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O carnaval é considerado uma das maiores festas populares do mundo e, como em todo contexto de celebração popular, as substâncias psicoativas e a convivência com a diversidade ocupam um papel importante no prazer, divertimento e integração dos foliões. Mas e se esta manifestação de alegria tão especial para os brasileiros, pudesse ser, também, uma forma de cuidado e inclusão às pessoas com questões de saúde mental? A partir deste questionamento, e da observação do território da cidade de Jundiaí (SP) nos períodos de festas, foi criado o bloco “Todos na folia”, construído de forma coletiva a partir de encontros entre os trabalhadores e usuários dos serviços da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) da cidade. Neste contexto, o CAPS AD III Maluco Beleza já realizava ensaios com usuários e trabalhadores, juntamente com a bateria da escola de samba Império da Maringá. Então, foi construída a proposta de unificar o evento de carnaval, ampliando a participação dos usuários e trabalhadores dos CAPS IJ “É liberdade”, CAPS II Bem Viver, CAPS AD III Maluco Beleza, CAPS III Sem Fronteiras, Unidades de Acolhimento Adulto e Infantil.
Construir um bloco de Carnaval unificado, coletivo e participativo entre os serviços da RAPS de Jundiaí, que pudesse fomentar um espaço festivo de inclusão social e cultural, e interação entre usuários e trabalhadores das diferentes unidades de saúde; Fortalecer o protagonismo dos usuários no processo de idealização, preparação e execução das etapas do evento; Ocupar o espaço público, interagir com a comunidade e dar visibilidade para o cuidado em liberdade desenvolvido nas unidades da RAPS.
Entre os meses de janeiro e fevereiro de 2024, foram realizadas reuniões online entre representantes dos serviços para construção da proposta e tomadas de decisões compartilhadas entre usuários e trabalhadores. Os representantes tiveram como principais funções fomentar o clima de folia dentro das unidades, organizar as oficinas temáticas, levar questões a serem discutidas nas assembleias em relação, por exemplo, à escolha do nome do bloco, e articular junto às coordenações, formas de viabilizar a festa, como a disponibilização de água e lanches, transporte e autorização da Prefeitura. Em um centro cultural localizado num bairro central da cidade, ocorreram oficinas para a produção de fantasias, adereços e ensaio da bateria. Também ocorreram oficinas temáticas nas unidades de saúde participantes, sendo o convite estendido aos demais equipamentos da RAPS. Tal processo visou construir a festividade de modo coletivo e participativo. No dia do bloco, a concentração das baterias e foliões aconteceu no CAPS II, com o desfile “pelas ruas da cidade”, até o Complexo Educacional, Cultural e Esportivo “Dr. Nicolino de Lucca”, localizado em uma região central da cidade, onde todos experimentaram dançar, cantar, expressar-se e interagir com a comunidade.
Ao longo do processo, foi possível a criação de um espaço diverso de acolhimento, à expressão artística, convivência e corresponsabilidade coletiva, sendo fortalecidas relações de amizade, pertencimento social, cultural, além da criação de um novo sentido à festa e à formas mais saudáveis de experienciá-la. O bloco contou com a presença de usuários, trabalhadores e famílias dos CAPS, Unidades de Acolhimento, Unidades Básicas de Saúde, Ambulatório de Moléstias Infecciosas e outras pessoas da comunidade. O evento ao todo teve duração de 3 horas, entre a concentração e sua finalização. Além disso, foi estruturada uma tenda para ações de redução de danos no Complexo Educacional, Cultural e Esportivo. A repercussão do bloco chegou à imprensa, tornando-se matéria em jornal da região.
No sentido de promoção à saúde, o bloco se torna um local de práticas expressivas e comunicativas, um espaço para a socialização, integração, manifestação artística e cultural, fortalecendo o sentido de comunidade. Sentimos no som do repique, do pandeiro e do tamborim que a redução de danos tem lugar no Carnaval, que é possível construir formas criativas de visibilidade e interlocução com a comunidade sobre saúde mental, sendo possível desmistificar estigmas e construir espaços em que populações historicamente marginalizadas e segregadas possam ter acesso e direito à arte e à cultura.
Redução de Danos, Arte e Cultura, Inclusão
ANA CLÁUDIA RAMOS FIDÊNCIO, ANA LUIZA GREEN SOUZA, DAIANE ERIKA AMARAL DA SILVA,, FERNANDA DE JESUS LIGEIRO BRAGA, MARIA CLARA MIRRA MEIRELLES, MICHELE GOMES DA PAIXÃO SANTANA