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O CECCO (Centro de Convivência, Cultura, Trabalho e Geração de Renda) é um serviço da Unidade de Gestão de Promoção de Saúde de Jundiaí/SP que tem o objetivo de promover autonomia, qualidade de vida e inclusão social. Isso ocorre por meio de ações intersetoriais e multiprofissionais que visam potencializar formas mais amplas de intervir na saúde do indivíduo, ofertando espaços de sociabilidade em que as diferenças de ordem diversas não sejam negadas, mas sim assimiladas. Neste cenário institucional, observamos, ao longo dos anos, que a Comunidade Surda não tem chegado ao Centro de Convivência de Jundiaí, mesmo com o investimento na formação básica em Libras pela Prefeitura para três profissionais deste equipamento. Para ser integrada, a pessoa com deficiência precisa sentir-se como parte da comunidade ampla, e isso só é possível por meio da comunicação com a coletividade em que se insere. Assim, entendemos que a Educação Popular em Saúde da comunidade CECCO deve abranger, necessariamente, o Letramento Básico em Libras para seus integrantes como forma de propiciar laço social e produção de cuidado comunitário aos surdos letrados em Libras.
Promover a Educação Popular em Saúde por meio do Letramento Básico em Libras para os usuários do Centro de Convivência de Jundiaí, visando favorecer a inclusão da Comunidade Surda neste equipamento municipal de saúde.
Participaram de formações básicas em Libras, oferecidas pela Prefeitura aos servidores, três profissionais do CECCO: a Gerente, em 2019, a Assistente de Administração, em 2023, e a Terapeuta Ocupacional, no segundo semestre de 2024. A partir de abril de 2024, iniciamos a abordagem da Libras com a comunidade a partir das seguintes estratégias: – Escolha e apresentação de três sinais ao mês, priorizando aqueles que favorecem a iniciação de uma comunicação (ex. cumprimentos) e sinais de meses temáticos da saúde; – Ensino dos sinais selecionados aos diferentes grupos existentes no CECCO, logo no início ou ao final das atividades; – Demonstração dos sinais também na divulgação da programação mensal (WhatsApp institucional, Facebook, e-mail e impressos, além de vídeos que foram apresentados na TV localizada no salão principal); – Retomada aleatória de sinais já ensinados aos grupos, na forma de brincadeiras, para que pudessem relembrar o conteúdo.
Essa experiência tem sido desenvolvida ao longo de 10 meses, com apresentação de ao menos 25 sinais/temas em pelo menos 14 grupos de diferentes faixas etárias e perfis (ex: Ginástica artística com crianças, Roda de Chá e Meditação com adultos e idosos, Grupos de Geração de Renda, etc.). Ao longo desse período, todos os públicos se engajaram, empenhando-se na reprodução dos sinais que lhes foram ensinados e trazendo perguntas sobre outros sinais. Também relataram o desejo de buscar mais fontes de aprendizado em Libras e utilizar os sinais aprendidos na comunicação com pessoas surdas conhecidas (parentes, vizinhos, etc.). Nas brincadeiras de retomada de sinais ensinados, observou-se que os referentes aos cumprimentos foram melhor assimilados pelos diferentes públicos. Ainda não tivemos adesão do público surdo letrado em Libras no Centro de Convivência de Jundiaí, mesmo com a solicitação expressa da equipe para a comunidade CECCO trazer seus conhecidos.
A formação em Libras para profissionais de saúde responde ao que se pretende na Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência1 e é uma proposta fundamental para a real inclusão da Comunidade Surda nos equipamentos de saúde. Todavia, a circulação destas pessoas em serviços públicos deve ser propiciada de forma comunitária, para que seus direitos de atenção à saúde e à educação sejam garantidos. Neste sentido, a estratégia abordada no presente trabalho corrobora com a referida lei e com os Princípios Doutrinários do SUS2, sobretudo no que tange à Educação Popular em Saúde. A comunidade CECCO demonstra contínuo interesse e engajamento no aprendizado básico de Libras. No entanto, apesar de ter mantido a divulgação mensal dos sinais (impressa e redes sociais), a equipe condutora da atividade não tem abordado de forma consistente os grupos. Esperamos que uma nova proposta de sistematização junto aos grupos, bem como a formação de mais uma profissional (ocorrida no final de 2024), agregue e amplie o número de intervenções presenciais. O próximo e fundamental passo é propiciar estratégias de vinculação de munícipes surdos letrados em Libras a partir da aproximação da equipe CECCO nos territórios onde circulam.
Inclusão, Libras, educação popular em saúde
CRISTIANE BARBIN, FERNANDA TORRES APOLLONIO