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O Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas II Mooca está localizado na zona leste em São Paulo; serviço responsável por ofertar cuidados em saúde mental para pessoas com necessidades decorrentes do consumo de substâncias psicoativas. No CAPS Álcool e Drogas II Mooca a Educação Permanente em Saúde (EPS) é utilizada como estratégia para qualificação contínua dos profissionais em relação ao cuidado em saúde mental. A EPS é uma perspectiva que propõe que as situações diárias nos serviços de saúde se tornem base para a reflexão, aprendizagem e transformação institucional. Ademais enfatiza a importância da problematização do trabalho, e coloca os profissionais como sujeitos reflexivos da prática e formuladores de propostas de transformação da realidade . Dentre as situações presentes no cotidiano de trabalho que direcionam a equipe multiprofissional para a reflexão está o cuidado de usuários com risco e/ou histórico de violência autoprovocadas, como automutilações e tentativas de suicídio. Diante dessa conjuntura, o Núcleo de Prevenção à Violência (NPV) desenvolve ações de EPS como recurso para sensibilizar os profissionais para essa problemática. O NPV é uma “equipe de referência da Unidade de Saúde responsável pela organização do atendimento e articulação das ações a serem desencadeadas para a superação da violência e promoção da cultura de paz” .
Descrever a ação de EPS desenvolvida pelo NPV do CAPS Álcool e Drogas II Mooca no dia 29/01/2024 sobre avaliação de risco para suicídio, bem como o planejamento realizado entre julho de 2023 à janeiro de 2024. Em consonância, serão apresentadas as metodologias e os referenciais teóricos utilizados pelo NPV na ação de EPS. Por fim, serão elencados os pontos principais identificados pela equipe multiprofissional no CAPS Álcool e Drogas II Mooca para o cuidado de usuários com risco, histórico de tentativa de suicídio e ideação suicida.
A partir do mês de julho de 2023, o NPV observou um aumento significativo das notificações de violência autoprovocada, especialmente as de tentativas de suicídio. Diante desse cenário, a problemática passou a ser trabalhada nas reuniões de equipe com o intuito de verificar demandas para o desenvolvimento de uma ação de EPS. Em janeiro de 2024, o NPV iniciou o planejamento da ação de EPS sobre avaliação de risco de suicídio que ocorreu no dia 29/01/2024, no contexto de uma parada técnica na qual estava presente a equipe do serviço de saúde. A proposta foi desenvolvida a partir da metodologia do estudo de caso de uma usuária que estava em situação crise e que verbalizava ideação suicida. Com o intuito de subsidiar as discussões foram adotados como referenciais teóricos o “Guia Prático de Matriciamento em Saúde Mental”3 e o documento “Orientações para a atuação de profissional frente à situação de suicídio e automutilação”4. A ação de EPS teve 3 horas de duração e adotou como recursos audiovisuais o computador e retroprojetor. Como recursos didáticos foram utilizados fluxograma sobre avaliação de risco de suicídio e linha do tempo sobre as intervenções realizadas pela equipe no caso estudado.
A equipe multiprofissional participou ativamente da ação de EPS, trazendo para a discussão as suas experiências de cuidado com usuários com risco e/ou histórico de tentativas de suicídio compartilhando suas percepções o caso, apresentando as estratégias de cuidado utilizadas com a usuária. Durante a apresentação do estudo de caso, foram retomadas a história de vida da usuária; demandas e desejos; necessidades de cuidado; e fatores de risco e proteção para suicídio. Posteriormente, foi apresentado o itinerário da usuária pela rede intersetorial durante a situação de crise, o mesmo englobava CAPS Álcool e Drogas, CAPS Adulto, UBS, Centro Temporário de Acolhimento (CTA) e Hospital Geral. Neste momento da ação de EPS, também foram resgatadas intervenções realizadas pela equipe multiprofissional através da linha do tempo para avaliar os pontos positivos e as intervenções que deveriam ser revistas. Durante o debate, a equipe elencou coletivamente as estratégias que foram usadas e que foram adequadas. As reflexões e discussões estabelecidas, baseadas no cotidiano de trabalho e nos referenciais teóricos, possibilitaram a sensibilização da equipe para uma atuação qualificada frente a usuários que apresentam risco, histórico de tentativa de suicídio ou ideação suicida. Além disso, fomentou a construção de novas propostas para o Projeto Terapêutico Singular da usuária e para o fortalecimento do NPV
A experiência possibilita a inclusão da EPS nos serviços de saúde mental, adotando uma perspectiva de educação para o trabalho centrada nas necessidades formativas da equipe e nas problemáticas presentes no cotidiano. Observou-se que a utilização de metodologias ativas de ensino e a valorização dos saberes dos profissionais estimularam a participação da equipe. Durante a ação de EPS desenvolvida pelo NPV, foi possível identificar que a equipe estava implicada no processo de cuidado da usuária, sendo que a maioria das estratégias de cuidado utilizadas na situação de crise foram avaliadas como adequadas diante do risco de suicídio. Diante do exposto, espera-se que o NPV do CAPS Álcool e Drogas II Mooca desenvolva novas ações de EPS visando a qualificação da equipe para o cuidado de usuários em risco e/ou com histórico de violências interpessoais e autoprovocadas. Ademais, almeja-se que futuramente o NPV possa expandir as suas ações para outros serviços da RAPS e para equipamentos da rede intersetorial.
saúde mental, educação permanente, suicida
AMANDA DE SOUZA NUNES, Kathleen Pignatti Leano Magarotto