Siga a gente
Av. Angélica, 2466 - 17º Andar
Consolação - São Paulo / SP
CEP 01228-200
55 11 3083-7225
cosemssp@cosemssp.org.br
Em outubro de 2022 a Divisão de Saúde Mental da Secretaria Municipal da Saúde (SMS) recebeu um questionamento por parte do jornal Folha de São Paulo, a Polícia Civil havia realizado apreensões de uma suposta nova droga, até então chamada (erroneamente) de “maconha sintética” ou K2, o jornalista procurava saber se na rede pública foram registrados atendimentos às pessoas intoxicadas. Ao levantar as informações solicitadas houve o consenso que o problema era mais complexo do que as expectativas iniciais previam. Relatos encaminhados pelas equipes dos CAPS-AD e CAPSij destacaram a recorrência do uso nocivo das drogas K, especialmente entre adolescentes e o público jovem. Também compartilharam iniciativas locais para elaboração de materiais informativos, visando a redução de danos. Outra dificuldade tão logo identificada dizia respeito à limitação no levantamento de dados epidemiológicos que permitissem avaliar de forma precisa o impacto do agravo nos diferentes territórios da cidade. Embora tais inciativas não tenham figurado esta primeira reportagem1, terminaram por desencadear um processo de investigação, pesquisa e elaboração de ferramentas para o enfrentamento de um recente, mas importante problema de saúde pública, com imprevisíveis repercussões em curto, médio e longo prazo caso não houvesse uma intervenção assertiva por parte da SMS.
A partir de uma reunião envolvendo a Coordenadoria de Vigilância em Saúde (COVISA), áreas técnicas da Coordenadoria de Atenção Básica (CAB), Coordenadoria de Atenção Hospitalar (CAH) e Escola Municipal de Saúde (EMS) foram pactuadas ações estratégicas e a formatação inicial de um plano de enfrentamento, organizado em três eixos: assistência; informação e vigilância; e comunicação. As ações abrangiam a elaboração de uma nota técnica, contendo orientações para o preenchimento da notificação de intoxicação exógena no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN ), organizar uma live para a divulgação da nota técnica e demais iniciativas complementares. Também se optou por incluir na nota um descritivo sobre o trabalho de apoio desenvolvido pelo Centro de Controle de Intoxicações (CCI), avaliar a oferta de pronto-atendimento, leitos hospitalares, fluxos de referência /contrarreferência pós alta, o alcance das ações de matriciamento dos CAPS junto à Rede de Urgência e Emergência (
O grupo técnico desenvolveu a Nota Técnica nº 04/2023 “Orientações para assistências às intoxicações por canabinoides sintéticos junto à população infantojuvenil e adulta na RAPS-MSP”2, sua segunda versão foi publicada em junho /2023. No documento constam referências sobre as características de um canabinoide, diferenças entre a substância sintética e um fitocanabinoide, sinais e sintomas, indicação de condutas, critérios para o diagnóstico clínico, manejo da abstinência, efeitos e apresentação da substância, além de fluxos de atenção e seguimento do cuidado em perspectiva longitudinal. A partir dos dados gerados no preenchimento das notificações, o Programa Municipal de Prevenção e Controle de Intoxicações (PMPCI/COVISA) estruturou o “Relatório Epidemiológico sobre os casos suspeitos de intoxicação exógena por canabinoides sintéticos”3, que é atualizado semanalmente, contendo o total de notificações, a estratificação por território e informações sobre o perfil dos usuários: faixa etária, raça/cor, sexo e escolaridade, constituindo um subsídio fundamental para compreensão do problema. Em abril de 2023 o Canal Profissional Rede Sampa – EMS realizou a live “Juventude e o desafio das drogas emergentes: ações da RAPS para uma apologia ao cuidado”4, uma discussão com base no cuidado em liberdade e redução de danos, desenvolvida e ministrada por trabalhadores de um CAPSij, na qual foi oportunamente apresentada à rede a primeira versão da Nota Técnica.
Até janeiro de 2024 a SMS recebeu ao menos 20 pedidos de diversos veículos de imprensa, em busca de mais informações sobre a incidência das drogas K e como a RAPS está organizada para acolher e promover cuidado às pessoas que sofrem por conta do consumo de canabinoides sintéticos. A Nota Técnica e o Relatório Epidemiológico, além de embasarem a construção de respostas qualificadas à sociedade, foram essenciais para a atualização das estratégias de assistência, gestão e vigilância. Ademais, em reunião realizada em maio/2023 as iniciativas foram reconhecidas como pioneiras no âmbito municipal pela Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos (SENAD) do Ministério da Justiça e Segurança Pública, que tem se empenhado e buscado parcerias no aprimoramento das tecnologias de identificação toxicológica – passo significante para a superação dos dilemas atuais. A emergência e a disseminação de uma nova substância representam um grande desafio. Todavia, com as atualizações necessárias, segue como princípio da SMS e da gestão da RAPS a lógica de cuidado centrada no usuário, por meio da construção de projetos terapêuticos que tenham a reabilitação psicossocial como o principal norteador das ações.
Até janeiro de 2024 a SMS recebeu ao menos 20 pedidos de diversos veículos de imprensa, em busca de mais informações sobre a incidência das drogas K e como a RAPS está organizada para acolher e promover cuidado às pessoas que sofrem por conta do consumo de canabinoides sintéticos. A Nota Técnica e o Relatório Epidemiológico, além de embasarem a construção de respostas qualificadas à sociedade, foram essenciais para a atualização das estratégias de assistência, gestão e vigilância. Ademais, em reunião realizada em maio/2023 as iniciativas foram reconhecidas como pioneiras no âmbito municipal pela Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos (SENAD) do Ministério da Justiça e Segurança Pública, que tem se empenhado e buscado parcerias no aprimoramento das tecnologias de identificação toxicológica – passo significante para a superação dos dilemas atuais. A emergência e a disseminação de uma nova substância representam um grande desafio. Todavia, com as atualizações necessárias, segue como princípio da SMS e da gestão da RAPS a lógica de cuidado centrada no usuário, por meio da construção de projetos terapêuticos que tenham a reabilitação psicossocial como o principal norteador das ações.
Drogas, K2, mental, maconha, sintética, RAPS
Wagner Hideki Lourenço e Laguna, Adriana Brazão Pileggi de Oliveira, Camila Braz Bortoluci, Claudia Ruggiero Longhi, Liamar de Abreu Ferreira