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O Espaço Colmeia, implantado em junho de 2017 no bairro Campanário, zona norte de Diadema, integra a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) como dispositivo territorial de reabilitação psicossocial. Surge em consonância com os princípios do SUS e da Reforma Psiquiátrica, fortalecendo o cuidado em liberdade e a desinstitucionalização. É um espaço de geração de renda, convivência e inclusão. Entre suas unidades produtivas está a Bela Horta, iniciativa de horticultura urbana, produção de plantas medicinais, ornamentais e hortaliças orgânicas, organizada na perspectiva da Economia Solidária. O espaço acolhe pessoas acompanhadas pelos CAPS e demais pontos da RAPS, além de outras em situação de vulnerabilidade social. A experiência articula saúde mental, geração de renda, segurança alimentar e desenvolvimento econômico, consolidando-se como estratégia municipal de cuidado integral. Ao promover trabalho coletivo, participação democrática e inserção comunitária, o projeto contribui para a reconstrução da autonomia, da cidadania e para o enfrentamento do estigma associado ao sofrimento mental.
– Promover reabilitação psicossocial por meio do trabalho coletivo em agricultura urbana e economia solidária. – Fortalecer autonomia, protagonismo e inserção social de pessoas acompanhadas pela RAPS. – Gerar renda de forma solidária e transparente, estimulando corresponsabilidade e gestão coletiva. – Ampliar a articulação intersetorial entre saúde mental, desenvolvimento econômico, segurança alimentar, agricultura urbana, cultura. – Contribuir para a redução do estigma e para a consolidação do cuidado em liberdade no território.
O acesso ao Espaço Colmeia ocorre por encaminhamento dos serviços da RAPS ou por demanda espontânea. No primeiro acolhimento, a pessoa conhece as atividades disponíveis e escolhe aquelas com as quais mais se identifica, respeitando interesses e necessidades individuais. A Bela Horta organiza-se em trabalho coletivo de cultivo orgânico, manejo de canteiros, viveiro de mudas e produção de plantas medicinais e ornamentais. As decisões são tomadas de forma participativa, com definição conjunta de rotinas, divisão de tarefas e partilha da renda ao final de períodos previamente acordados, com prestação de contas registrada. A experiência é sustentada por articulação intersetorial: parceria com a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, por meio da Casa da Economia Solidária (apoio técnico, contábil e jurídico); com a Secretaria de Segurança Alimentar (orientações sobre manipulação e redução de desperdícios); com o programa de Agricultura Urbana (uso de canteiros na horta comunitária). A comercialização ocorre por meio de parcerias institucionais, feiras e integração com a comunidade local.
A experiência fortalece vínculos, amplia a inserção social e consolida o Espaço Colmeia como mais um dispositivo no cuidado territorial. Observa-se aumento da participação ativa dos usuários, maior corresponsabilização e fortalecimento da autonomia. A geração de renda coletiva, ainda que complementar, representa reconhecimento concreto do trabalho realizado, impactando autoestima e sentimento de pertencimento. A gestão participativa favorece o exercício de cidadania e transparência. A articulação intersetorial ampliou a potência do projeto, qualificando práticas produtivas, assegurando suporte técnico e ampliando a visibilidade no município. A participação em eventos culturais e feiras fortaleceu a integração com a comunidade e contribuiu para a redução de estigmas. O espaço consolidou-se como ambiente terapêutico, produtivo e formativo, reafirmando o cuidado em liberdade como prática possível e sustentável no SUS municipal.
O Espaço Colmeia e a Bela Horta demonstram que a articulação entre saúde mental, economia solidária e agricultura urbana constitui estratégia efetiva de reabilitação psicossocial no território. A experiência reafirma os princípios da Reforma Psiquiátrica ao promover cuidado em liberdade, participação democrática e inserção comunitária. A intersetorialidade mostrou-se fundamental para sustentar e qualificar o projeto, ampliando sua potência como política pública municipal. O trabalho coletivo, a partilha da renda e a gestão participativa fortalecem a autonomia e reconstrução de projetos de vida. A continuidade e ampliação dessas ações representam investimento estratégico na consolidação da RAPS e na construção de uma cidade mais inclusiva.
RAPS; Economia solidária; Agricultura urbana
MARTHA EMANUELA MARTINS LUTTI MORORO, MARTHA EMANUELA MARTINS LUTTI MORORO