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O município de Novo horizonte, com 38.324 habitantes e rede composta por 5 ubs (12 esf), 2 e-multi e caps (modalidade 1), desde junho de 2020, desenvolve ações de matriciamento em saúde mental, junto as equipes da aps. Desde sua implantação, alguns avanços foram observados, como qualificação do cuidado e ampliação da oferta das ações de saúde mental na aps. Todavia, fragilidades também foram identificadas, como a baixa efetividade na gestão do cuidado das pessoas com transtornos mentais, sobretudo, dos casos compartilhados em reuniões de matriciamento entre caps e aps. Uma das causas, estaria diretamente relacionada a inexistência de qualquer sistema de informação disponibilizado pelo ministério da saúde que permita o registro do matriciamento em saúde mental (solicitação, agendamento, registro da reunião, pactuações/intervenções, pts, entre outros) e que disponibilize relatórios, visando análise qualitativa dos dados e gestão do cuidado. Atualmente o município possui o registro de 6.176 pessoas com transtornos mentais/sofrimento psíquico, incluindo álcool e outras drogas, correspondendo a 16% da população. Somente no período de junho de 2020 a julho de 2024, foram realizadas 423 reuniões de matriciamento e 1.269 casos discutidos, todos registrados em livros atas e/ou impressos elaborados pelos profissionais, dificultando a coordenação do cuidado. Frente o exposto, a sms teve a iniciativa de criar e implantar software para gestão do matriciamento e cuidado em saúde mental.
Desenvolver, implantar e avaliar um sistema de informação para registro e gestão do matriciamento, segundo a percepção de profissionais da APS e Centro de Atenção Psicossocial (CAPS).
O trabalho foi desenvolvido em oito etapas: 1) reunião para alinhamento do conceito Matricial; 2) aplicação de questionário para avaliar o sistema atual; 3) elaboração de conteúdo e formulários para o software; 4) desenvolvimento do protótipo; 5) apresentação e implementação de melhorias; 6) treinamento dos profissionais; 7) implantação do software; 8) avaliação do protótipo. A coleta de dados foi realizada por questionários aplicados aos profissionais da equipe de Estratégia de Saúde da Familia (ESF), equipe eMulti e profissionais do CAPS I no município de Novo Horizonte-SP.
Participaram 21 profissionais (assistentes sociais, educador físico, psicólogos, fisioterapeuta, nutricionistas, enfermeiros, fonoaudiólogo e médicos), atuantes em equipes eMulti (29%), CAPS I (33%) e ESF (38%). A maioria dos profissionais tinham mais de 25 meses de experiência (53%) e 57% atuavam na equipe há 7 meses ou mais. Na avaliação do sistema de informação SIGMA, 90% dos profissionais concordaram que o sistema é consistente e atende às necessidades de registro do matriciamento, melhorando a gestão e coordenação do cuidado (19% no sistema anterior). Quanto à eficiência, 79% dos profissionais mostraram satisfeitos com o SIGMA, enquanto apenas 19% tinham a mesma opinião sobre o sistema anterior. A utilidade também foi amplamente reconhecida, com 81% dos profissionais, considerando o SIGMA fácil de usar e compreender (9% no sistema anterior). No quesito controle, 76% afirmaram que o SIGMA permite fácil utilização e execução de tarefas, resultado semelhante ao item à aprendizagem, onde 76% reconheceram o SIGMA de fácil aprendizado. Por fim, na avaliação geral (escala de 0 a 10), enquanto o sistema anterior obteve média 5,3, o sistema SIGMA atingiu média 8,0. As principais fragilidades apontadas foram relacionadas à dependência da internet. Entretanto, o sistema se destacou por centralizar informações, facilitar o acesso e melhorar a comunicação entre as equipes, favorecendo a continuidade do cuidado e o acompanhamento dos casos.
O caps foi criado pelo ministério da saúde a partir da publicação da portaria nº 336, de 19/02/2002. Após 22 anos de existência do caps, o serviço ainda não dispõe de sistema de informação próprio com todas as características e especificidades que qualquer especialidade necessita para ofertar um cuidado de qualidade aos usuários do serviço. Nesse contexto, torna-se indispensável incluir a pauta da saúde mental como prioridade na agenda da estratégia de saúde digital do ministério da saúde e que novas ações possam ser implementadas visando a integração dos pontos de atenção da rede de atenção psicossocial e a continuidade do cuidado, impactando diretamente na qualidade de vida das pessoas com transtornos mentais, dos seus familiares e da sociedade, tal como podemos observar na experiência em questão. Por fim, vale destacar, que o uso das tecnologias de informação e comunicação, alinhado ao processo de trabalho e registro adequado das informações, obtém-se a melhoria na governança, o que reflete em aumento da eficácia, eficiência, efetividade, produtividade e menor dependência dos indivíduos, aumentando a retenção do conhecimento na organização.
MATRICIAMENTO, SAÚDE MENTAL, ATENÇÃO PRIMÁRIA.
TIAGO APARECIDO DA SILVA, JANAÍNA MARTINS LOPES, AMARÍLIS BIASI DE TOLEDO PIZA, MARIELLE APARECIDA DAMACENA, CAMILLY VICTÓRIA DA SILVA