Siga a gente
Av. Angélica, 2466 - 17º Andar
Consolação - São Paulo / SP
CEP 01228-200
55 11 3083-7225
cosemssp@cosemssp.org.br
A Asfixia Perinatal (AP) ou Encefalopatia Hipóxico-Isquêmica (EHI) são doenças altamente prevalentes e com alta morbimortalidade. A Hipotermia Terapêutica (HT) é uma terapia eficaz para estes casos sendo reconhecida por ser um tratamento neuroprotetor, capaz de reduzir sequelas e mortalidade do recém-nascido (RN) com tais diagnósticos. Na literatura há diversos estudos clínicos randomizados e metanálise com evidências do efeito benéfico da realização de Hipotermia Terapêutica em recém nascidos com AP. Na Unidade Neonatal este método deve ser iniciado em até 6 horas após o nascimento e consiste em resfriar de forma gradual numa taxa média de 0,2 a 0,5 º Celsius até atingir entre 33º a 34º Celsius mantendo por 72h. Após este período inicia-se o reaquecimento também de forma gradual numa taxa média de 0,2 a 0,5 º Celsius até atingir 36,4 a 36,8 º C sempre sob monitorização rigorosa. A Maternidade Amador Aguiar é referência Hospitalar na atenção à saúde em gestação de alto risco conforme a portaria nº 657 de 31 de julho de 2014, e por ser referência é passível de atendimentos a RN com diagnóstico de AP. Diante deste cenário foi inerente desenvolver estratégias assistências e gerenciais para implantação o Protocolo de Hipotermia Terapêutica PHT.
Descrever os passos gerenciais e assistenciais que culminaram para o sucesso da implantação do protocolo de hipotermia terapêutica em RNs internados em uma Maternidade Pública referência da rede municipal de saúde.
Os métodos para implantação efetiva do PHT foram: (1) Brainstorming com a equipe assistencial direta e gestores sobre a importância do protocolo e faseamento da implantação;(2) Levantamento dos insumos e equipamentos necessários para aplicação do protocolo;(3) Visitas técnicas e conversa com gestores de diversas instituições que já realizavam a hipotermia terapêutica em unidade neonatal;(4) Realização de curso externo específico sobre hipotermia terapêutica;(5) Reunião entre a equipe médica e de enfermagem com o feedback das visitas para alinhamento do protocolo;(6) Realização do descritivo do Protocolo de Hipotermia terapêutica e Procedimento Operacional Padrão POP;(7)Treinamento da equipe assistencial in loco com simulação;(8)Revisão do protocolo e avaliação dos profissionais executores.
A participação da equipe da assistência direta foi essencial para o sucesso na implantação pois através desta foi possível compreender todos os aspectos e impactos assistenciais além das necessidades do conhecimento técnico da equipe que presta a assistência. As visitas técnicas foram imprescindíveis para nortear os profissionais e a gestão no andamento de cada fase do protocolo (profissionais de enfermagem diretamente envolvidos, insumos, equipamentos e conhecimentos necessários, ações em casos de intercorrências) visando garantir a segurança do paciente e do profissional envolvido no PHT. Foi imprescindível a avaliação de insumos e equipamentos e deixá-los exclusivos para o PHT (fonte de calor radiante desligada, suporte ventilatório invasivo ou não invasivo, monitor multiparamétrico com termômetro retal, material para cateterismo umbilical, bomba de infusão contínua, pacotes de gelo reciclável, equipe para realização de eletroencefalograma). Toda a parte de descritivos norteadores para execução do PHT foram realizadas (termo de orientação aos pais do RN submetido ao PHT, PHT e Procedimento Operacional Padrão, fluxos contendo os critérios de inclusão e exclusão, ficha específica com controle de temperatura). A demanda de trabalho no setor foi resolvida com planejamento e capacitação da equipe, realizando treinamento in loco com simulação e participação ativa dos profissionais da unidade neonatal utilizando o equipamento, fluxos e descritivos específicos.
O PHT foi implantado com sucesso num contexto de melhoria contínua de processos assistenciais e de gestão, com impactos positivos na qualidade e sobrevida dos RNs. Salienta-se a importância da educação permanente neste processo visto que este protocolo afortunadamente não é muito utilizado na instituição, mostrando assim que os casos de EHI são atípicos. Concluímos que o modelo de melhoria aplicado à saúde e associado ao engajamento da gestão e dos membros das equipes assistenciais é fundamental para o sucesso da implantação de qualquer novo processo de trabalho, pois permite uma comunicação mais efetiva, integração entre as equipes e gestores e transparência das ações.
Hipotermia induzida,Neonatologia, asfixia neonatal
MAYLA PEREIRA DONON, SANDRA FERREIRA DA SILVA, IVONE VIEIRA BEZERRA