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A sifilis é uma infecção sexualmente transmissível (IST), que pode afetar diversos órgãos e evoluir para complicações graves se não tratada. No período de 2010 a 30 de junho de 2025, houve no Brasil 1.902.301 notificações de sífilis adquirida, demonstrando tendência de crescimento ao longo de quase toda a série histórica, com exceção do ano de 2020, durante a pandemia de covid-19, quando aconteceu uma queda significativa dos casos notificados da doença. A pandemia de covid -19, com seu número elevado de doentes e alta transmissibilidade, trouxe a necessidade de buscar instrumentos que permitissem monitorar as informações, sendo primordial para a gestão pública a rapidez e a segurança dos dados. A vigilância laboratorial é uma ferramenta que permite detectar resultados laboratoriais alterados, possibilitando comunicação rápida com os serviços de referência e maior agilidade nas atividades de vigilância. Nesse contexto, a Gerência de Vigilância Epidemiológica de Osasco adotou a vigilância laboratorial como estratégia de busca dos casos novos, expandindo em 2021 para outros agravos e incluiu a sífilis adquirida em agosto de 2022. A introdução da ferramenta no monitoramento da sífilis adquirida proporciona o imediato conhecimento dos resultados, com comprovação laboratorial que permite a notificação dos casos pelo critério de doença confirmada, auxilia na busca do usuário acometido direcionando o atendimento e o tratamento em tempo oportuno.
A implementação da vigilância laboratorial sífilis adquirida tem os seguintes objetivos: •Melhor compreensão do cenário epidemiológico, considerando os casos notificados e não notificados pelos serviços de saúde; •Detectar precocemente casos suspeitos e confirmados; •Identificar mudanças no padrão epidemiológico; •Monitorar populações ou territórios de risco; •Reduzir subnotificação; •Permitir resposta rápida para controle e monitoramento;
Para implementação da vigilância laboratorial o primeiro passo foi verificar o contrato de prestação de serviços do laboratório sobre a possibilidade de comunicação dos exames de alerta, aqueles cujo resultado são passiveis de notificação. Esses exames alterados são planilhados e encaminhados a VE, que distribui as planilhas aos Núcleos responsáveis. No caso das doenças sexualmente transmissíveis esta planilha é distribuída pelos respectivos agravos, assim temos HIV, Hepatites e demais IST. Verifica-se então os casos já notificados, os acompanhamentos e os casos novos. Nos casos novos são verificadas as informações em prontuário eletrônico, com checagem de exames anteriores e tratamento, caso o paciente não tenha sido notificado, são encaminhados e-mails as unidades básicas de referência, constando número da solicitação, nome completo do paciente, número de CNS, idade, sexo, nome do médico solicitante, unidade realizadora, exame solicitado, método e resultado. O desfecho esperado é a convocação do paciente pela UBS, a comunicação do resultado, o início do tratamento e a notificação do caso a Vigilância Epidemiológica para inserção no sistema SINAN. Para a situação de persistência da não notificação a diretoria de atenção básica é acionada por e-mail para as devidas providencias.
Avaliando o período de 2015 a 2024, a média anual do número total de notificações de sífilis adquirida saltou de 211 para 1230 após a implementação da vigilância laboratorial em 2022, representando um aumento percentual de 483%. A distribuição percentual entre as variáveis sociodemográficas manteve-se estável, exceto para o sexo feminino, cuja proporção média aumentou de 29 para 40% em relação ao sexo masculino. Ao avaliar a variação percentual das médias de notificações por grupo, destacaram-se aumentos expressivos entre indivíduos de 60 a 69 anos (960%), 70 anos ou mais (1200%), residentes do polo 5, região central do município (1400%) e do polo 1, região periférica localizada ao norte do município (710%). Ao realizar uma regressão segmentada, identificou-se uma mudança significativa na tendência das notificações a partir da implementação da vigilância laboratorial, passando de um aumento anual médio de 18,03% (APC= 18,03%; p
Após a implementação da vigilância laboratorial em 2022, observou-se um aumento expressivo no número de notificações de sífilis adquirida, especialmente em determinados segmentos sociodemográficos, como em mulheres, idosos e população residente em regiões mais vulneráveis, possibilitando melhor compreensão do cenário epidemiológico e aumento da capacidade de resposta da gestão municipal para ações de prevenção e monitoramento. A estratégia também se mostrou uma ferramenta eficaz no enfrentamento da subnotificação, uma vez que, ao serem informados sobre notificações pendentes, os serviços de saúde tendem a intensificar a atenção aos processos de registro e comunicação dos casos, resultando em maior completude e oportunidade das notificações no sistema de vigilância.
sífilis, vigilância laboratorial, epidemiologia
RAFAEL DE SOUSA ALVES, NEIDE DA CRUZ, MONICA CRISTINA DA SILVA ANDRADE, ALAN SILVA CREPALDI, SATIRO MARCIO IGNACIO JUNIOR, FERNANDO MACHADO OLIVEIRA, SUZETE SOUZA FRANCO