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O Programa Saúde na Escola (PSE) é uma estratégia intersetorial do SUS e da Educação para promoção da saúde e desenvolvimento integral de crianças e adolescentes, impactando trajetórias de vida e reduzindo iniquidades. Em São Paulo, a experiência ocorre em escolas municipais, articulando Unidades Básicas de Saúde (UBS), equipes da Atenção Primária à Saúde (APS) e gestão escolar. As ações buscam desenvolver competências em saúde desde cedo: alimentação adequada, atividade física, prevenção da obesidade, prevenção ao uso de álcool e outras drogas, saúde mental e autocuidado, verificação vacinal, saúde bucal, prevenção de violências, saúde sexual e reprodutiva, cidadania e direitos humanos, temas que se conectam à longevidade digna e com equidade. Participam estudantes do ensino fundamental, equipes de enfermagem, saúde bucal, medicina, educação física, psicologia, equipe pedagógica, famílias e conselhos escolares. A população beneficiada inclui crianças e adolescentes em vulnerabilidade social, priorizando territórios com indicadores de risco e demanda reprimida. A experiência fortalece o SUS municipal ao promover prevenção, ampliar vínculo com a APS, qualificar o cuidado territorial e cultivar habilidades para a vida que sustentam um envelhecer saudável e participativo, reduzindo riscos acumulados e a determinação social adversa desde a infância.
– Promover competências em saúde e habilidades para a vida em crianças e adolescentes, criando bases para envelhecimento saudável e equitativo; – Integrar ações de APS e escolas para qualificar a prevenção e o cuidado integral, com enfoque em cultura de paz, saúde mental, alimentação e atividade física; – Fortalecer o vínculo dos estudantes e famílias com a rede SUS e os serviços do território, ampliando acesso e continuidade do cuidado; – Prevenir agravos prioritários (uso de substâncias, violências, sedentarismo, agravos bucais) por meio de educação em saúde participativa e práticas corporais; – Desenvolver protagonismo juvenil e cidadania, incluindo participação em rodas, oficinas, campanhas e monitoramento de projetos de saúde na escola; – Fomentar equidade com foco em escolas de territórios prioritários e ações culturalmente sensíveis e intersetoriais.
A experiência é intersetorial, com pactuação entre APS, gestão escolar e territórios. Etapas: (1) diagnóstico situacional escolar e territorial (mapa de vulnerabilidades, demandas priorizadas em conselho escolar e equipe de saúde); (2) plano de ação semestral, com cronograma por eixo temático (alimentação, atividade física, saúde mental, prevenção de violências e ao uso de drogas, saúde bucal, saúde sexual e reprodutiva, cidadania e direitos humanos); (3) execução de atividades educativas e práticas integradas: rodas de conversa, oficinas lúdicas, itinerários formativos por faixas etárias, ações de práticas corporais, escovódromo e avaliação de saúde bucal, campanhas temáticas e ações de prevenção ao uso de drogas (#Tamojunto), formação de multiplicadores jovens e ações de contraturno; (4) cuidado integral articulado à APS: convites ativos, agendamento qualificado, busca de faltosos, encaminhamentos e retorno com plano de cuidado; (5) envolvimento de famílias e comunidade escolar em encontros, feiras de saúde e pactos de convivência; (6) monitoramento participativo com instrumentos simples (registros em planilhas e diários de bordo, avaliação formativa com estudantes e docentes, indicadores de processo). Serviços envolvidos: UBS, equipe Multiprofissional (eMulti), saúde bucal, vigilância em saúde, CRAS/CREAS quando necessário, e conselhos escolares. Participaram profissionais de enfermagem, saúde bucal, psicologia, educação física, assistência social e equipe pedagógica.
Observou-se maior engajamento dos estudantes nas atividades e fortalecimento do vínculo escola e APS, com aumento de adesão a rodas e oficinas e maior circulação de informações de saúde entre pares e famílias. As ações de práticas corporais e alimentação adequada favoreceram apropriação de conhecimentos e atitudes saudáveis (relatos de professores e estudantes sobre mudanças no lanche, organização de grupos para brincar e se movimentar). Nas rodas de prevenção ao uso de drogas e em saúde mental, jovens relataram reconhecimento de riscos, busca de ajuda e ampliação do repertório de enfrentamento (comunicação não violenta, rede de apoio, serviços do território). O escovódromo e avaliação de saúde bucal promoveram autocuidado e encaminhamentos oportunos. Houve reforço da cultura de paz, diminuição de conflitos em sala relatada por docentes, e incorporação de pactos de convivência. O acesso ao SUS foi facilitado pela presença da equipe na escola, com agendamentos e acolhimentos mais ágeis, qualificando a continuidade do cuidado. Em territórios prioritários, a abordagem equitativa reduziu barreiras culturais e logísticas. Os estudantes assumiram protagonismo em campanhas e atividades, ampliando participação cidadã e senso de pertencimento. Esses resultados, ainda em consolidação, sinalizam contribuição para trajetórias mais saudáveis e bases de um envelhecer digno e equitativo ao longo do curso de vida.
A experiência demonstra que investir no “EnvelheSer desde cedo” é estratégico para o SUS municipal, na promoção de saúde e o cuidado integral na escola, articulados à APS, constroem capital de saúde, reduzem iniquidades e fortalecem vínculos comunitários. O PSE, ao integrar prevenção, práticas corporais, alimentação adequada, saúde mental, saúde bucal, vacinação e prevenção de violências e uso de drogas, forma competências que se acumulam positivamente ao longo do curso de vida, impactando longevidade com dignidade. A intersetorialidade e a participação ativa de estudantes, famílias e docentes são centrais para sustentabilidade. Como próximos passos, propõe-se: aprofundar o monitoramento (indicadores simples e avaliação participativa), ampliar cobertura em territórios prioritários, fortalecer formação continuada de profissionais e multiplicadores jovens, integrar dados da APS e da escola para cuidado longitudinal, e consolidar estratégias acessíveis e culturalmente sensíveis. A experiência reforça que equidade também se constrói no cotidiano escolar, com o SUS presente, escutando e cocriando soluções com a comunidade.
Programa Saúde na Escola, Atenção Primária Saúde.
ATHENE MARIA DE MARCO FRANÇA MAURO, MARIA LUIZA FRANCO GARCIA