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As quedas em pessoas idosas têm sido uma das maiores causas de mortalidade e morbidade no contexto mundial. A queda pode desencadear fraturas, traumatismos, hospitalizações, institucionalizações, medo de cair, perda de capacidade funcional e óbitos. Haja visto que as consequências da queda são multifatoriais, é necessário propor diferentes intervenções, sejam personalizadas, relacionadas aos fatores de risco de cada indivíduo, ou associadas a programas de exercícios em grupo, ações educativas e adaptações ambientais. Infelizmente, apesar de alertas de experts no assunto, a queda e todas as medidas que envolvem a identificação de riscos e intervenções para evitar novos episódios, ainda são incipientes e carecem de atenção. Ações educacionais favorecem o envolvimento das pessoas idosas para discutir estratégias de prevenção, conscientização e percepção dos riscos, entender como ajudar a si mesmo e assim, proporcionar adesão aos cuidados necessários para evitar a queda.
O objetivo geral é relatar a experiência de uma de ação educativa sobre medidas preventivas para evitar quedas em pessoas caidoras, com 50 anos ou mais. São objetivos específicos: identificar o conhecimento dos participantes sobre fatores de risco intrínsecos e extrínsecos, antes e após a intervenção. Vale ressaltar que a Secretaria Municipal de Saúde de São Caetano do Sul baseia-se na política de envelhecimento ativo, preconizada pela Organização Mundial de Saúde, que prevê oportunidades de saúde, participação social, proteção/segurança e aprendizagem ao longo da vida. Deste modo, o município, por meio da Coordenadoria Municipal da Terceira Idade, oferece ações de promoção de saúde e envelhecimento ativo para pessoas a partir de 50 anos, sendo esta a faixa etária adotada para a realização da intervenção.
O projeto foi realizado com pessoas com 50 anos ou mais, residentes no município de São Caetano do Sul, que sofreram uma ou mais quedas nos 12 meses anteriores à data da coleta. O projeto foi realizado em parceria com a Coordenadoria Municipal da Terceira Idade, órgão da Secretaria de Saúde, e a universidade municipal. Os participantes foram selecionados por meio da aplicação da Avaliação Multidimensional da Pessoa Idosa, sendo convidados aqueles que sofreram uma ou mais quedas. Na intervenção, foi aplicado um questionário para identificar o número de quedas e a percepção sobre o conhecimento em prevenção de quedas. Foi então realizada uma gincana de mitos e verdades sobre a temática, seguida de discussão das respostas. Foi ministrada uma aula interativa e dialogada, com conteúdo teórico-prático sobre fatores de risco intrínsecos e extrínsecos para quedas, construído de forma colaborativa com os participantes. Em seguida, foi realizada atividade prática de exercícios desafiadores dentro da própria sala, usando circuitos de marcha, equilíbrio estático e dinâmico e força muscular de membros inferiores. Para finalizar, os participantes receberam orientações escritas de exercícios domiciliares e dicas para prevenção de quedas. Foi aplicado novo questionário para coletar a percepção dos participantes após a intervenção.
Observou-se a importância da criação de vínculo entre profissionais e pessoas idosas, no recrutamento de participantes para o projeto. Inicialmente, os participantes reconhecem que entendem um pouco sobre o assunto, mas ao longo da gincana e no decorrer da aula dialogada, percebem que podem aprender mais e começam a identificar em si mesmos, a presença de fatores de risco. A dinâmica de mitos e verdades foi uma ferramenta lúdica, que colaborou para integrar o grupo e incentivar a participação de todos. A construção coletiva do conhecimento também é interessante por valorizar experiências prévias e relatos de outros caidores, criando-se uma sensação de pertencimento, ao compartilhar medos e consequências da queda, notando-se que novas informações podem empoderar a pessoa idosa, tornando-a protagonista no processo de prevenção, principalmente no que concerne aos riscos intrínsecos. Os exercícios realizados dentro da sala foram organizados em circuito, utilizando-se colchonetes, cones, bolas, caneleiras, steps, e bambolês, materiais de fácil acesso. Foram realizadas adaptações dos exercícios, bem como a progressão da dificuldade foi adotada conforme a capacidade funcional, permitindo que todos percorressem os circuitos. Observou-se que os participantes, em sua totalidade, concordaram em repassar os conhecimentos aprendidos, para outros caidores ou pessoas com riscos, e a maioria apoiou a indicação de exercícios e orientações domiciliares.
Ações educativas para prevenção de quedas em pessoas idosas caidoras podem e devem ser feitas em espaços da atenção básica e da atenção especializada, sendo uma intervenção de baixo custo, que pode ser executada por profissionais capacitados para tal. O projeto já atendeu cerca de 60 pessoas. Observou-se maior adesão às medidas ambientais de prevenção de quedas, especialmente no local em que realizou-se a pesquisa, como a utilização de corrimão, uso de calçados adequados, atenção aos pisos e escadas, além de incentivo à prática de atividades físicas. Do ponto de vista de gestão municipal, estão sendo implementados projetos para rastreio e avaliação de fatores de risco, bem como projetos de intervenção multifatorial, como desdobramento do projeto de ações educativas. A perspectiva é de que haja ampliação do público atendido, tanto em relação à prevenção, quanto em relação à intervenção. O projeto de ações educativas pode ser facilmente replicado em outras localidades, como forma de sensibilização de pessoas idosas e profissionais a respeito da importância da temática, favorecendo o avanço de programas e políticas de prevenção de quedas.
Prevenção de Quedas, idoso, educação em saúde
ROSAMARIA RODRIGUES GARCIA, ANA FLAVIA SIKUSAWA DE ALMEIDA, PEDRO HENRIQUE MAIORANO E SILVA, MATHEUS GIMENES DOS SANTOS, LAURA CRISTINA PEREIRA MAIA, LUCILA ROSE LORENZINI, LUCIANA MARA LORENZINI