estratégia de cuidado em saúde mental, com a promoção da convivência comunitária e fortalecimento territorial proporcionado aos usuários dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) do município de Santo André, através de atividades esportivas integradas. A iniciativa fundamenta-se nos princípios da Reforma Psiquiátrica e do Movimento Antimanicomial, na defesa do cuidado em liberdade como eixo estruturante das práticas em saúde mental. A implementação de atividades coletivas em espaços públicos favorece a ampliação do protagonismo da população, da contratualidade social e da circulação territorial, contribuindo para a redução do estigma, o reconhecimento das singularidades e a valorização dos sujeitos em seus contextos de vida. O evento organizou-se como dispositivo de cultura, esporte e lazer, promovendo habilidades socioemocionais por meio de atividades coletivas, jogos e intervenções artísticas. A iniciativa no SESC Santo André justifica-se por sua capacidade de propiciar convivências, cuja proposta e estrutura são alinhadas às diretrizes da saúde mental, local amplo e acessível. Dessa forma, configura-se como ação capaz de promover a inclusão, fortalecer vínculos e estimular práticas corporais para o bem-estar, a participação social e a construção de novos modos de pertencimento.
O objetivo central do encontro é consolidar o dispositivo interinstitucional de promoção do cuidado territorial, articulando os CAPS do município na construção de práticas coletivas orientadas pela reabilitação psicossocial. O evento no Sesc Santo André favoreceu o fortalecimento entre os serviços de saúde mental e ampliaram experiências de convivência e participação comunitária. Buscou promover maior autonomia aos participantes, favorecendo o desenvolvimento de competências vinculadas à cooperação, à organização grupal, à resolução de desafios e à convivência positiva em atividades esportivas e lúdicas. Objetivou, ainda, ampliar o acesso dos usuários a equipamentos culturais e esportivos da cidade, estimulando a interação entre equipes, territórios e redes. Ademais, teve a finalidade potencializar ações integradas entre setores parceiros, contribuindo para a criação de ambientes inclusivos e para o fortalecimento da presença no território, possibilitando aos usuários viver à cidade.
A metodologia organizou-se em etapas integradas entre os CAPS e o SESC Santo André, com apresentação inicial do projeto para posterior planejamento técnico e manejo adequado dos grupos. Inicialmente, foram realizadas reuniões intersetoriais mensais, visitas técnicas, para definição das atividades, análise de riscos, pactuação do cronograma, distribuição de responsabilidades e organização do transporte. Cada equipe, a partir de PTS dos usuários, considerando necessidades, condições clínicas e objetivos psicossociais. As ações foram estruturadas em módulos de jogos esportivos, espaços de convivência e intervenções artísticas. Cada módulo contou com profissionais responsáveis pela condução das práticas, mediação das interações, observação clínica, incentivo à autonomia e manejo de possíveis situações de crise. A organização espacial considerou acessibilidade, segurança e fluidez na circulação dos participantes. O evento realizou acolhimento inicial, orientações gerais e encaminhamento dos grupos às atividades e as refeições foram realizadas no local do restaurante do SESC. Durante toda a programação, as equipes multiprofissionais permaneceram em suporte contínuo, garantindo acompanhamento individualizado quando necessário. A avaliação foi realizada por meio de registros sistematizados, observação direta e indicadores de participação, permitindo analisar impactos na convivência comunitária, na circulação territorial e no processo de reabilitação psicossocial.
Os resultados incluem o fortalecimento de indicadores de reabilitação psicossocial, a ampliação da circulação territorial e o incremento da contratualidade social dos usuários acompanhados pela RAPS. A participação estruturada em jogos esportivos, intervenções artísticas e sociabilidade promoveu sentidos socioemocionais, tais como cooperação, autorregulação e tomada de decisão em contextos coletivos. Espera-se também maior qualificação das relações terapêuticas, com impacto direto na fortalecimento e continuidade dos Projetos Terapêuticos Singulares (PTS). No âmbito interinstitucional, projeta-se o fortalecimento dos vínculos entre os CAPS, consolidando práticas colaborativas e aprimorando processos de matriciamento e gestão compartilhada do cuidado. A inserção programada dos usuários em equipamento cultural de grande porte, como o SESC, favorece o aumento do sentimento de pertencimento ao território e a redução de barreiras relacionadas ao estigma e à segregação social. A análise dos resultados foi realizada com base em registros sistematizados, fichas de participação, observação clínica dirigida e relatos qualitativos, contando com aproximadamente 300 pessoas. Tais indicadores permitiram identificar impactos na autonomia, nas interações sociais e na capacidade de uso ampliado dos equipamentos públicos, subsidiando futuras ações. Um dos exemplos observáveis são os usuários que começaram a frequentar de forma autônoma o SESC, usufruindo de forma independente do equipamento.
As ações propostas reafirmam a centralidade do cuidado em liberdade e da reabilitação psicossocial como eixos estruturantes da atenção em saúde mental. A realização do evento em local potente de cultura e de ampla circulação, como o SESC, evidencia a importância da inserção territorial dos usuários e da ampliação do acesso a espaços públicos de convivência, fortalecendo vínculos, protagonismos e contratualidade social. A articulação entre os CAPS e entre as equipes demonstra a potência do trabalho intersetorial na qualificação das práticas e na consolidação de redes de apoio formais e informais. O conjunto das atividades desenvolvidas tende a produzir efeitos significativos na circulação social, no protagonismo e na participação dos usuários, contribuindo para a redução de estigmas e para o reconhecimento de seus direitos como cidadãos. Os resultados esperados, analisados a partir de indicadores clínicos, sociais e territoriais, poderão subsidiar a continuidade de ações InterCAPS e a ampliação de estratégias coletivas no município, fortalecendo a política de atenção psicossocial e seus dispositivos.
Cuidado em Liberdade, Esporte,Territorialidade
BEATRIZ LUZIA DE CAMPOS MANOCCHI, DAVI LOPES DO NASCIMENTO, LEONARDO DIEGO CORRÊA CALIXTO, LUAN FERREIRA RODRIGUES, FRANCIELE CANDIDA DA SILVA, MARCOS VINICIUS CORDEIRO DA SILVA, PATRÍCIA ROMANO TOMÉ, PAULO ROGÉRIO MISSIAS