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A efetividade da Atenção Primária à Saúde (APS) transcende a infraestrutura física, exigindo dos profissionais competências e habilidades para além da técnica científica. É necessário ética e sensibilidade social para compreender o território como um espaço vivo de relações, cultura e vulnerabilidades. Como estratégia indutora de avanços na integração ensino-serviço-comunidade, destaca-se o Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde (PET-Saúde), que em sua 11ª edição, assume a equidade como temática central, focando no enfrentamento dos preconceitos e desigualdades. Dentre os 150 projetos selecionados, está o “Com Elas no SUS”, que é desenvolvido pelo Município de Bragança Paulista (SP) em parceria com a Universidade São Francisco (USF). Nele, alunos, preceptores e tutores, realizaram inicialmente um diagnóstico situacional com os profissionais da APS, identificando um cotidiano com desafios – barreiras na comunicação e preconceitos interpessoal e estrutural observados entre profissionais e pacientes. Dados os desafios identificados, a experiência a ser apresentada, aborda duas estratégias de intervenção realizadas. A primeira trata das rodas de conversa desenvolvidas com profissionais da APS, com o intuito de valorizar os saberes e vivências do cotidiano, conciliando a base teórica e a discussão crítica sobre o tema. A segunda estratégia foi produzir materiais digitais para a rede social do projeto para que os conceitos e reflexões tivessem maior abrangência.
O objetivo geral da experiência foi instrumentalizar os trabalhadores do SUS para minimizar problemas de comunicação e preconceitos. Dentre os objetivos específicos, incluem-se: 1. Fortalecer as práticas assistenciais no âmbito do SUS, tornando-as mais humanizadas, inclusivas e livres, além de promover um ambiente seguro sem assédio e violência. 2. Iniciar e manter espaços educativos e reflexivos com os trabalhadores dos equipamentos de saúde de Bragança Paulista 3. Fomentar a reflexão sobre o cotidiano laboral, a comunicação não violenta e distinguir identidade de gênero, raça, deficiência e violência, para depois abordar as formas de preconceito, violência e falhas de comunicação no contexto do SUS. 4. Avaliar o impacto das rodas de conversa e dos vídeos nas redes sociais, evidenciando a importância da linguagem acessível e do embasamento científico na construção dos materiais.
Sobre as rodas de conversa, a metodologia foi estruturada para garantir a reprodutibilidade e o engajamento na APS: 1. Logística: Seleção de oito unidades da APS com espaço físico para receber a dinâmica, envolvendo profissionais locais e de unidades vizinhas para ampliar a abrangência. 2. Estrutura Pedagógica: Padronizada em cinco etapas para garantir a reprodutibilidade: a. Apresentação da equipe e do projeto; b. Escuta qualificada das vivências; c. Gamificação; d. Letramento com metodologia dialógica; e. Avaliação por meio de formulário eletrônico. O encerramento das rodas contou com a distribuição de mensagens de empoderamento. A avaliação se deu com o intuito de validar a intencionalidade pedagógica e, no que se refere ao cronograma, já foram trabalhados os temas: Comunicação Não Violenta, Gênero e Racismo, estando previstos até abril do ano corrente: Capacitismo, Etarismo, Violência e Assédio. Sobre os vídeos educativos, a definição dos assuntos prioritários se deu a partir das necessidades identificadas junto às trabalhadoras e futuras profissionais do SUS. A produção audiovisual seguiu rigor técnico e acessibilidade: 1. Planejamento; 2. Construção dos roteiros baseados em referências científicas e documentos oficiais, com linguagem clara e objetiva. 3. Execução: Captação via celular (formato retrato) e edição, incluindo legendas para garantir a acessibilidade e a confiabilidade da informação.
Para cada tema ocorreram oito rodas em unidades distintas, totalizando 24 encontros com duração aproximada de uma hora e trinta minutos. A participação variou de 0 a 13 pessoas (média 5,75), nem sempre com o mesmo público. Em relação ao planejamento inicial, houve substituição de serviços por baixa adesão. Na avaliação, 85,7% concordaram totalmente que adquiriram novos conhecimentos e 71,4% sentem-se aptos a compartilhar o aprendizado. Os comentários foram majoritariamente positivos, elogiando temas, dinâmicas e o espaço de escuta. A satisfação atingiu 90%. Apenas 1 pessoa referiu não ter aprendido algo novo e outra não se sentiu apta a compartilhar. Foram produzidos 24 vídeos curtos postados no Instagram™ @petsaude_braganca_paulista, com reforço nos “stories”. Inicialmente previu-se 5 vídeos por tema, mas alguns seguem em desenvolvimento. As médias foram: 30,2 curtidas; 4,3 comentários; 2,3 repostagens; 8,4 compartilhamentos; 0,4 salvamentos e 620,9 contas alcançadas. As visualizações variaram de 252 a 3.514 (média 991,3). O público foi 82,5% feminino. O vídeo com menor engajamento foi “Funcionalidade para além da deficiência” e o maior foi “Definição de gênero, sexo e orientação”. As maiores interações ocorreram em temas de equidade de gênero e relações de trabalho.
A baixa adesão das rodas de conversa esteve relacionada a limitações organizacionais, como a dificuldade de liberação dos trabalhadores e diferentes níveis de engajamento, como alta demanda de trabalho e pouco reconhecimento da importância dos temas. Ainda assim, a ação promoveu reflexões e contribuiu para o fortalecimento da APS. As oficinas demonstraram grande potencial na educação permanente com possibilidade de fortalecer práticas mais humanizadas. Observa-se que o volume de mídias produzidas é expressivo, contemplando múltiplos temas e público. A principal limitação na gravação e edição foi a qualidade do áudio já que a captação de áudio não foi por microfone as gravações ocorreram em ambientes abertos. A experiência mostra que investir em espaços de diálogo, presenciais ou digitais, com letramento e escuta favorece o desenvolvimento profissional e protagonismo dos trabalhadores da APS. Além de favorecer a continuidade do processo educativo e multiplicar conteúdos voltados à equidade, humanização e promoção de ambientes de trabalho mais acolhedores. A experiência será sustentável com a Secretaria Municipal de Saúde assumindo o papel de organização das rodas e de manter ativa a rede social com reportagens dos vídeos.
Equidade, PET-Saúde, Redes Sociais, Trabalhadores
JULIA ROCHA TORRANO, VANESSA BERTOLETTI NAZARIO, CLARA BEATRIZ AMBROSIO DA SILVA, MONIQUE SILVA CONCEIÇÃO, MONIQUE SILVA CONCEIÇÃO (1), CPF EMAIL SILVAMONIQUE303@GMAIL.COM SOFIA MARINO DE LIMA, WALESKA MATIAS MOREIRA, DANIELLE LUCARINE MENDES ALMEIDA, MAYZA MARCELINA TAVARES CRISPIM, JULIANA MARIA DE OLIVEIRA, KAROLINY SILVA NAGATA, ANNA SYLVIA LIMA MORESI, RENATA CRISTOFANI MARTINS, LISAMARA DIAS DE OLIVEIRA NEGRINI, CARMEM SILVIA GUARIENTE, CRISTIANE CHIARION VIDIRI