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Este trabalho apresenta a análise de indicadores de cuidado nos SRT do Distrito Administrativo Casa Verde, desenvolvida desde 2024, sob a perspectiva da Reforma Psiquiátrica e da Reabilitação Psicossocial. Os dados foram extraídos do SIGA, prontuários, atas de assembleias e registros técnicos, contemplando aspectos clínicos, sociais e territoriais. Os resultados evidenciam taxa de ocupação, acompanhamento integral pelo CAPS, ampliação de vínculos familiares, acesso a benefícios sociais, fortalecimento da contratualidade social, circulação territorial e avanços clínicos relevantes e ausência de internações psiquiátricas. A articulação entre SRT, Atenção Básica e Rede Especializada mostrou-se fundamental para o cuidado integral e longitudinal. Conclui-se que a produção e análise de indicadores qualificam a gestão, fortalecem os PTS e reafirmam os SRT como eixo estratégico de cuidado em liberdade.
Apresentar indicadores de cuidado nos Serviços Residenciais Terapêuticos (SRT) do Distrito Administrativo Casa Verde, sob a perspectiva da Reabilitação Psicossocial. Identificar avanços e desafios, com a perspectiva de contribuir para a qualificação das práticas e processos nos SRT, aspirando a consolidação da política de saúde mental pautada nos princípios da Reforma Psiquiátrica e da Reabilitação Psicossocial.
Os dados apresentados foram extraídos do Sistema Integrado de Gestão de Assistência à Saúde (SIGA), de prontuários, atas de assembleias e anotações técnicas dos moradores. As informações coletadas, sob a perspectiva da Atenção Psicossocial, contemplaram o mapeamento do acesso a documentos pessoais e benefícios sociais; a escala de acompanhamento na Unidade Básica de Saúde e na Rede Especializada; o acompanhamento dos moradores no CAPS; a reconstrução e o fortalecimento de vínculos familiares; a circulação em redes vivas do território; o acesso a benefícios sociais com conta bancária ativa; a taxa de moradores em acompanhamento clínico; o acompanhamento em especialidades; as remoções clínicas; o uso da Rede de Urgência e Emergência; e a redução de medicação clínica e psiquiátrica. Os dados consolidados foram tabulados em planilha eletrônica (Excel), elaborada por uma das supervisoras das unidades e alimentados pelos supervisores dos SRT. A análise fundamentou-se em eixos relacionados à autonomia, vínculo, inclusão social, trabalho interdisciplinar, gestão compartilhada do cuidado e práticas territoriais que promovem o protagonismo dos moradores.
Desde 2024, a taxa de ocupação dos SRT variou entre 97% e 100%, com 100% dos moradores acompanhados pelo CAPS II Adulto Casa Verde. No período, 62% dos moradores retomaram e/ou fortaleceram vínculos familiares, 66% mantiveram acesso a benefícios sociais e 90% puderam formalizar conta bancária ativa. Observou-se ampliação da contratualidade social, fortalecimento de vínculos e maior circulação de recursos financeiros, elementos fundamentais para o protagonismo e a autonomia. Houve ainda ampliação da circulação territorial, com inserção dos moradores em diferentes espaços de convivência, como parques, shoppings, restaurantes, eventos sociais, clubes e equipamentos culturais e artísticos. No âmbito clínico, todos os moradores foram atendidos pela Unidade Básica de Saúde de referência, 53% receberam acompanhamento em especialidades e registraram-se apenas duas internações por causas clínicas, apesar da complexidade dos quadros de saúde. Destaca-se a ausência de internações psiquiátricas ou de acolhimento integral em situações de crise. Ademais, 26% dos moradores apresentaram redução de medicação clínica e psiquiátrica, evidenciando não apenas melhora clínica, mas também o impacto positivo de uma abordagem pautada na equidade e no acompanhamento singularizado. A articulação entre Atenção Básica e SRT demonstra-se potente para garantir cuidado integral e longitudinal, com ênfase na prevenção, promoção e reabilitação da saúde física e mental dessa população.
A coleta e análise de dados sobre as SRT evidenciam a importância dos indicadores como norteadores da gestão na construção dos Projetos Terapêuticos dos moradores, na análise dos processos de trabalho e da efetivação das Políticas Públicas em Saúde Mental. Constata-se significativo investimento realizado tanto no cuidado coletivo quanto individual, refletindo diretamente nas estratégias de qualificação das equipes envolvidas. Para os moradores, permitem identificar necessidades específicas, favorecendo ações que promovam autonomia, protagonismo, contratualidades, inclusão social ou hospitalizações desnecessárias. Para os gestores, oferecem subsídios para planejar intervenções mais eficazes, localizar lacunas e desafios, assim como potencialidades e processos profícuos na atenção psicossocial. No âmbito das políticas públicas, esses dados possibilitam avaliar a potência dos SRT, enquanto eixo de desinstitucionalização, moradia e cuidado em liberdade. Por fim, para a sociedade, a produção de conhecimento contribui para a literatura, a redução do estigma em torno do sofrimento psíquico e fortalecimento da Reforma Psiquiátrica e da Atenção Psicossocial.
Atenção psicossocial, Vulnerabilidade Social
CAMILA MAIA FREIRE, CAROLINA VIANA TOSETTO, ROMÁRIO DA SILVA FERREIRA, FÁBIO KENDY VELASQUEZ