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A tuberculose é uma doença infecciosa, causada pelo bacilo de Koch que afeta principalmente os pulmões, embora acometa outros órgãos. A transmissão da doença é feita principalmente por aerossóis produzidos pela tosse de uma pessoa com tuberculose ativa. Calcula-se que, durante um ano, uma pessoa infectada sem tratamento possa infectar de 10 a 15 pessoas1. É um agravo que se constitui um grave problema de saúde pública mundial, agravado pela pandemia de COVID 19. Estima-se que no mundo entre os anos de 2020 e 2021, 20,7 milhões de pessoas adoeceram por tuberculose, no entanto somente, 58% foram diagnosticadas e tratadas. No Brasil houve uma redução do coeficiente de prevalência entre os anos de 2019 e 2020 de 12,1% devido a subnotificações e déficit de diagnósticos com impacto no aumento da transmissão, no tratamento e no percentual de óbitos pela doença. ESF Jd. Santo André, responsável por 10.439 habitantes, confirmou 16 casos de tuberculose no ano de 2023, os quais podem por contaminar de 160 a 240 pessoas, tendo em vista a cadeia de transmissão da doença1. Diante da magnitude da doença, do 3.3 objetivo do desenvolvimento sustentável em que os países se comprometeram a acabar dentre outros agravos, com a epidemia de Tuberculose até o ano de 2030, desenvolveu-se um projeto entre discentes do curso de medicina da USCS e os trabalhadores da ESF que buscou identificar novos casos e conscientizar os pacientes sobre os perigos da tuberculose.
O projeto teve por objetivos identificar os sintomáticos respiratórios na área de abrangência da USF Jardim Santo André, aumentando assim o número de diagnósticos de tuberculose por meio da compreensão dos fatores socioeconômicos e do perfil dos usuários que impactam na vulnerabilidade à Tuberculose e produziu um formulário de busca ativa de tuberculose utilizado pela equipe além da disseminação de informações para a população sobre os sintomas, o diagnóstico, as consequências e o tratamento da tuberculose.
A primeira etapa do projeto consistiu na construção de um formulário para auxiliar na busca ativa para identificação de sintomáticos respiratórios com as seguintes variáveis: nome idade data de nascimento gênero endereço profissão onde trabalha com o que trabalha escolaridade prontuário telefone número do cartão SUS e do CPF quantas pessoas moram na residência tipo de residência renda familiar benefícios do governo histórico de privação de liberdade vive em situação de rua sintomas apresentados teve contato com pessoa com diagnostico de Tuberculose recente já foi diagnosticado com Tuberculose e a quanto tempo doenças de base uso de medicações alergias tabagismo outras substâncias Infecções Sexualmente Transmissíveis e gravidez a elaboração de um questionário para mensurar o conhecimento prévio sobre a Tuberculose e a produção de um folder contendo informações sobre a tuberculose e orientações para a coleta do exame de escarro. A segunda etapa do projeto consistiu na aplicação do formulário de busca ativa, do questionário e orientações e entrega do folder. Nos casos identificados de sintomáticos respiratórios ou indivíduos que tiveram contato recente com pessoas diagnosticadas com tuberculose foi entregue o pote para realização do exame de escarro e foram feitas novas orientações sobre coleta do exame e datas de entrega à Unidade. Coleta do exame e envio para o laboratório ao SUS.
Foram aplicados 97 formulários, de 59 mulheres e 38 homens. A maior parte dos entrevistados se identificam como pardos. Em relação à escolaridade, 52,6% possuem ensino escolar incompleto, 38,2% ensino médio completo, 6,2% são analfabetos e 3,1% não souberam responder. 68,8% afirmaram que em suas residências moram entre 1 e 3 pessoas, 28,1% entre 4 e 5 e 3,1% 6 ou mais pessoas. Dessas famílias, 32% recebem menos que 1 salário-mínimo e apenas 11% recebem 3 ou mais. 38,2% recebem auxílio do governo. 78,1% residem em moradia de alvenaria, 21,9% em moradia de madeira e 1 pessoa não respondeu. 10,3% já estiveram privados de liberdade. 36% apresentaram sintomas. 10,3% tiveram contato com algum diagnosticado e 3 indivíduos já tiveram a doença. 47,4% possuem alguma doença de base. 42,2% fazem uso de medicação contínua. 27,8% são tabagistas. 11,3% fazem uso de substâncias. 2 são gestantes. Quanto aos potes para escarro, 8 pessoas levaram para coleta domiciliar. Apenas 4 retornaram com o exame. 2 pessoas obtiveram resultado positivo, essas foram orientadas ao início do tratamento. Em relação ao questionário realizado para medir o conhecimento da população, as respostas foram: 68% sabem o que é tuberculose 52,6% relatam saber os sintomas 36% relatam saber as consequências da tuberculose e quando procurar assistência médica 40,2% sabem a importância do tratamento 15,4% sabem como é feito o tratamento, referenciando o uso de antibióticos, o isolamento social e a internação hospitalar.
A busca ativa de sintomáticos respiratórios mostrou significância ao diagnosticar dois casos de tuberculose no bairro Jardim Santo André. No entanto, o esclarecimento sobre as formas de contágio, o prognóstico, o tratamento e as consequências da tuberculose para a população revelou ser mais eficaz, devido ao maior alcance e ao contato direto dos estudantes com a população, o que permitiu a elucidação de informações e possíveis dúvidas dos participantes. Além disso, o projeto foi relevante para a investigação do perfil socioeconômico da população aderida à USF Jardim Santo André, a qual permitiu constatar que o conhecimento da população sobre a tuberculose não está diretamente associado à sua renda ou qualidade de vida, mas sim à vivência prévia da pessoa. Uma das fontes de conhecimento da tuberculose foi a própria USF, o que demonstra a imperatividade de a Unidade de Saúde manter informativos para fornecer um primeiro contato e sensibilizar a população em relação à dimensão das doenças. Por fim, o projeto revelou a urgência da continuidade de um trabalho educativo sobre a tuberculose com a população, com a finalidade de identificar casos já existentes e reduzir novos contágios, assegurando o exercício da medicina preventiva.
Tuberculose, AB, Educação em Saúde, Prevenção
Rebeca Oliveira Biesek, Marcia Regina Cunha, Victor Hengles Teixeira, Vera Márcia dos Santos Salomão, Giovanna Maria Amorim Pereira, Camille Bueno da Conceição, Beatriz Liberal Gimenes, Ana Beatriz Pereira Lima