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O Diabetes Mellitus Tipo 1 exige manejo intensivo desde a infância, e o controle inadequado nessa fase está associado a complicações que impactam diretamente a qualidade e a expectativa de vida ao longo do envelhecimento. Em 2023, o município de São Sebastião iniciou o fornecimento de sensores de monitoramento contínuo da glicose para 12 crianças até 16 anos, diante da dificuldade de adesão ao teste capilar tradicional e da necessidade de qualificar o cuidado. A experiência evoluiu e, em 2026, foi formalizado Protocolo Municipal, com ampliação da faixa etária até 20 anos e inclusão de gestantes de alto risco. O programa ocorre nas Unidades de Saúde da Família, integrado à Assistência Farmacêutica especializada. O sensor passou a ser ferramenta educativa de autocuidado, com critérios técnicos de inclusão, acompanhamento farmacêutico e avaliação médica periódica. A iniciativa fortalece a equidade ao garantir acesso regulado à tecnologia de alto custo para população vulnerável, estruturando cuidado longitudinal e prevenindo complicações futuras
Estruturar política municipal de acesso regulado ao monitoramento contínuo da glicose para crianças, adolescentes, jovens e gestantes de alto risco com diabetes, promovendo autonomia no autocuidado e prevenção de complicações. Integrar Assistência Farmacêutica ao cuidado clínico, vinculando o fornecimento à educação em saúde e acompanhamento multiprofissional. Ampliar o acesso equitativo à tecnologia no SUS municipal e consolidar modelo sustentável de uso racional, com foco na construção de trajetórias de envelhecimento mais saudáveis.
A experiência iniciou-se em 2023 com 12 pacientes pediátricos. A partir da consolidação da prática, foi elaborado e publicado Protocolo Municipal com critérios objetivos de inclusão, manutenção e exclusão. Atualmente o programa acompanha 37 usuários ativos, incluindo crianças, adolescentes, jovens até 20 anos e gestantes de alto risco. O ingresso exige documentação clínica, exames atualizados e relatório de especialista. A dispensação ocorre pela Assistência Farmacêutica de Insumos Especiais. A manutenção depende de acompanhamento farmacêutico semestral, reavaliação anual por endocrinologista, uso mínimo de 70% do sensor e sincronização periódica dos dados digitais para análise da equipe. O usuário assina termo de comprometimento, participa de atividades educativas e passa por avaliação anual com instrumento padronizado e questionário de qualidade de vida, integrando tecnologia, educação e cuidado longitudinal.
Entre 2023 e 2026 houve ampliação de 12 para 37 usuários acompanhados, com expansão da faixa etária e inclusão de gestantes de alto risco, demonstrando consolidação da política municipal. A formalização do protocolo estruturou critérios técnicos transparentes para acesso e permanência, fortalecendo a governança e o uso racional da tecnologia. Observou-se maior engajamento das famílias e fortalecimento do vínculo com a equipe de saúde. A análise dos relatórios glicêmicos permitiu intervenções terapêuticas mais oportunas e acompanhamento contínuo do tratamento. O questionário de qualidade de vida indicou maior percepção de segurança no controle glicêmico e redução do medo relacionado às hipoglicemias. O programa consolidou modelo que integra monitoramento digital, educação e responsabilidade compartilhada
O envelhecimento digno começa na infância, quando se constroem autonomia e consciência em saúde. Ao garantir acesso equitativo ao monitoramento contínuo da glicose e vinculá-lo a acompanhamento multiprofissional e educação permanente, o município investe na prevenção de complicações que impactariam o SUS no futuro. A experiência demonstra que a Assistência Farmacêutica pode atuar como eixo estratégico do cuidado integral, integrando tecnologia, clínica e equidade. Mais do que fornecer sensores, o programa ensina crianças e jovens a compreender sua condição, fortalecendo trajetórias de vida mais saudáveis e sustentáveis ao longo do envelhecimento.
Envelhecimento, Diabetes tipo 1, Equidade
BIANCA BANDINI FREITAS DE SOUZA