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A hanseníase está associada a condições econômicas, sociais e ambientais desfavoráveis. No Brasil, considerada um importante problema de saúde pública, envolvendo questões relacionadas ao estigma, discriminação e exclusão social associadas à doença(1-2). A principal fonte de infecção são indivíduos não tratados e com alta carga bacilar que eliminam o M. leprae pelas vias aéreas superiores(3). Os indicadores mais relevantes são o número de casos novos que indica a taxa de detecção, e o grau de incapacidade, indicando precocidade do diagnóstico. Estratégia para atingir baixos níveis endêmicos depende da adoção de medidas de prevenção e controle. A Atenção Primária à Saúde (APS) possui papel fundamental no controle da hanseníase, a fim de detectar a doença e reduzir o estigma(4). Como ferramenta de apoio no diagnóstico precoce de casos novos existe o Questionário de Suspeição de Hanseníase (QSH), formado por 14 questões com sinais e sintomas relacionados à hanseníase, além da indagação sobre história familiar da doença. De 2013 a 2023, foram diagnosticados em Sorocaba 591 casos de acordo com o SINAN, sendo que nos anos de 2022 e 2023, a proporção de casos novos com grau 2 de incapacidade física foi de 43,2 e 35,6 respectivamente, indicando um diagnóstico tardio (6). Dessa forma, justifica-se este trabalho que vem apresentar uma estratégia de atendimento compartilhado com equipe especializada com objetivo de aprimorar o diagnóstico precoce dessa doença negligenciada.
Realizar o diagnóstico e tratamento precoce de casos novos de hanseniase; Aprimorar a qualidade dos encaminhamentos de casos novos, suspeitos de hanseníase ao serviço especializado; Capacitar agentes comunitários de saúde (ACS), a aplicar o QSH; Reduzir, a longo prazo, as incapacidades das pessoas diagnosticadas com Hanseníase.
Trata-se de um treinamento que iniciou-se em 2023, com capacitação de ACS e o atendimento compartilhado, em 2024, onde a equipe do ambulatório de hanseníase se deslocou até a UBS, realizando o atendimento dos pacientes com alta suspeita de hanseníase, juntamente com a equipe da Unidade Básica de Saúde (UBS). Foram capacitados os ACS que compareceram ao treinamento para aplicação do QSH. Tais profissionais aplicaram o questionário de janeiro a março de 2024, nos territórios de 10 UBS, sendo usado como critério, unidades que são 100% estratégia saúde da família. Após a aplicação dos questionários, foram selecionados aqueles cuja resposta, de acordo com estudo de Bernardes, obteve classificação de alta suspeita. Em cada unidade foram atendidos 8 pacientes, sendo estes atendimentos utilizados como modelos, para que a unidade realize, os demais agendamentos para avaliação dos demais indivíduos selecionados, para se determinar o possível diagnóstico ou descarte da suspeita. Ao longo desse treinamento, foram coletados os dados referentes ao número de profissionais participantes e QSH aplicados. Posteriormente foi feita a análise descritiva dos dados.
Todos os 115 ACS foram convocados, compareceram 77, que receberam treinamento composto de palestra e atividades interativas, foi demonstrado o uso do instrumento, fortalecendo o modelo de abordagem e a interpretação das questões. Aplicados 1914 QSH, de Janeiro a Março de 2024, no território de 10 UBS, que possuiam estratégia saúde de família. Conforme a metodologia do estudo de Bernardes, 246 destes (13%) foram classificados como alta suspeita de hanseníase (5). Pretende-se que sejam agendadas todos que tiveram como resultado alta suspeita, para que se determine o possível diagnóstico ou o descarte da suspeita. Até o presente momento, a equipe multidisciplinar do Ambulatório de controle da Hanseníase realizou atendimento conjunto em 5 UBS, desta forma alinhou-se entendimentos e sanou dúvidas das equipes de APS, fortalecendo-o para continuidade dos atendimentos. Nas UBS foram montadas estações de atendimento, consulta de enfermagem, realização de Avaliação Neurológica Simplificada, consulta médica e pós consulta onde foram verificados os encaminhamentos indicados. Dessa forma, já participaram desse treinamento 130 profissionais, entre ACS, médicos, enfermeiros e técnicos de Enfermagem, sendo atendidos 40 pacientes. Em paralelo aos atendimento, realizou-se a devolutiva dos questionários a equipe da UBS, momento em que foi discutido a qualidade das informações coletadas, corrigindo as não conformidades.
As equipes da APS mostraram-se motivadas e atentas aos atendimentos compartilhados. Percebeu-se, de maneira geral, a fragilidade no conhecimento específico da doença, as perguntas surgiram de maneira natural, durante o atendimento e após, o paciente foi figura ativa no processo, onde pode compreender porque estava ali e também compreendeu as falas sobre AÇÕES diagnostico, tratamento e formas de contágio. Essa é uma ação que não tem data de finalização sendo incorporada às atividades da unidade, visto que o QSH, será aplicado no território de forma anual. Algumas dificuldades foram encontradas, como o tempo disponibilizado para que o profissional da UBS participasse do treinamento, visto que alguns puderam acompanhar somente dois atendimentos. Devido a complexidade do tema, seria necessário maior tempo de acompanhamento por parte dos profissionais, e diante disso, foi disponibilizado o ambulatório do Programa Municipal de controle de hanseníase para a troca de informações sobre os atendimentos para os profissionais. Outro contratempo foi que alguns pacientes já não possuíam as queixas referentes às respostas dadas no período de coleta, devido ao intervalo e entre a aplicação do questionário e a avaliação.
hanseníase, atenção básica, DIAGNÓSTICO
FERNANDA BOÉCIO RAMOS BARDUCO, CONCEIÇÃO APARECIDA DE MOURA DIAS VIEIRA, MARIA BEATRIZ COELHO GOZZANO, MARIA JOSÉ BARISSON, NAIANE MAIRA BRITO DE MELO, NATÁLIA THEODORO CERQUEIRA, SARAH CAMILA ALMEIDA D. TROIANO, TELMA APARECIDA TOME