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O suicídio, o uso abusivo de substâncias psicoativas e o sofrimento psíquico são importantes problemas de saúde pública, que podem afetar diferentes pessoas, independente de suas condições, origens, orientações sexuais e identidades de gênero. A informação sobre o tema, o falar e o acolher são ferramentas muito importantes para o apoio emocional, aliviar o sofrimento, e também os estigmas confrontados a pessoa com tentativa e/ou ideação suicida, uso abusivo de álcool e outras drogas e sofrimento mental. Os serviços de saúde devem atentar-se aos pacientes, aos sinais emitidos e os fatores de risco. O acolhimento, o acompanhamento e os recursos terapêuticos do tratamento formam uma rede de proteção e redução de risco. Considerando-se isso, desenvolvemos o presente trabalho. A ideia é fazer os pacientes chegarem a um serviço de saúde, a fim de obterem acolhimento em saúde mental, para serem vinculados e ligados ao PTS (Projeto Terapêutico Singular) proposto pela equipe, seja no CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) ou na UBS (Unidade Básica de Saúde), conforme necessidade de cada caso, após atendimento de urgência no PA. Assim, após o atendimento na UE (Urgência e Emergência), os pacientes que apresentarem tal quadro poderão ser absorvidos pela Rede de Saúde, a fim de obterem acompanhamento em saúde mental, evitando-se, dessa forma, novas atendimentos pelos mesmos motivos.
OBJETIVO GERAL: Prevenir possíveis suicídios, casos de sofrimento mental e abuso de álcool e outras drogas tendo uma rede de apoio na Saúde, pois são episódios agudos evitáveis. OBJETIVOS ESPECÍFICOS Encaminhar o caso de pacientes com sofrimento mental a fim de inseri-los na APS (Atenção Primaria em Saúde) e/ou CAPS para, assim, dar início ou continuidade ao tratamento preventivo ou curativo em cuidados de saúde mental no território; Compartilhar com a atenção básica, CAPS e Redes de Atenção os casos agu6dos de pacientes que chegam na UE, para obter-se conhecimento de cada caso e oferecer acolhimento na Rede de Saúde; Inserir os pacientes em sofrimento psíquico, com quadro de tentativa de suicídio ou intoxicação exógena por álcool e outras drogas, nos serviços da Rede de Saúde, promovendo melhor qualidade de vida e tratamento adequado aos casos apresentados.
Realização de um levantamento de pacientes que deram entrada no PA Paraventi no período de janeiro a junho de 2024 com HD de intoxicação exógena provocada (excluídas as intoxicações acidentais), tentativa de suicídio e quadro de ansiedade generalizada. Estes são incluídos no fluxo de atendimento as vítimas de sofrimento mental da Unidade, com encaminhamento para a rede especializada e UBS, conforme cada caso. Durante o atendimento é feita a orientação para, no pós-alta, os pacientes poderem procurar um serviço de saúde para acolhimento e tratamento. Após a alta do atendimento do PA ou a transferência hospitalar, o Serviço Social faz relatório informativo para a Rede Básica de Saúde, CAPS, Vigilância, RAPS (Rede de Atenção Psicossocial) Rede AB (Atenção Básica) e RUE (Rede de Urgência e Emergência) com informações dos pacientes, com detalhamento dos casos, e solicita a possibilidade de busca ativa e o acolhimento para sensibilização, inserção e/ou continuidade do atendimento na UBS do território, ou no CAPS, conforme a gravidade de cada caso. Com isso, esperamos ser menor o número de pacientes com novas tentativas de suicídio, sofrimento mental ou intoxicação exógena no serviço de urgência.
Na pesquisa no PA Paraventi foram encontrados 28 pacientes (42,86% homens e 57,14% mulheres). As idades de 17 a 19 anos eram 17,86% pacientes, de 20 a 59 anos eram 78,57% e maior de 60 anos 3,57%. Desse total, 46,43% apresentaram episódios de tentativa de suicídio, 39,28% de intoxicação exógena com álcool e outras drogas e 14,29% de sofrimento mental. Isso não significa um fator não estar estritamente ligado a outro, como sofrimento mental e ideação suicida, intoxicação exógena e tentativa de autoextermínio. Observa-se, com base nos casos supracitados, a relação direta entre os três fatores verificados, tornando urgente estratégias mais efetivas para abordar essas problemáticas e desenvolver intervenções, a fim de minimizá-las o máximo possível. Destes, 46,43% tinham matricula em algum serviço de saúde. 17,86% não foram localizados no sistema ou pela UBS, 3,57% mudou de Estado e 3,57% tinha convênio médico. Não foi registrado nenhum óbito nesse período. Através dos relatórios compartilhados com as UBS e RUE, Vigilâcia e RAPS, conseguimos que 64,29% dos pacientes tivessem atendimentos na UBS e/ou CAPS para acolhimento ou consulta de rotina em saúde, para possível adesão a um tratamento.
O suicídio é o resultado de uma soma de fatores de risco, como a dependência química, que funciona como a busca de alívio do sofrimento enfrentado, bem como os transtornos afetivos. Pacientes podem e devem ser tratados de depressão, ansiedade, abuso de substâncias psicoativas, tentativas de suicídio, ofertados na Rede de Saúde, tanto na atenção básica, quanto nos CAPS ou Especialidade, para casos de maior complexidade. O município de Guarulhos oferece programas voltados para atenção em saúde mental, álcool e outras drogas, os quais objetivam assegurar o acesso, oferecendo o cuidado integral necessário aos casos de sofrimento psíquico de pacientes e uso abusivo de álcool e outras drogas. É fundamental difundi-los e facilitar o acesso a esses serviços aos pacientes em risco leve, moderado ou grave. Importante ressaltar sempre que o suicídio pode ser prevenido! E, como profissionais de serviços de saúde, precisamos de atenção especial aos pacientes e aos sinais emitidos. Para isso, o acolhimento daqueles que ainda não foram inseridos no serviço de Saúde, e chegam em fase crítica, com tentativas anteriores de suicídio, uso abusivo de medicamento, álcool e outras drogas e intenso sofrimento mental torna-se essencial.
suicídio, sofrimento, uso de drogas, UBS, CAPS
CRISTIANE SOLIMÃ CARREIRA GOBATTO, MARCELO CORDEIRO BARRETO DE OLIVEIRA, RITA DE CÁSSIA ALVES BEZERRA