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A Equoterapia é um método terapêutico que, junto ao cavalo e seu ambiente, no contexto interdisciplinar, busca o desenvolvimento biopsicossocial do ser humano. Este tipo de terapia engloba todas as atividades e técnicas que utilizam o cavalo como mediador, visando educar ou reabilitar indivíduos que apresentam algum tipo de deficiência, seja física e/ou psíquica. O cavalo gera movimentos tridimensionais e estes promovem grande variedade de estímulos sensoriais, como a visão, tato, olfato e audição, favorecendo a conscientização corporal, desenvolvimento da força muscular, equilíbrio, ajuste de tônus, coordenação motora dentre outros. Os Transtornos do Espectro Autista (TEA) são um grupo de desordens complexas, sendo os principais eixos comprometidos: sociais, comunicação e os comportamentos restritivos e repetitivos. As crianças com TEA se beneficiam da terapia assistida com equinos, obtendo avanços na saúde mental, bem como interação social, regulação emocional, melhora na atenção e concentração. Este projeto justifica-se pela intenção de mostrar a experiência do trabalho em grupo assistido por uma equipe multidisciplinar, auxiliando no desenvolvimento biopsicossocial de crianças com TEA, utilizando a Equoterapia como recurso terapêutico.
O objetivo deste trabalho é evidenciar que o atendimento em grupo pela Equoterapia, pode proporcionar ganhos substanciais e perceptíveis nos aspectos biopsicossociais nas crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA)
Este trabalho é descritivo e referência os atendimentos terapêuticos que foram oferecidos no Centro Municipal de Equoterapia Governador Mario Covas localizado no município de São Bernardo do Campo – São Paulo. Após decisão técnica e análise do prontuário dos praticantes, a equipe da Equoterapia foi responsável por avaliar e efetivar a inclusão dos perfis aderentes ao programa. O Projeto Cavalinho iniciou-se em Julho de 2022 (Projeto Piloto), onde foi aplicado um questionário não validado aos responsáveis constituído por grupo fechado com duração de 6 meses. O grupo atual com início em Janeiro de 2023, possui público alvo de crianças encaminhadas pelo Centro de Atenção Psicossocial Infanto Juvenil (CAPS) de São Bernardo do Campo, onde, dentre todos os perfis avaliados, foram selecionados 24 praticantes com faixa etária entre 4 e 9 anos. As atividades envolvidas foram: cuidados com os animais durante as sessões tal como alimentação (fornecendo feno), participar da escovação da crina do animal, utilizando pente e escova, cuidados com aparência (embelezamento do cavalo), participar da atividade de banho do animal, condução e montaria. Inicialmente foi realizado uma avaliação elaborada pelos autores e ao término foi aplicado um questionário não validado e uma reavaliação respondida pelos cuidadores das crianças com o objetivo de avaliar os avanços percebidos. O questionário e reavaliação consiste em queixas trazidas na avaliação inicial
Dentre os 24 praticantes incluídos no projeto, 06 ficaram inativos devido a questões pessoais e médicas, restando 18 praticantes, os quais responderam o questionário elaborado. O instrumento apresenta os seguintes aspectos: irritabilidade, tolerância, sensibilidade tátil, contato com animais, autonomia, agitação, comunicação, insegurança e interação social. Analisando os resultados, observamos que 4 aspectos se destacaram: interação social, comunicação, sensibilidade tátil, contato com os animais. Mediante a este resultado, podemos afirmar que o contato com o animal favoreceu a integração sensorial, melhorando a sensibilidade tátil e o contato social com os demais, permitindo um contato afetivo e uma melhora nas relações sociais de uma forma geral. Ao término do grupo uma reavaliação foi aplicada aos pais para evidenciar aspectos referentes a Avd´s e Socialização. Cuidados com o corpo, preparação de refeições, realização de tarefas domésticas, interações interpessoais básicas, relações familiares, recreação e lazer, lidar com estresse e outras demandas psicológicas. Em análise observamos que se destacaram os aspectos: interações interpessoais básicas, relações familiares, recreação/lazer e lidar com estresse e outras demandas psicológicas. No presente estudo não obtivemos resultados esperados para a atividades de vida diária, porém a grande maioria apresentou resultados significativos na interação social
Segundo Bender e Guarany (2016) os atendimentos grupais favorecem a melhora nas interações sociais e envolvendo aspectos como linguagem, desenvolvimento cognitivo, autoconhecimento e conhecimento da existência do outro. Sendo a interação social uma das dificuldades no TEA, observou-se que as atividades em grupo nos atendimentos de Equoterapia são importantes para o desenvolvimento, tanto da interação social, quanto nas aquisições de habilidades como autonomia e tolerância ao tempo de espera, as quais segundo relatos dos responsáveis transcenderam do espaço terapêutico para o dia a dia das crianças.
Equoterapia/ Autismo/ Tratamento em grupo
Vanessa Afonso Saraiva, Sonia Batista Ferreira, Bernardo de Paula Conceição