Siga a gente
Av. Angélica, 2466 - 17º Andar
Consolação - São Paulo / SP
CEP 01228-200
55 11 3083-7225
cosemssp@cosemssp.org.br
E agora José? A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou […] O poema de Carlos Drumond de Andrade publicado em meados de 1942, trás aspectos importantes relacionados à dinâmica da vida social cotidiana. Vivemos em uma sociedade apressada, onde as relações humanas estão cada vez mais escassas e o diálogo saudável se transformou em “curtidas” e “postagens” o poema nos faz refletir o lugar que temos nos confortado com o que nos é imposto. O processo de resiliência humana, demanda estabelecer período de autoconhecimento, reavaliação de atitudes e planos de dialética, pois, permanecemos em constante mudança. Até hoje, por mais tecnologias globais que estamos convivendo, nada foi capaz de substituir as relações humanas. Nenhum processo tecnológico substitui o cheiro da chuva no fim da tarde, o som dos pássaros e o abraço. Você já teve a curiosidade de olhar as mãos de outra pessoa? Seu formato, tamanho, linhas que a circulam, temperatura? As mesmas mãos que trabalham e lutam, são as que afagam e curam. Nessa reflexão entendemos que precisávamos cuidar das famílias de nossos usuários de álcool e drogas, mas que a didática desse grupo deveria ser bem maleável, nunca fechada em protocolos, uma vez que os familiares trazem a dor, o diálogo, as lágrimas e a partir disso é construído cada encontro, dentro dos seus encontros. O grupo de família se tornou um espaço seguro de diálogo aberto para escuta, reflexão, conforto e receptividade.
Considerando que o usuário possui vínculos importantes ao seu cuidado, o grupo de família busca propor reflexões sobre tais vínculos, além de considerar o sofrimento que envolve a relação família-usuário sem aplicar juízo de valor. Orientar as pessoas que fazem parte da dinâmica familiar, ações possíveis de manejo e redução de danos
A princípio, o grupo iniciou com encontros semanais. Porém, as famílias demandaram dificuldades em razão de afazeres, onde propuseram encontros quinzenais de cuidado. Os encontros ocorrem às quintas-feiras com duração média de 50 minutos. As famílias são recepcionadas na sala designada à grupos no CAPS AD. Ao iniciar o diálogo, a equipe propõe que as famílias relatem como tem sido os dias, anseios, frustrações e relacionamento familiar. Posterior ao diálogo inicial, a equipe propõe a atividade elaborada para o dia. A didática principal, se estabelece através de uma caixa: “a caixa surpresa”. Dentro dela, há o material a ser usado para reflexão,podendo ser uma imagem ou um texto. Através dessa proposta, o diálogo flui e as famílias começam a expor pensamentos. Já houveram, em outros momentos de encontro, atividades com relaxamento, inclusão de chás, massagem, proporcionando o vínculo entre equipe e família.
As famílias tem sido frequentes e aderido aos encontros e suas propostas. Percebe-se a clareza do cuidado com o seu familiar e como podem auxiliar no cuidado em saúde mental. Além de compreenderem a importância de cuidarem da saúde mental de si mesmas.
O grupo de família não é um momento protocolar de ações e estratégias, mas sim, um tempo de fortalecer vínculos familiares e comunitários, construindo reflexões humanas, encorajamento e cuidado, com foco na resiliência das relações sociais.
Família, CAPS AD, dinâmica familiar
JULIANA SOARES DE SÁ CAVINA, MAYARA APARECIDA SERAFIM CAMPOS, CARMEM REGINA BRANCO MONTORO MARTINS, BEATRIZ BELAVENUTI DELANTONIA