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Observávamos um grande número de pacientes sendo triados como branco na classificação de risco do Hospital Municipal Dr. Fernando Mauro Pires da Rocha, localizado na zona sul de São Paulo. Em analise dos dados de 2021 identificamos que dos 33894 pacientes que foram triados pela classificação de risco, 6650(19,5%) foram classificados como branco, número considerado elevado por tratar-se de um serviço de urgência e emergência. Esse era um dos fatores que nos acarretava em aumento do volume de atendimentos com sobrecarga de trabalho da equipe, menos tempo da equipe dedicado aos atendimentos de urgência e urgência, superlotação e aglomeração de pessoas no pronto atendimento e grande número de ouvidorias por demora no atendimento.
Nosso objetivo era ter no máximo 5% pacientes sendo triados como branco. O que nos traria os seguintes benefícios: diminuição do tempo de espera para atendimento, diminuição de entrada de pacientes de complexidade inadequada, diminuição de circulação de pessoas no pronto socorro, melhora nos atendimentos de média e alta complexidade, diminuição do número de ouvidorias, diminuição da sobrecarga de trabalho dos funcionários e diminuição da aglomeração de pessoas no pronto atendimento.
No contexto do Projeto de Excelência Operacional que ocorreu em hospitais vinculados a Secretária Municipal de Saúde da Prefeitura Municipal de Saúde, foram elencadas aéreas prioritárias para projetos de excelência operacional, e um dos temas escolhidos foi o objeto desse trabalho. Foi utilizado um programa Seis Sigma utilizando a metodologia DMAIC que é um método estruturado para solução de problemas, sendo esta sigla em inglês originada das letras iniciais de: Define (definir), Measure (medir), Analyse (analisar), Improve (melhorar) e Control (controlar).
Ao longo de 5 meses realizamos a implementação do projeto seguindo as etapas da metodologia DMAIC. Na fase da definição elencamos as principais causas do nosso problema que foram: consultas de retorno no pronto socorro, administração de medicação ambulatorial, internações no pronto socorro para cirurgias eletivas, encaminhamento do ambulatório sem urgência, troca de documentos e internações para exames ambulatórias no pronto socorro. Após definirmos a causa raiz de cada um destes problemas montamos um plano de ação direcionado para eles. As ações foram bem diversas e envolviam mudanças de fluxos e elaboração de novos protocolos, treinamentos e implementação de auditoria. Já no primeiro mês após a implantação das ações tivemos um resultado muito satisfatório, reduzimos nossa porcentagem de fichas brancas para 8,91% em julho de 2022. Em agosto, auge da entrega do projeto, conseguimos superar nossa meta, a porcentagem de fichas brancas foi de 3,78%!!!! Ainda hoje seguimos com controle rigoroso dos indicadores do projeto, que se mantém dentro da meta estabelecida
A vivência da realização desse projeto teve ganhos significativos para a instituição, que teve um problema crônico resolvido. Fora os ganhos pessoais para os profissionais envolvidos, que puderam aprender a utilização de diversas ferramentas de gestão que estão sendo utilizadas em outros projetos e atividades. Entre os pontos fortes do projetos está o grande apoio da diretoria clinica e técnica, fator crucial para os nossos resultados, além da diminuição de circulação de pessoas no pronto socorro e organização do fluxo de entrada sob a perspectiva da hierarquização. Após um ano e meio do projeto seguimos com acompanhamento rigoroso dos indicadores, que se mantém dentro da meta estabelecida. Esse fato nos traz muita alegria e nos motivou a expandir a metodologia para realização de outros projetos.
URGÊNCIA E EMERGÊNCIA, classificação de risco
Lucas Alves de Andrade