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As Residências Terapêuticas (RTs) são dispositivos fundamentais da Rede de Atenção Psicossocial voltados a desinstitucionalização e a promoção da autonomia de pessoas com histórico de internações psiquiátricas prolongadas. Com o passar dos anos observa-se o envelhecimento progressivo desses moradores, trazendo novos desafios assistenciais, clínicos, sociais e emocionais à equipe multiprofissional. Os profissionais em Residências Terapêuticas (RTs) integram equipes multidisciplinares focadas na desinstitucionalização, reabilitação psicossocial e autonomia dos moradores, promovendo reinserção social, acompanhamento da saúde e medicação, além de fortalecer vínculos familiares. Compreender como os trabalhadores percebem o processo de envelhecimento dos moradores nas RTs é essencial para qualificar o cuidado, fortalecer políticas públicas intersetoriais e promover estratégias de envelhecimento ativo, digno e humanizado no contexto de saúde mental. Diante disso a proposta foi realizar uma ação que envolvesse os profissionais das RTs para compreender a visão de cada um sobre o envelhecimento, os desafios e as sugestões para promover um envelhecimento saudável, considerando as experiências individuais e o compartilhamento dos saberes.
Analisar a percepção dos profissionais que atuam nas RTs no município de Cotia sobre o envelhecimento dos moradores, identificando desafios, necessidades e propostas de melhorias do cuidado. Objetivos Específicos Conhecer a percepção do profissional que atua nas RTs sobre o processo de envelhecimento, considerando seus saberes, experiências e atividades cotidianas. Promover ações para envelhecimento saudável; Promover espaços de reflexão sobre a saúde mental, envelhecimento, autonomia do sujeito; Promover o compartilhamento dos saberes e estratégias de Educação Permanente.
A proposta surgiu por meio da observação do processo de envelhecimento dos moradores e das conversas com a equipe, despertando o interesse de conhecer a visão dos profissionais sobre o tema. Elaborou-se um questionário estruturado no GoogleForms que foi replicado via whatsapp para toda a equipe das RTs, com abordagem quali quantitativa. Responderam ao questionário 19 participantes (Enfermeiros, Técnicos, Auxiliares de Enfermagem, Auxiliares de Serviços Gerais, Cuidadores). O instrumento composto por questões fechadas e abertas abordando: Perfil Profissional: formação, tempo de formação, cursos complementares, tempo de serviço nas RTs. Percepção sobre o envelhecimento: mudanças observadas, o processo de envelhecimento na autonomia dos moradores, se o envelhecimento aumentou a complexidade do cuidado e os desafios encontrados no cuidado. Potencialidade e Boas Práticas: Estratégias consideradas mais eficazes no cuidado ao morador idoso em RTs.. Avaliação Geral: Autoavaliação sobre o preparo para atender o idoso nas RTs e como a equipe pode estimular o protagonismo e a participação ativa dos moradores em seu próprio cuidado. Os dados foram analisados por frequência simples e análise temática.
Houve participação dos trabalhadores, com a maioria de técnicos de enfermagem. O tempo médio de formação foi de 11 a 20 anos; a atuação nas RTs de 6 a 10 anos; 35% com formação complementar em Saúde Mental. 82% perceberam o processo de envelhecimento dos moradores, com mais frequência a dependência no autocuidado e declínio funcional; 98% entendem que o envelhecimento interfere na autonomia e 80% perceberam o aumento na complexidade do cuidado. Os principais desafios foram: uso de vários medicamentos, perda de autonomia, alterações cognitivas, risco de quedas, fragilidade emocional, presença de múltiplas doenças, rede de apoio familiar insuficiente, falta de reintegração na comunidade, sobrecarga do cuidador e o isolamento social, além de estrutura física com necessidade de adaptação, insuficiência de articulação com a rede. As estratégias citadas foram adaptação do ambiente, ações interdisciplinares, cuidado longitudinal e apoio familiar. 75% se auto avaliaram preparados para o atendimento nesse processo. Para estimular o protagonismo foram citados a escuta ativa envolvendo o morador nas decisões sobre seus cuidados, incentivando o autocuidado e a participação nas atividades da rotina, respeitando sua autonomia e limites; incentivo às atividades físicas, domésticas, lúdicas, passeios em grupos; elaboração e execução do projeto terapêutico singular. As sugestões foram a adaptação da residência, melhoria do trabalho em rede, incentivo as atividades, quadro de afazeres.
Os resultados revelam que os profissionais reconhecem o envelhecimento como um processo complexo que exige reorganização do cuidado nas RTs. Destaca-se a necessidade do fortalecimento da rede e de práticas interdisciplinares centradas na pessoa. Evidenciou-se que o envelhecimento dos moradores das Residências Terapêuticas em Cotia representa um desafio crescente para as equipes, exigindo investimentos em formação profissional, adaptação do ambiente, infraestrutura e ampliação do trabalho em rede. Outro fator importante é a integração entre a família, o serviço e a comunidade no processo onde o cuidado se constrói como possibilidade, não apenas mediante o convite para participação, mas por meio do investimento cotidiano na qualidade das relações entre os atores envolvidos no processo. O olhar dos trabalhadores sobre o processo de envelhecimento mostrou uma estratégia potente para identificar lacunas e produzir mudanças institucionais alinhadas aos princípios da Reforma Psiquiátrica e da Politica Nacional de Humanização. Valorizar a percepção dos profissionais contribui para o aprimoramento do cuidado, promoção da dignidade e garantia do direito ao envelhecimento saudável.
Envelhecimento, Residência Terapêutica
TANIA CLAUDIA INACIO BARBOSA, CRISLAINE SANTOS DE ALMEIDA, SUELI GONZAGA, ISABEL CRISTINA SILVA, THAMIRES VIEIRA