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O trabalho traz a experiência da reformulação da linha de cuidado a gestante em Bebedouro-SP, sob o olhar da educação permanente. Bebedouro tem população estimada de 76.339 habitantes (SEADE, 2023), sendo 21.266 mulheres em idade fértil e cerca de 550 gestantes/ano. A Rede Materno infantil é composta por 16 ESF, 03 EAP, ambulatório de pré-natal (PN) de risco intermediário e como referência para partos de risco habitual a Maternidade do Hospital Regional de Bebedouro. O PN de alto risco é direcionado ao AME, e os partos de alto risco a Santa Casa, ambos em Barretos. No início de 2023, a gestão municipal identificou a necessidade de qualificar o cuidado a gestante, visto que os indicadores do Programa Previne Brasil não eram atingidos e existia a ocorrência de óbitos maternos. Neste período foram realizadas várias ações envolvendo a atenção básica (AB), atenção especializada, maternidade, conduzidas pelas Articuladoras de Saúde da Mulher e Atenção Básica do DRS V e pela Educação permanente (EP) do município. Segundo Brasil (2018) a EP é uma estratégia político pedagógica que toma como objetivos os problemas e necessidades emanadas do processo de trabalho em saúde, para promover melhor qualidade de vida a população. Portanto, é uma ferramenta primordial para a qualificação do pré-natal, parto e puerpério que continuam sendo aprimoradas, uma aposta fortalecer o Sistema Único de Saúde (SUS), assim como para contribuir positivamente com o alcance dos objetivos da Rede Alyne.
Objetivo Geral Qualificar as ações de cuidado à gestante, parturiente, puérpera e ao recém-nascido no município de Bebedouro-SP. Objetivos específicos: Realizar oficinas com a presença de representantes dos pontos da rede. Ofertar treinamentos para fortalecer a linha de cuidado à gestante. Fortalecer a comunicação entre os diferentes níveis de atenção à saúde. Implantar fluxos e protocolos baseados em evidências científicas. Pactuar as ações entre os envolvidos.
Desde o início da reformulação da linha de cuidado à gestante no município de Bebedouro-SP, foram adotadas várias estratégias. A experiência inicia-se no mês de março de 2023, com reuniões para a implantação da linha de cuidado e segue em aperfeiçoamento com suporte de toda a RAS, articuladoras de saúde da mulher e AB do município e DRSV. Destaca-se como marco importante para início da linha de cuidado a gestante, a visita técnica realizada a maternidade pelos profissionais da AB de Bebedouro. Consequentemente a implantação surgiram algumas intercorrências relacionadas a rede materno infantil apontadas pelo DRS-V, o município fortaleceu as ações de educação permanente na AB, voltadas a gestante. Realizadas várias estratégias com o uso das metodologias ativas: rodas de conversa, oficinas e workshops para a formulação, construção e implantação de protocolos. Foram treinados: 23 enfermeiros, 20 médicos e 42 técnicos de enfermagem de ESF que atuam na linha de cuidado à gestante, o que corresponde a 90 % da rede básica, nessas categorias. Destacam-se as oficinas para: 1- implantação do protocolo de enfermagem para sífilis; 2-atuação do enfermeiro no pré-natal na APS; 3- treinamento para médicos sobre sífilis em gestante; 4- treinamento do teste do pezinho. Reuniões: 1- gestão municipal para apoio às mudanças a serem implementadas; 2- maternidade e AB para alinhamento e pactuação dos fluxos; 3-regulação, AB e maternidade para evitar embaraços no transito da gestante pela rede.
Os resultados foram positivos até o momento. Identifica-se uma diminuição do número de casos de sífilis em gestante e sífilis congênita no município de Bebedouro no período referente à experiência. Considerando o ano de 2023 a 2024, o município tinha uma incidência de 13 casos de sífilis em gestante e esse número reduziu para 12. Já a sífilis congênita, considerando o mesmo período a incidência era de 3 casos no ano de 2023,, já no ano de 2024 esse número reduziu para 0 casos de sífilis congênita (SINAN NET, 2025). Em relação aos indicadores do Previne Brasil o indicador de proporção de gestantes com pelo menos 6 consultas de pré-natal realizadas até a 12 semana, no início de 2023 o resultado era de 41% no Q1, com evolução 46% no Q2 do ano de 2024 (SISAB,2025). Como resultados ainda, destacam-se: •Melhora dos exames para sífilis e HIV em gestantes, em comparação aos quadrimestres anteriores; •Redução de casos de sífilis congênita, que podem estar atreladas à implantação do protocolo de enfermagem para sífilis em gestantes, treinamento de pré-natal para enfermeiros, e treinamentos de médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem na AB; •Melhora da comunicação entre a maternidade e AB; •Avanço de registros em sistemas de informação à saúde, •Início da construção de projetos terapêutico singular entre a AB e Maternidade; •Implantação da consulta de enfermagem obstétrica na maternidade desde agosto/2023 para gestantes com 30 semanas, encontro de gestantes na maternidade.
Consideramos que até o momento os resultados foram satisfatórios, e é válido lembrar que este processo é contínuo, sendo necessário manter o engajamento e fortalecimento de toda a rede de atenção à saúde para melhoria do cuidado à gestante. Deste modo, conclui-se que os resultados obtidos foram favoráveis à um curto prazo, e que os direcionamentos das ações de educação permanente foram essenciais para a obtenção dos resultados positivos.
Gestante, Educação Permanente, Atenção Básica.
FLAVIA TIEMI MURAMOTO PAVAN, MARIA APARECIDA SILVA CRISPIM, FLAVIA CARDOSO DE SOUZA FREITAS CASTRO