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A Educação Permanente em Saúde (EPS) foi criada e implementada como Política, em conformidade com a Constituição Federal, pela Portaria Nº 1.996 de 20 de agosto de 2007, pelo Ministério da Saúde (MS). Isso possibilitou aos profissionais de saúde desenvolverem suas competências de maneira qualificada em sua atuação profissional, tendo em vista a complexidade de seu trabalho (SANTOS; VALENTE, 2020). Vale destacar que a EPS é uma prática educativa associada ao trabalho, uma ferramenta para reavaliação e auto aprendizado da própria equipe em relação às suas práticas de cuidado (BRASIL, 2013; SANTOS; VALENTE, 2020). A EPS fortalece o princípio da integralidade no SUS e qualifica a Rede de Atenção à Saúde (RAS), visando o benefício dos usuários. A integralidade dos sujeitos é alcançada de forma mais completa e efetiva, a partir de uma concepção de saúde ampliada, não mais apenas a ausência de doenças, mas como um conjunto de fatores sociais, econômicos, culturais que permeiam o processo saúde/doença (BRASIL, 2012). Este trabalho é um relato de experiências vividas por um coletivo de profissionais de saúde. Foi desenvolvido para fortalecer a riqueza e potência do trabalho em equipe, assim como prática de cuidado centrado no paciente.
– Aperfeiçoar o conhecimento dos profissionais de saúde por meio da Educação Permanente em Saúde – Consolidar os espaços de aprendizagem na Atenção Domiciliar – Propor espaço coletivo para reflexão e avaliação do processo de trabalho na Atenção Domiciliar – Fortalecer o princípio de integralidade do SUS na Atenção Domiciliar
Participaram da EPS profissionais de saúde da Atenção Domiciliar. Os encontros aconteceram em reuniões mensais, na terceira quarta-feira pela manhã. Cada profissão abordou sua atuação por meio de material expositivo, estudo de caso ou convidado externo. Em março, a medicina abordou sobre cuidados paliativos, histórico, conceito e evolução. Em abril, a fisioterapia trouxe equipamentos (cilindro de 02, concentrador de O2, Bipap e ventilação mecânica) utilizados em sua prática, bem como fluxo de oxigenoterapia domiciliar. Em maio, as assistentes sociais trouxeram legislações que abordam direitos e deveres sociais/previdenciários dos pacientes/familiares. Em junho, a psicologia apontou a importância do acolhimento da equipe, descentralizado do psicólogo, bem como o luto. Em agosto, a reabilitação domiciliar e tecnologias assistivas para ganho de independência funcional foram temas discutidos pela Terapeuta Ocupacional. Em setembro, foi abordado a fisiologia da deglutição e seus aspectos patológicos pelas fonoaudiólogas. Em outubro, as nutricionistas trouxeram a importância do armazenamento de alimentos no domicílio, do cozimento, dos aspectos nutricionais, da sondagem nasoenteral e do manejo de dietas em pacientes em uso de Terapia de Nutrição Enteral. Em novembro, a enfermagem trouxe aspectos legais da profissão, atuação com cateterismo, administração de medicação parenteral, acolhimento e discussão de caso de pacientes com lesões por uso e não uso de laserterapia.
Os resultados alcançados aperfeiçoaram os conhecimentos dos profissionais de saúde do SUS ao permitir o compartilhamento, a troca do saber das categorias participantes e a contextualização da equipe de saúde no próprio processo de trabalho na atenção domiciliar. A EPS ajudou a ampliar, consolidar e transformar os espaços de aprendizagem multiprofissional levando em consideração as práticas de saúde e de educação. As reuniões evidenciaram o trabalho no SUS como campo de aprendizagem cotidiana e comprometida com o saber coletivo. Ficou claro que os profissionais de saúde são os detentores da tomada de decisão sobre acolher, respeitar, ouvir, cuidar e responder às necessidades dos pacientes com elevada qualidade. A proposta de espaço coletivo para reflexão e avaliação do processo de trabalho fortaleceu o princípio de integralidade do SUS ao buscar atender as necessidades de saúde dos pacientes considerando o indivíduo como um todo, integrando ações de prevenção de doenças e promoção da saúde em âmbito domiciliar, bem como tratamento e reabilitação. A garantia da continuidade do cuidado para Atenção Primária em Saúde (APS) e demais níveis de atenção foi pontuado nas reuniões, dentre eles a Alta Qualificada Hospitalar.
Trabalhar a integralidade por meio da EPS trouxe impacto e transformação no cuidado com os usuários e no processo de trabalho interno em âmbito domiciliar. O paciente passou a ser visto além do recorte de prática de cada categoria profissional. Buscou-se promover humanização no binômio profissional e paciente, um olhar completo, preventivo para além dos cuidados de lesões por pressão e mudança de decúbito da enfermagem, do diagnóstico e farmacologia médica, do contexto social da assistência social, da demandas de saúde mental/luto da psicologia, da reabilitação terapia ocupacional, da necessidade de oxigenar células por meio da ventilação mecânica da fisioterapia, dos aspectos de nutrição celular da nutrição e da dificuldade de deglutição da fonoaudiologia. O fortalecimento da EPS é fundamental para um cuidado integral e resolutivo. Por meio desta narrativa vivida por um coletivo de profissionais de saúde, consideramos que a realização dos encontros por meio da EPS trouxe impacto no processo de trabalho multi e interprofissional, bem como a transformação no cuidado com os pacientes do SUS. Propomos como continuidade a este trabalho a ampliação da EPS por meio de discussão de caso e matriciamento na atenção primária.
Educação em Saúde-Cuidado Domiciliar-Integralidade
THAÍS ARAÚJO FERNANDES, SELONIA PATRÍCIA OLIVEIRA SOUSA CABALLERO