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A Educação Permanente em Saúde (EPS) emerge na América Latina como resposta às limitações da formação estritamente técnica, incorporando dimensões ético-políticas e sociais. No Brasil, consolidou-se como estratégia fundamental para reordenar as práticas profissionais a partir da problematização do próprio processo de trabalho. No âmbito da Atenção Primária à Saúde (APS), a EPS é imprescindível para a superação do modelo biomédico e o fortalecimento da Estratégia Saúde da Família (ESF). Diferentemente da educação continuada, a EPS articula os segmentos de ensino, serviço, gestão e comunidade, visando à transformação institucional e à qualificação do cuidado. Constitui-se, portanto, como ferramenta potente para adequar os serviços às reais necessidades de saúde da população e consolidar os princípios do SUS. Dado que a política assume configurações singulares conforme o contexto locorregional, a modelização e validação de sua implementação tornam-se imperativas. O estudo busca elucidar a implementação da EPS no cenário municipal na ESF, baseado nas necessidades educacionais, oferecendo subsídios para o aprimoramento da gestão e a efetividade das ações na ESF.
Objetivo Geral Descrever o processo de implementação de um serviço de Educação Permanente em Saúde no âmbito da ESF em Bauru/SP, analisando as metodologias de ensino-aprendizagem adotadas. Objetivos Específicos 1.Detalhar as etapas de estruturação do serviço de Educação Permanente, desde o planejamento até a execução das ações. 2.Identificar as metodologias utilizadas nas ações educativas junto às equipes. 3.Discutir a articulação entre as necessidades identificadas pelas equipes e as estratégias pedagógicas escolhidas.
Este estudo descreve a implantação de um serviço de Educação Permanente em Saúde (EPS) na Estratégia Saúde da Família (ESF) em Bauru/SP, estruturado em quatro etapas: diagnóstico, planejamento, operacionalização e avaliação. O percurso iniciou-se com o Levantamento de Necessidades Educacionais (LNE) por meio de uma abordagem multidimensional. Foram utilizadas observações sistemáticas das práticas in loco, escuta qualificada de gestores e trabalhadores, além da inclusão da perspectiva dos usuários. As demandas foram estratificadas por categoria profissional e eixos temáticos, assegurando a contextualização dos problemas territoriais. No planejamento, elaborou-se um cronograma customizado para as lacunas mapeadas. A operacionalização focou na descentralização do saber, identificando facilitadores nas próprias unidades para conduzir as temáticas, o que valorizou talentos locais e fortaleceu o vínculo entre pares. As ações pedagógicas ocorreram nos espaços das reuniões de equipe, integrando o ensino ao cotidiano do serviço, conforme a Política Nacional de Educação Permanente em Saúde (PNEPS). A etapa final de monitoramento e avaliação ocorreu de dois a três meses após cada ciclo, utilizando questionários online.
A operacionalização do serviço foi conduzida por uma equipe técnica composta pela coordenação, uma médica e uma enfermeira, ambas especialistas em Estratégia Saúde da Família (ESF). O diagnóstico situacional consolidou as necessidades educacionais em seis eixos estruturantes: 1) Saúde nos Ciclos de Vida, abrangendo protocolos específicos da pediatria à geriatria; 2) Manejo Clínico, com ênfase em condições crônicas (HAS e DM) e infectocontagiosas (Sífilis e ISTs); 3) Saúde Mental e Vulnerabilidade, focando em matriciamento e violência; 4) Processos Técnicos, voltados à segurança do paciente e procedimentos de enfermagem; 5) Gestão e Comunicação, englobando liderança, uso de sistemas (MV/SIRESP) e acolhimento; e 6) Infraestrutura e Biossegurança. A estratégia pedagógica adotou metodologias ativas adaptadas à natureza de cada demanda. Para a disseminação ágil de informações, utilizaram-se tecnologias leves como flashcards, vídeos educativos e formulários digitais. O aprimoramento de competências clínicas fundamentou-se na simulação realística de baixo custo e na gamificação (quizzes interativos). Já a reorganização dos processos de trabalho e fluxos priorizou espaços dialógicos, como reuniões de equipe e Ciclos de Melhoria Contínua da Qualidade (MCQ), construídos colaborativamente com os trabalhadores. A avaliação de reação, de caráter voluntário, obteve 904 respostas ao longo de 2025, evidenciando alta aceitação da estratégia. Os indicadores demonstraram que 93,3% dos participa
A experiência evidenciou que implementar um serviço de Educação Permanente em Saúde (EPS) estruturado em um rigoroso Levantamento de Necessidades Educacionais (LNE) é estratégia potente para qualificar a Atenção Primária. O estudo demonstrou que, ao partir da realidade dos territórios e da escuta de trabalhadores e usuários, há adesão expressiva, rompendo com a lógica de capacitações verticais descontextualizadas. Os resultados, com satisfação superior a 93%, corroboram a eficácia da diversificação metodológica. A articulação entre tecnologias leves para demandas informativas, simulação para competências técnicas e espaços dialógicos para processos de trabalho mostrou-se assertiva. A descentralização, via facilitadores locais, fortaleceu o protagonismo das equipes e a capilaridade das ações na ESF. Contudo, o estudo possui limitações. A avaliação focou na reação (satisfação), sem mensurar o impacto a longo prazo nos indicadores clínicos. Há possível viés de seleção devido à natureza voluntária das respostas e a generalização requer cautela por ser uma experiência local de 2025. Conclui-se que a EPS consolidou-se como dispositivo de gestão e transformação. Recomenda-se avaliar impactos futuros para garantir a sustentabilidade do mo
Educação Permanente em Saúde
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