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Diante da epidemia de dengue em 2024, o Município de São Paulo implementou o uso de drones para monitorar e tratar criadouros de Aedes aegypti em locais de difícil acesso, como piscinas sem tratamento e imóveis abandonados. A iniciativa pioneira articula a COVISA, unidades territoriais e a iniciativa privada, utilizando aeronaves de alta resolução para identificação e drones pulverizadores para a dispersão do larvicida biológico. A metodologia envolve equipes especializadas, agentes de endemias e apoio logístico da CET nas vias de grande circulação. Desde a implementação, foram realizadas mais de 17.800 operações, com média de 300 voos semanais em toda a cidade. Os resultados demonstram que a tecnologia é segura e eficaz, otimizando o tempo das equipes e alcançando focos antes inacessíveis. A experiência reafirma a capacidade de inovação do SUS, integrando tecnologia e vigilância territorial para potencializar a resposta epidemiológica frente aos desafios das arboviroses urbanas.
Identificar criadouros de Aedes aegypti em locais de difícil acesso por meio de drones de monitoramento e realizar o tratamento dos focos identificados mediante pulverização direcionada de larvicida biológico Bacillus thuringiensis israelensis (Bti), na formulação WDG (grânulos dispersíveis em água), utilizando drones pulverizadores. Trata-se de uma iniciativa pioneira no Brasil, que tem como objetivo ampliar a cobertura territorial das ações de rotina, possibilitar o acompanhamento longitudinal de focos reincidentes e avaliar a eficácia das intervenções na eliminação de larvas, visando à supressão de criadouros e à redução da incidência de dengue e demais arboviroses no município de São Paulo.
O MSP contratou, por meio de processo licitatório, cinco conjuntos de drones, cada um composto por equipe operadora (piloto e auxiliar), uma aeronave de monitoramento com câmeras de alta resolução e uma aeronave de pulverização com quatro bicos para aplicação de calda larvicida, distribuídos entre as seis regiões do município. O cronograma semanal das operações inicia-se com o levantamento e a inserção, pelas 28 UVIS, dos endereços de imóveis elegíveis para tratamento em cronogramas on-line compartilhados. As atividades de campo iniciam-se com sobrevoo para identificação de possíveis focos larvários, realizado mediante autorização prévia de voo emitida por órgão competente da Aeronáutica. A pilotagem é realizada exclusivamente por profissionais habilitados, cabendo aos Agentes de Combate às Endemias (ACE) a avaliação técnica dos criadouros e a definição da dosagem do produto conforme protocolos operacionais. Confirmada a presença de água parada, com ou sem larvas, realiza-se a pulverização focal dirigida de larvicida. As autorizações de voo, com vigência semanal, possibilitam o retorno das equipes para avaliação da efetividade dos tratamentos. A segurança das operações em vias de grande circulação é assegurada com apoio da CET. A estratégia fundamenta-se nas normativas do Comando da Aeronáutica (MCA nº 56-5/2023 e ICA nº 100-40/2023) e da COVISA. Para o acompanhamento pelo nível central, mantém-se banco de dados regional dos voos e intervenções
Desde a implementação em 2024, foram realizadas mais de 17.800 operações de combate a focos larvários com drones, sendo em média 300 voos semanais por toda a cidade. A adoção dessa nova tecnologia permitiu o tratamento efetivo desses milhares de focos antes inacessíveis, especialmente imóveis desocupados e abandonados, caixas d’água destampadas e piscinas sem tratamento. O monitoramento aéreo gerou um acervo de imagens que subsidia o planejamento territorial das UVIS e possibilita a verificação qualitativa da efetividade do uso de drones para o controle larvário. Observou-se, ainda, a incorporação de uma nova perspectiva de atuação frente a criadouros que, até então, apresentavam limitações ou inviabilidade de intervenção pelos métodos convencionais, possibilitando novas formas de atuação da vigilância ambiental. A estratégia demonstrou ser tecnicamente viável e segura para o ambiente urbano e para saúde humana, animal e ambiental, apresentando-se como uma ferramenta de alta precisão que otimiza o tempo das equipes de campo e fortalece as ações de controle de arboviroses no município.
A experiência demonstra que a incorporação de inovações tecnológicas, quando integrada à gestão pública e ao trabalho qualificado das equipes territoriais, potencializa a eficiência, a capacidade de atuação e a resposta do SUS frente a cenários epidemiológicos complexos, como as arboviroses urbanas. O uso de Aeronaves Remotamente Pilotadas para o monitoramento e tratamento de focos larvários mostrou-se como uma ferramenta estratégica e complementar às ações tradicionais, não substituindo o trabalho dos ACE, mas qualificando-os ao ampliar o alcance, a precisão e a resolutividade das intervenções em focos larvários de difícil acesso. Destaca-se como principal lição aprendida a importância da articulação entre diferentes níveis de gestão, equipes técnicas, iniciativa privada e órgãos de apoio, bem como da adaptação contínua às novas tecnologias em saúde. Ao integrar tecnologia, território e trabalho em equipe, a experiência reafirma a capacidade do SUS municipal de inovar, adaptar-se e responder com efetividade aos desafios contemporâneos da vigilância em saúde, em que pese ser as arboviroses um dos mais desafiadores.
Vigilância em Saúde, Tecnologia em Saúde, Dengue
EDUARDO DE MASI, VERÔNICA OLIVEIRA MAGALHÃES, SABRINA MESQUITA ROCHA, ALEXANDRE MENDES BATISTA, CARINA ARAKI DE FREITAS, RENATO SINNHOFER SUGIMOTO