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A Esporotricose é uma micose subcutânea causada pelo fungo do complexo Sporothrix schenckii, que acomete homens e animais. A nova espécie do fungo, S. brasilliensis, mostrou-se mais virulenta e mais patogênica que as demais e se tornou bem-adaptada a um reservatório animal, o felino. Esta espécie é o hospedeiro primário e o vetor da infecção. Estes fungos podem apresentar duas formas no seu ciclo de vida: micelial e levedura. Na forma micelial, o fungo está presente na natureza, no solo rico em material orgânico, nos espinhos, em árvores e vegetação em decomposição. A forma de levedura é a que pode parasitar o homem e animais. Os felinos adquirem a micose ao enterrar as fezes em ambiente contaminado e ao afiar as unhas em madeiras com o fungo. A transmissão também pode ocorrer por mordeduras e arranhaduras de outros animais doentes. Os seres humanos podem se infectar ao manusear felinos doentes e na lida com a terra, palhas, madeiras e espinhos contaminados. A esporotricose felina possui tratamento específico, porém a instituição precoce da medicação é condição primordial para a evolução positiva do quadro de cura. Com a detecção de 2 casos felinos acometidos pelo fungo no final de 2019 e o aumento da incidência da doença na espécie nos anos seguintes (28 casos em 2020, 64 em 2021 e 79 casos em 2022), o Departamento de Vigilância em Zoonoses promoveu a elaboração do Plano Municipal de Prevenção e Controle da Esporotricose Felina.
Atualmente, com a predominância do S. brasilliensis, os casos de esporotricose humana estão, em sua maioria, associados aos casos em animais, principalmente os felinos. Diante disso, a elaboração do Plano Municipal de Prevenção e Controle da Esporotricose Felina tem por objetivo reduzir os casos de Esporotricose na espécie e, consequentemente, reduzir a incidência humana da doença no município de Santa Bárbara dOeste-SP.
Profissionais do Departamento de Vigilância em Zoonoses promoveram a elaboração do Plano Municipal através de revisão bibliográfica da doença, monitoramento, georreferenciamento e documentação dos casos de Esporotricose Felina no município, a fim de detectar áreas relevantes para intervenções. Dessa forma foram elaborados mapas de densidade de manchas (Hotspots), com a finalidade de determinar as áreas de risco. Al[em disso, ferramentas go estatísticas foram utilizadas para elaborar um mapa da evolução espaço-temporal da enfermidade. Ademais, o documento estabelece metas de ações e de orientação a serem realizadas para impedir a ocorrência de novos casos animais e humanos.
A elaboração do Plano iniciou em 2021 e buscou consolidar ações que já vinham sendo realizadas no município. No período de janeiro de 2021 a agosto de 2023, foram realizadas 1515 visitas zoosanitárias, incluindo avaliação e orientação de casos em animais e visitas casa-a-casa com entrega de panfletos e orientações sobre a doença. Também, dentro das metas do plano, englobando a Educação em Saúde, foi atingido o público de 1945 pessoas, entre alunos e professores, por meio de 32 palestras temáticas. A versão final do PMPCEF foi consolidada em fevereiro de 2023. A partir do mapeamento das áreas quentes dos casos e do mapa de evolução espaço temporal, mostrou que as primeiras ocorrências, no ano de 2020, foram nos bairros centrais e na região sul. Em 2021, foi possível identificar que as ocorrências de casos felinos com esporos, também começaram a ser detectadas nas regiões oeste e norte. Por fim, em 2022 pode ser observado que casos novos desta enfermidade, foram observados na região leste do município. Em 2023, todo perímetro urbano pode ser considerado uma área de risco, já que foi possível identificar casos em todas as regiões da cidade.
Com o aumento da incidência desta enfermidade, no município de Santa Bárbara d´Oeste, desde o ano de 2019, tornou-se necessária a elaboração do Plano Municipal de Prevenção e Controle da Esporotricose Felina. Espera-se que, com a elaboração e a execução de suas metas, o município apresente declínio da incidência da doença nos felinos e, consequentemente, nos seres humanos.
Esporotricose felina, Mapeamento.
Eliane Aparecida Stradioto de Andrade, Luiz Eduardo Chimello de Oliveira, Thiago Salomão de Azevedo