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Escrever é como mergulhar em nossa própria essência e nos possibilita traduzir sentimentos e emoções em palavras. A música utiliza-se do recurso textual para complementar a linguagem sonora inerente a ela. Em muitos casos a música consegue transmitir o que as palavras não conseguem. Pessoas com dificuldades em expressar-se verbalmente podem, através da música e com o auxílio do profissional, desenvolver novas habilidades sociais, tais como comunicar-se melhor, favorecendo a expressão das vicissitudes de seu mundo interno. Deste casamento entre o som e a palavra nasce a Composição Musical, um caminho pelo qual podemos elaborar situações do passado ou mesmo construir e transformar o presente e o futuro dentro de um processo terapêutico, como acontece na musicoterapia. Segundo BRUSCIA (2014 p.45) “Musicoterapia é a utilização da música e/ou seus elementos (som, ritmo, melodia e harmonia) com um cliente ou grupo, em um processo terapêutico, com a intenção de promover mudanças no comportamento, na saúde mental, nas habilidades sociais e na comunicação”. A musicoterapia é uma Prática Integrativa e Complementar em Saúde (PICS) na qual o indivíduo pode se expressar, projetar seu mundo, necessidades, desejos, conflitos compartilhar momentos significativos de sua história com o grupo e desenvolver seu potencial, favorecendo que pacientes melhorem da saúde física, emocional e psíquica dentro do SUS.
Geral: Propiciar aos participantes um espaço para facilitar a expressão de sentimentos e emoções por meio da escrita e da música, ressignificando momentos individualmente ou em grupo. Específicos: •Trabalhar a criatividade •Ressignificar momentos marcantes da própria história •Propiciar autoconhecimento •Favorecer o desenvolvimento de potencialidades •Possibilitar a convivência e o compartilhamento em grupo Baseada nas técnicas musicoterapêuticas de Re-criação e Composição Musical, a atividade visa incentivar e valorizar a expressão de cada participante, assim como a recuperação da autoestima e o desenvolvimento de seus talentos artísticos. Ao revisitar momentos importantes da história de vida, conflituosos ou agradáveis, trabalhamos a identidade do sujeito, abrindo caminho para elaborar conflitos e gerar maior autoconhecimento. No âmbito grupal, através das músicas desenvolvemos o sentimento de pertencimento ao grupo e a inclusão social, valores e princípios grupais.
Inicialmente na Composição Musical buscamos junto aos participantes o tema que cada um deseja trabalhar em sua composição própria. A partir da definição do tema seguimos para a etapa da escrita, onde o participante deverá passar para o papel suas memórias e percepções acerca daquele tema. Se o participante já tiver algo escrito previamente poderá trazer sua produção para a oficina. Caso o participante não seja alfabetizado ele pode fazer um relato verbal acerca da temática escolhida enquanto o profissional irá redigir este relato. Com o texto finalizado buscamos transformar o escrito para um formato de letra musical, que geralmente é mais conciso do que um texto narrativo, se aproximando mais à estrutura de um poema. Ao final desta etapa encontramos um gênero musical que melhor se enquadre à letra produzida, para enfim definir o ritmo, melodia e harmonia da música. Na Re-criação Musical é realizada a substituição de frases ou palavras de uma canção já composta anteriormente mantendo-se a melodia e a harmonia originais. Na substituição da letra o participante tem a oportunidade de expressar conteúdos próprios utilizando uma canção já conhecida e familiar a ele, que já carrega uma valência emocional. Uma terceira possibilidade de atuação na oficina é a escolha de um tema em comum relevante para todo o grupo, objetivando a criação conjunta de uma música nova ou uma re-criação. A todo momento a possibilidade de dançar também é favorecida enquanto meio de expressão.
Desde 2022 foram 155 atendimentos realizados, impactando mais de 40 participantes. Ao longo destes encontros compusemos, entre re-criações e canções autorais, um total de 27 músicas. Diversos temas relevantes nos relatos pessoais já foram explorados nas criações musicais, tais como: contato com a natureza, infância, adolescência, família, amizade, espiritualidade, luto, maternidade, entre outros. Alguns resultados desta prática foram: – Favorecimento da criatividade e expressão musical – Ressignificação de momentos marcantes da identidade – Aumento do autoconhecimento, bem-estar e autoestima; – Favorecimento da inclusão social; – Percepção e exploração corporal ao realizar danças e movimentos; – Promoção de saúde e bem-estar fortalecendo relacionamentos interpessoais e conexões sociais. Uma série de músicas criadas na oficina foram apresentadas na Mostra de Experiências Exitosas do Território da Vila Maria/Vila Guilherme/Vila Medeiros e em apresentações de Sarau no Cecco Trote. Um trabalho sobre esta oficina foi inscrito no Encontro Municipal de Saúde Integrativa – PICS 2024 na cidade de São Paulo, fez parte do e-book Experiências Exitosas em PICS 2024 e posteriormente foi selecionado para apresentação oral neste mesmo evento, contando com a apresentação de uma das músicas da oficina. No ano seguinte uma matéria sobre a oficina e seus benefícios foi veiculada no site da prefeitura de São Paulo.
Sendo a musicalidade um atributo universal o trabalho com a música, desde que realizado de forma ética e baseado em conhecimento científico a fim de não causar iatrogenia, pode ser utilizado para atuação com públicos das mais diversas faixas etárias, da gestação à terceira idade; em condição de vulnerabilidade social ou não; pessoas com necessidades especiais; em situação de violência; enlutados; em sofrimento psíquico ou com transtornos mentais, entre outros. Considero a Re-Criação e Composição Musical como contribuições valiosas da Musicoterapia (oficializada recentemente no Brasil como profissão por meio da lei nº 14.842, de 2024) enquanto estratégia de cuidado em saúde, sendo esta PICS um precioso canal de comunicação, criação de vínculo terapêutico e mobilização de afetos para melhorar a qualidade de vida da população.
escrever
MARCEL DE LIMA MARIGO