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Trata-se de uma experiência de monitoramento das notificações de violência contra pessoas idosas registradas pelos serviços de saúde e pela assistência social no SISNOV/SINAN. A partir da vigilância dessas notificações, são desencadeadas ações de cuidado, que incluem busca ativa pelos serviços da Atenção Primária à Saúde (APS), acompanhamento sistemático e encaminhamento à rede de proteção social, com o objetivo de prevenir, enfrentar e minimizar as situações de violência. Considerando o elevado grau de vulnerabilidade dessa população e, muitas vezes, a desassistência por parte dos equipamentos públicos — seja pelo desconhecimento das reais condições de vida dessas pessoas, seja pela fragilidade na garantia de seus direitos previstos nas legislações vigentes —, o cenário exige atenção permanente. O aumento expressivo das notificações, associado ao processo de envelhecimento populacional, acendeu um alerta quanto à necessidade de dar visibilidade a essa realidade. Torna-se fundamental publicizar esse cenário de violência, subsidiando a formulação e o fortalecimento de políticas públicas baseadas na análise dos dados, no perfil dos autores das violências e nas condições de vida das pessoas idosas, que frequentemente se encontram sem rede de apoio familiar e com oferta insuficiente de serviços para atender a essa crescente demanda.
Analisar os desafios relacionados à implementação de estratégias de monitoramento e vigilância das violências, a partir das notificações registradas pela Rede de Atenção à Saúde, visando ao aprimoramento das ações de cuidado e prevenção.
Trata-se de um relato de experiência desenvolvido no âmbito municipal, a partir do monitoramento das notificações de violência contra a pessoa idosa registradas pela Rede de Atenção à Saúde e pela rede socioassistencial. A estratégia envolve a atuação articulada da Coordenação da Assistência à Pessoa Idosa, da Atenção Primária à Saúde (APS) e da Vigilância. O fluxo inicia-se com o registro da notificação no sistema oficial. A unidade notificadora nem sempre possui vínculo prévio com o idoso ou pertence à sua área de abrangência, e, em alguns casos, a pessoa idosa não está inserida regularmente nos serviços públicos. Após a notificação, as informações do caso são encaminhadas à unidade de referência do território por meio do Sistema Eletrônico de Informações (SEI). Realiza-se levantamento territorial para identificar condições de vida, inserção nos serviços de saúde e assistência social e existência de rede de apoio familiar. Com base na análise situacional, são definidas estratégias de intervenção, que incluem busca ativa, acompanhamento pela APS, encaminhamentos à rede socioassistencial e articulação com a rede de proteção, visando ao cuidado integral, à garantia de direitos e ao monitoramento contínuo dos casos.
A experiência de monitoramento das notificações de violência contra a pessoa idosa permitiu avanços significativos na articulação intersetorial entre saúde, assistência social e rede de proteção. Observou-se uma ampliação da busca ativa, com equipes da Atenção Primária à Saúde realizando visitas domiciliares e acompanhando casos de maior vulnerabilidade, garantindo que os idosos fossem devidamente inseridos nos serviços disponíveis no território. O fluxo de encaminhamentos tornou-se mais organizado e ágil, facilitando intervenções oportunas e integradas. Além disso, o monitoramento sistemático contribuiu para dar visibilidade às situações de violência, permitindo identificar padrões quanto aos tipos de violência, perfis dos autores e condições de vida dos idosos. Isso subsidiou a elaboração de estratégias mais direcionadas, fortalecendo a garantia de direitos e promovendo a proteção integral das pessoas idosas. Outro resultado importante foi o fortalecimento da articulação entre os diferentes serviços e setores do município, com troca contínua de informações, acompanhamento compartilhado dos casos e definição de ações conjuntas, o que reduziu lacunas na assistência. A experiência também evidenciou a importância da capacitação das equipes para o reconhecimento precoce de sinais de violência e a necessidade de políticas públicas baseadas em dados, para prevenir e minimizar situações de vulnerabilidade entre os idosos.
A implementação do monitoramento possibilitou maior integração entre a Vigilância em Saúde, a Atenção à Saúde e a rede de proteção, qualificando o fluxo de encaminhamentos e o acompanhamento dos casos. Observou-se ampliação da busca ativa, maior vinculação das pessoas idosas aos serviços do território e intervenções mais oportunas e resolutivas. A estratégia contribuiu para dar visibilidade às situações de violência, fortalecer a garantia de direitos e subsidiar o planejamento de ações preventivas e intersetoriais.
Vigilância monitoramento,cuidado da pessoa idosa
JULIANA MARTINS ORTIZ DE CAMARGO BASSUL, CAMILA MONTEIRO GONCALVES DIAS SILVA