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Diadema tem uma história importante de participação popular no movimento de saúde, o que afeta de maneira significativa a relação dos usuários com os serviços da rede SUS. Em 2023, o Núcleo de Educação Permanente e Humanização- NEPH identificou a importância de conversa com os profissionais mais recentes na rede de saúde, tanto estatutários quanto celetistas (contratados por parceira via contrato de gestão), para além dos aspectos administrativos e trabalhistas que era o que ocorria em seu momento de chegada. A recomposição das equipes de saúde estava acontecendo, assim como a retomada de uma rotina de trabalho que havia sido alterada em função da pandemia. Muitos dos trabalhadores recentes vinham com a vivência do setor privado e conheciam pouco ou nada sobre o SUS ou sobre a cidade de Diadema e o entendimento é que isso interferia inclusive na articulação do trabalho em rede, tão importante para a integralidade do cuidado. Uma particularidade observada é que, apesar da Organização Social responsável pelo contrato de gestão com alguns serviços de saúde desde 2022 já ter sido contratante de trabalhadores no SUS municipal há algum tempo, com o estabelecimento do contrato de gestão foram observadas mudanças no comportamento e relacionamento entre trabalhadores estatutários e celetistas. De janeiro 2022 até maio 2023 ingressaram 784 novos trabalhadores nos serviços de saúde públicos de Diadema.
Reunir os trabalhadores (estatutários e celetistas, de todas as categorias) admitidos nos diversos equipamentos da Secretaria Municipal de Saúde, no período janeiro de 2022 a maio de 2023 e estabelecer espaço de conversa, troca e reflexão sobre a cidade de Diadema, características socioeconômicas, história do SUS no município, o trabalho na saúde e sobre a rede de saúde municipal. Compartilhar informações com os trabalhadores que eventualmente não conheciam ou conheciam pouco da cidade e/ou do sistema de saúde municipal, para que pudessem conhecer e reconhecer as características do trabalho no SUS, da cidade de Diadema e o que se espera deles enquanto trabalhadores da saúde, na busca de maior envolvimento e compromisso com o projeto de saúde da cidade.
Foram organizados 7 encontros de cerca de 4h, em auditório com 170 lugares, 3 no período da manhã, 2 no período da tarde e 2 no noturno. A organização da participação dos trabalhadores aconteceu em cada serviço, com a referência de RH levantando os trabalhadores que se encaixavam no critério e organizando com as/os gerentes/coordenadores a inscrição dos mesmos nas turmas programadas. Trabalhadores que apenas mudaram de vínculo (celetistas que foram chamados pelo concurso, por exemplo, ou trabalhadores que apenas mudaram de serviço de saúde) não eram o foco, mas poderiam participar. Nos encontros, a recepção era feita com uma apresentação musical e posteriormente pelo secretário da saúde ou um representante dele. O reconhecimento da rede se iniciava pela dinâmica de apresentação entre todos os participantes, uma vez que todas as turmas tinham trabalhadores dos diversos serviços. As apresentações dialogadas versaram sobre a cidade de Diadema, sua história, suas características, a história da saúde em Diadema, sobre o SUS, a rede de saúde municipal e sobre o movimento popular na cidade, com a apresentação de um vídeo que registrou a constituição do conselho popular de saúde do município. Para estimular a reflexão e promover discussão sobre os processos de trabalho, foi utilizada a técnica do teatro-imagem, baseada no Teatro do Oprimido, com participação ativa dos trabalhadores/público na constituição de uma cena, com intervenção e discussão com a platéia.
Dos 7 encontros, participaram 490 trabalhadores, 446 trabalhadores participaram dos encontros no período diurno e 44 dos encontros no período noturno. Ao final, todos os participantes foram solicitados a preencher o formulário de avaliação dos encontros, disponibilizado em QRcode na apresentação, em cartazes impressos e posteriormente via whatsapp, e pelo qual poderiam ainda incluir sugestões e comentários sobre o conteúdo apresentado e para os próximos encontros. 45% dos participantes respondeu a avaliação. 93,2% dos participantes sentiram-se satisfeitos ou felizes em relação ao encontro, e 3,6% colocaram-se como surpresos. O conteúdo foi considerado adequado pela maioria dos participantes (97,7%) e pouco adequado por 1,8% deles. A totalidade das respostas foi de que a metodologia facilitou a compreensão do conteúdo e estimulou a participação, total ou parcialmente. 98,6% deles considerou a carga horária suficiente ou regular e 1.4% considerou a carga horária insuficiente. As devolutivas sobre conteúdo e metodologia e os comentários gerais foram positivos, de aprovação e bom aproveitamento do encontro, parabenizações pela iniciativa, satisfação e alegria pela participação. Alguns comentários atenderam ao pedido de sugestões a serem incorporadas ao conteúdo da apresentação, o que foi feito na sequência do encontro (ex: No slide sobre Transfobia, a pergunta era como você quer ser chamadO?, e foi corrigida para a forma neutra Como você quer que eu te chame?).
A participação dos trabalhadores nos encontros foi bastante ativa, mostraram-se interessados em conhecer um pouco mais da história e funcionamento da cidade e da rede de saúde e envolveram-se nas discussões e dinâmicas propostas. Os participantes solicitaram a disponibilização do material utilizado nos encontros (apresentação em power point, vídeos), o que indica que realmente consideraram o conteúdo importante. A experiência desdobrou em proposta de ampliação do espaço de conversa com os trabalhadores, com encontros periódicos para recepção de trabalhadores novos e encontros com os trabalhadores que estão no município há mais tempo, num trabalho de valorização destes trabalhadores, de sua história na saúde, de resgate e reflexão de sua perspectiva do trabalho. As discussões colaboraram ainda na elaboração do documento “Política de construção de relações saudáveis no SUS Diadema” que será tema de discussão com os trabalhadores mais amplamente em 2024. Relações saudáveis que se busca a cada dia e que, enquanto trabalhadores da saúde devemos estar atentos e cuidadosos nessa manutenção, entre trabalhadores e com os usuários.
Encontro, trabalhador, educação permanente, OS,SUS
Heloisa Elaine dos Santos, Larissa de Lima Coelho Barbosa, Juliana Oliveira Antunes, Nancy Yasuda