Siga a gente
Av. Angélica, 2466 - 17º Andar
Consolação - São Paulo / SP
CEP 01228-200
55 11 3083-7225
cosemssp@cosemssp.org.br
O processo de transição demográfica no Brasil, caracterizado pelo aumento significativo da expectativa de vida, impõe novos desafios aos sistemas de saúde e à Vigilância Sanitária (VISA), especialmente no que tange ao controle e fiscalização de estabelecimentos farmacêuticos (1). Esse fenômeno, que vem provocando fissuras nas variáveis demográficas visíveis nas representações gráficas da pirâmide etária populacional desde a década de 1950, demanda uma reestruturação das estratégias de inspeção para garantir a segurança sanitária em um cenário de elevado uso de medicamentos por essa faixa etária (2,3). A maior longevidade, embora represente um avanço para a humanidade, exige planejamento para que o envelhecimento ocorra com qualidade de vida, mantendo a autonomia e a capacidade funcional dos indivíduos (4). Nesse contexto, o elevado consumo de medicamentos pela população idosa, muitas vezes caracterizado pela polifarmácia, aumenta a susceptibilidade a interações medicamentosas e a eventos adversos, tornando a atuação da Vigilância Sanitária em drogarias um componente crítico para a proteção da saúde pública (5,6).
O presente estudo tem como objetivo analisar os desafios e as perspectivas da Vigilância Sanitária na inspeção de drogarias, considerando o impacto do envelhecimento populacional sobre o uso de medicamentos e a necessidade de garantir a segurança sanitária deste grupo etário vulnerável. Trata-se de uma revisão bibliográfica de caráter descritivo e exploratório, que utilizou como base dados demográficos e estudos sobre a atenção farmacêutica para contextualizar a atuação da Vigilância Sanitária frente à transição epidemiológica e ao aumento da demanda por medicamentos em idosos (7,8).
Trata-se de uma revisão bibliográfica de caráter descritivo e exploratório, realizada por meio da consulta a bases de dados científicas e documentos oficiais que abordam a temática do envelhecimento populacional, a utilização de medicamentos por idosos e as normativas da VISA aplicadas a drogarias (9,10). A experiência de desenvolvimento consistiu na busca e análise sistemática de literatura científica e dados demográficos relevantes. O estudo foi conduzido pela equipe técnica da VISA do município de Suzano, que realizou as atividades de levantamento bibliográfico e síntese informacional. Foram efetuadas buscas em bases de dados eletrônicas, utilizando descritores relacionados à atenção farmacêutica, polifarmácia em idosos, vigilância sanitária e transição demográfica. Adicionalmente, foram consultados dados demográficos oficiais para fundamentar a contextualização do envelhecimento populacional e o consequente impacto no uso de medicamentos. Os estudos selecionados foram analisados criticamente para identificar os principais desafios e propor perspectivas para a inspeção e fiscalização em drogarias, considerando as particularidades da população idosa. O foco foi a compilação e interpretação do conhecimento existente para embasar as discussões do trabalho.
A análise da literatura revelou que a polifarmácia e as alterações fisiológicas inerentes ao envelhecimento podem causar modificações significativas nos regimes farmacocinéticos e farmacodinâmicos dos medicamentos, tornando os idosos mais suscetíveis a efeitos adversos que impactam as internações hospitalares e os custos em saúde (11). Estudos indicam que a média de medicamentos utilizados por idosos é de 3,8, podendo chegar a seis dependendo de variáveis como recursos financeiros e idade, sendo a polifarmácia mais frequente em mulheres e em pessoas com múltiplas comorbidades (10). Essa vulnerabilidade é acentuada pelas alterações na farmacocinética e farmacodinâmica que ocorrem com o avançar da idade, as quais aumentam o risco de toxicidade e exigem maior rigor na avaliação da segurança dos medicamentos dispensados (12,13). A fiscalização sanitária, portanto, deve transcender a verificação de aspectos físicos e documentais para incorporar a análise de riscos associados à dispensação de medicamentos potencialmente inapropriados para idosos, como benzodiazepínicos e inibidores da bomba de prótons, cuja prevalência de uso varia entre 24,8% e 57,97% nesta população (14). Nesse sentido, a atuação do farmacêutico na dispensação torna-se fundamental para evitar problemas relacionados a medicamentos, visto que a literatura aponta que muitos profissionais não realizam adequadamente as atividades de acolhimento, análise da prescrição e orientação sobre o tratamento medicamentoso (15).
A atuação integrada da Vigilância Sanitária e dos profissionais farmacêuticos é essencial para mitigar os riscos associados à polifarmácia e garantir o uso racional de medicamentos pela população idosa, protegendo assim a saúde pública frente ao cenário de envelhecimento demográfico (16,17). É imperativo que as ações de fiscalização priorizem a verificação da assistência farmacêutica oferecida, assegurando que as drogarias cumpram seu papel social na promoção do uso racional e na prevenção de eventos adversos que comprometem a segurança do paciente idoso (18,19). A implementação de programas educativos e o uso de tecnologias de suporte à decisão clínica são necessários para promover o uso racional de medicamentos e melhorar a qualidade de vida dessa população (14). Portanto, o fortalecimento das estratégias de inspeção sanitária, aliado à qualificação profissional, constitui um pilar fundamental para a promoção de um envelhecimento ativo e saudável.
envelhecimento, polifarmácia, vigilância sanitária
RODRIGO CHRISTIANO HILARIO MOREIRA, ARIANE FRIZON MACHADO, CARMEN LÚCIA LORENTE, EDGARD ONODA LUIZ CALDAS, EWERTON MENDES ROSA, FLÁVIA MARCHETTI RODRIGUES DO NASCIMENTO, MARCIO ALVES VIEIRA, MARIANA CRISTINA DA SILVA CANHOTO, ALINY GRASIELLY CLAUDINO OLIVEIRA, ENZO CARMAGO FERREIRA