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A adolescência é um período do desenvolvimento humano na qual há busca por grupos e sentimento de pertencimento, o que torna o atendimento grupal um ambiente potente para o desenvolvimento da autonomia, empoderamento e cidadania. A Portaria n° 3.088/11 indica que as ações nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) são desenvolvidas prioritariamente em ambientes coletivos – grupos e oficinas terapêuticas, entre outros – de forma integrada com outros dispositivos de atenção da rede de saúde e outras redes existentes no território. Além de se fundamentar na integralidade do cuidado, atuação territorial, redução de riscos e danos e construção do vínculo terapêutico, baseado em escuta sensível, empatia e acolhimento. Pautados nesses conceitos, foi desenvolvido um projeto junto com o espaço cultural Casa do Hip-hop da cidade de Mauá-SP, iniciado a partir de agosto de 2025, voltado para adolescentes em acompanhamento no CAPS Álcool e Drogas, de 14 a 17 anos, que tenham disponibilidade e desejo de participar do projeto.
Promover o cuidado em saúde, por meio da criação de vínculo com os adolescentes em uso de substâncias que acessam o CAPS AD, através do grupo terapêutico no espaço cultural.
O presente trabalho possui natureza qualitativa. Quanto ao seu tipo de pesquisa, está classificada como uma pesquisa de cunho exploratória por meio de encontros em grupo realizados semanalmente, a partir de 11/09/2025 até os dias atuais. O projeto contou com 5 participantes, sendo 3 mais assíduos. Ocorreram nas instalações da Casa do Hip-hop, com grupos expressivos, onde se utiliza artes e música, grupos operativos com foco psicoeducativo e espaço de partilha, conduzidos por técnicas do CAPS AD e, em alguns momentos, com profissionais da cultura.
A partir do trabalho realizado, foi possível observar como os encontros contribuíram para a construção do vínculo entre as técnicas e os adolescentes mais frequentes. Isso resultou em maior proximidade com o serviço do CAPS Álcool e Drogas, tornando-os mais abertos ao diálogo. Também foi possível perceber redução de danos através da diminuição do uso de substâncias psicoativas e, em alguns casos, diminuição da evasão do acolhimento institucional, tornando o CAPS e a Casa do Hip-hop espaços de confiança para eles.
Considerações finais: Enquanto contribuição social, este trabalho demostrou a importância do vínculo para promover aos adolescentes a compreensão de que o espaço de saúde pode ser um local de proteção, confiança e promoção a saúde. Também foram observadas mudanças no comportamento, como maior demonstração de afeto e perspectiva de futuro. Os adolescentes relataram a importância de ter encontros em um espaço no território, sem “cara de consultório”, diminuindo o preconceito em relação a saúde mental e entendendo que cultura também está ligada a saúde. Os desafios para a continuidade do projeto envolvem dificuldades, como, transporte até o local, conciliar horários dos profissionais da cultura para o desenvolvimento de atividades e assiduidade dos adolescentes em período de férias escolares.
Adolescência, vínculo, CAPS, artes
DENISE LUIZ ALVES LIMA, GIOVANNA DE SOUSA PIMENTEL