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O debate sobre o envelhecimento digno no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) costuma enfatizar as ações assistenciais diretas realizadas por profissionais da saúde. No entanto, a garantia de uma longevidade com dignidade, segurança e equidade também depende de trabalhadores que atuam de forma indireta, mas essencial, na Rede de Atenção à Saúde. Entre eles, destacam-se os profissionais da manutenção, historicamente invisibilizados, porém fundamentais para o funcionamento adequado dos serviços de saúde. Este relato descreve a experiência do município de Assis/SP ao reconhecer, integrar e valorizar o papel desses trabalhadores na promoção de um envelhecimento digno no SUS. Em Assis, a rede municipal de saúde é composta por Unidades Básicas de Saúde, serviços especializados, unidades de apoio diagnóstico e setores administrativos que atendem, em grande parte, uma população idosa crescente. Observava-se que, embora os serviços dependessem diretamente de estruturas físicas seguras, acessíveis e funcionais, o trabalho das equipes de manutenção permanecia pouco reconhecido, mesmo sendo determinante para a segurança dos usuários, especialmente das pessoas idosas, mais vulneráveis a riscos ambientais. Problemas estruturais como pisos danificados, iluminação inadequada, falhas elétricas, sanitários sem adaptação e equipamentos inoperantes impactavam diretamente o acesso, a permanência e a segurança do idoso nos serviços de saúde.
Relatar a experiência do município de Assis/SP na valorização e integração dos trabalhadores do sistema prisional e da manutenção como atores fundamentais da Rede de Atenção à Saúde, evidenciando sua contribuição indireta, porém estratégica, para a promoção de um envelhecimento digno, seguro e equitativo no SUS. Busca-se demonstrar como a inclusão desses profissionais na lógica do cuidado fortalece a integralidade da atenção, qualifica os ambientes de saúde, amplia a acessibilidade e reduz riscos ambientais, especialmente para a população idosa.
Trata-se de um relato de experiência desenvolvido a partir da prática de gestão da Secretaria Municipal da Saúde de Assis/SP. A partir do ano de 2022, o município passou a integrar de forma mais sistemática os profissionais da manutenção à lógica do cuidado em saúde, reconhecendo-os como parte da Rede de Atenção à Saúde. Além da equipe própria de manutenção, iniciou-se uma parceria com os trabalhadores da manutenção do presídio local, envolvendo reeducandos que passaram a atuar de forma conjunta com a equipe municipal. Essa estratégia contribuiu tanto para a qualificação dos espaços de saúde quanto para o processo de ressocialização, promovendo inclusão social e trabalho com finalidade pública. As ações envolveram a atuação contínua das equipes de manutenção em todas as unidades de saúde do município, a realização de adequações estruturais voltadas à segurança e acessibilidade da pessoa idosa — como instalação de corrimãos, rampas, melhoria de pisos e iluminação, adaptação de sanitários —, além da manutenção preventiva de equipamentos e ambientes. Houve também resposta ágil às demandas estruturais apontadas pelas equipes assistenciais e reconhecimento institucional do papel desses trabalhadores no cuidado indireto à saúde. A análise da experiência ocorreu de forma qualitativa, a partir da observação das melhorias estruturais, da segurança dos usuários idosos e do fortalecimento do vínculo e do sentimento de pertencimento dos trabalhadores envolvidos.
A experiência resultou na melhoria significativa das condições físicas das unidades de saúde, tornando-as mais seguras, acessíveis e adequadas para o atendimento da população idosa. Observou-se redução de riscos de quedas e acidentes, maior conforto e autonomia para os usuários e qualificação do ambiente de cuidado. A atuação conjunta das equipes de manutenção do município e dos reeducandos do presídio foi fundamental para preparar as unidades de saúde para ofertar uma atenção de qualidade à população idosa. Além disso, houve fortalecimento do sentimento de valorização e pertencimento dos trabalhadores da manutenção, que passaram a se reconhecer como parte essencial do SUS.
A experiência do município de Assis evidencia que os trabalhadores da manutenção desempenham papel fundamental na construção de um cuidado em saúde voltado ao envelhecimento saudável, seguro e digno no âmbito do SUS. Ao garantirem ambientes físicos adequados e acessíveis, esses profissionais contribuíram diretamente para a redução de riscos, para a promoção da autonomia da pessoa idosa e para a qualificação do cuidado ofertado nos serviços de saúde. A atuação integrada das equipes de manutenção do município e dos trabalhadores prisionais, a partir de 2022, possibilitou a requalificação das unidades de saúde, tornando-as aptas a ofertar um cuidado mais humanizado a pessoa idosa. Ao longo desse processo, a convivência e os resultados concretos do trabalho desenvolvido contribuíram para a desconstrução de preconceitos em relação aos reeducandos, que passaram a ser reconhecidos pelo compromisso, responsabilidade e relevância social de suas atividades. Reconhecer esses trabalhadores como atores do cuidado amplia a compreensão da integralidade no SUS e fortalece uma gestão comprometida com a dignidade humana, a inclusão social e a equidade.
Envelhecimento; rede de atenção a saude
LIGIA MARIA MESSIAS BELUCI TOTTI, GISELE DE MORAES, JOÃO CARLOS ALVES, ALEX LAFAIETE GODOI